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O descarte de 200 mil barris de lixo radioativo no Oceano Atlântico: os contêineres atômicos da Guerra Fria que repousam a 4.000 metros

Por Ryan Cardoso
05/10/2026
Em Curiosidades
O descarte de 200 mil barris de lixo radioativo no Oceano Atlântico: os contêineres atômicos da Guerra Fria que repousam a 4.000 metros

Os impactos e a corrosão de milhares de barris com resíduos nucleares jogados no Atlântico europeu - Imagem ilustrativa

Entre 1946 e 1993, nações europeias despejaram cerca de 200.000 barris de lixo nuclear nas fossas abissais do Oceano Atlântico Nordeste. A prática foi banida por tratados internacionais, mas expedições recentes revelam recipientes rompidos a mais de 4.000 metros de profundidade.

Quais países europeus descartaram resíduos atômicos em alto-mar?

Durante quase 5 décadas da Guerra Fria, governos como Reino Unido, França, Bélgica, Suíça e Holanda utilizaram fossas oceânicas como solução barata para rejeitos atômicos. O Reino Unido foi responsável por mais de 75% de todo o material despejado na região costeira europeia.

Os contêineres continham lodo de reatores, resinas de troca iônica e ferragens contaminadas de usinas nucleares. O setor acreditava que as águas profundas dispersariam qualquer vazamento sem oferecer risco biológico para as populações costeiras.

O descarte de 200 mil barris de lixo radioativo no Oceano Atlântico: os contêineres atômicos da Guerra Fria que repousam a 4.000 metros
Os impactos e a corrosão de milhares de barris com resíduos nucleares jogados no Atlântico europeu – Imagem ilustrativa

Como funcionava o encapsulamento dos tambores jogados nas fossas?

Os rejeitos sólidos eram misturados com asfalto ou concreto dentro de tambores de aço de 200 litros antes do lançamento. A blindagem pesada tinha o objetivo mecânico de afundar a carga até o leito oceânico sem flutuar nas correntes marinhas superficiais.

Para compreender os critérios técnicos adotados durante as décadas de descarte oceânico, analise o comparativo a seguir:

✦
💡 CORREIO EXPLICA
A ilusão da diluição infinita: A engenharia da época assumia que o oceano profundo era biologicamente deserto. Acreditava-se que o tempo de corrosão dos metais permitiria o decaimento radioativo natural de isótopos de meia-vida curta antes do vazamento.

O que revelam as expedições oceanográficas modernas no fundo do mar?

Missões científicas com submarinos não tripulados mapearam mais de 3.000 barris na Bacia da Biscaia a 4.000 metros de profundidade. As imagens comprovaram que a pressão hidrostática extrema e a água salina provocaram corrosão severa nas paredes de aço.

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Pesquisadores registraram sedimentos contaminados com traços de césio-137 e plutônio-239 ao redor dos tambores rompidos. Surpreendentemente, anêmonas e crustáceos abissais foram encontrados colonizando os recipientes metálicos deteriorados.

Leia também: Nem água nem sabão comum: o jeito certo de limpar sofá de tecido sem deixar manchas ou marcas – Correio Braziliense

Qual tratado internacional colocou fim definitivo ao descarte oceânico?

A pressão da opinião pública global forçou uma moratória voluntária em 1983, que culminou no banimento formal definitivo em 1993. O marco legal ocorreu sob a égide da Convenção de Londres, com a atuação da Agência Internacional de Energia Atômica.

Para conhecer os principais pontos que levaram à proibição global do despejo submarino, observe os marcos históricos:

  • 📜 Convenção de Londres (1972): Proibiu o descarte de resíduos de alta atividade, mantendo permissão para baixa intensidade.
  • 🛑 Moratória voluntária (1983): Países europeus suspenderam os lançamentos navais após protestos ambientalistas em alto-mar.
  • ⚖️ Banimento permanente (1993): Emenda vinculante proibiu categoricamente qualquer despejo de materiais radioativos em oceanos.

Quais as maiores dúvidas sobre o lixo nuclear no Atlântico?

A segurança alimentar da pesca oceânica e o risco de contaminação costeira geram debates contínuos entre cientistas. Acompanhe os principais esclarecimentos a seguir.

📄

Dúvidas Frequentes

Monitoramento ambiental e legado nuclear submarino
?
Existe plano para resgatar os 200 mil barris do fundo do mar? +
Não. Retirar barris corroídos a 4.000 metros de profundidade provocaria rupturas mecânicas imediatas, dispersando radiação na coluna d’água.
Os peixes consumidos na Europa estão contaminados por esses barris? +
Monitoramentos oficiais indicam que a radiação permanece concentrada nos sedimentos do leito profundo, sem contaminação detectada na pesca comercial de superfície.

Os 200.000 tambores atômicos no leito do Atlântico representam um passivo ambiental duradouro da era industrial. O monitoramento científico contínuo é o único instrumento capaz de prevenir que a corrosão desses recipientes ameace a biosfera marinha.

Tags: Curiosidadeslixo nuclear
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