Controlar a forma como nos alimentamos está cada vez mais complexo na sociedade moderna. Muitas vezes, quem se vê diante de uma rotina atribulada pode ressentir a pressão de terminar o dia com hábitos alimentares pouco controlados. Nessa jornada, compreender a diferença entre fome física e emocional é crucial. Enquanto a gula ocasional se trata de um apetite mais intenso por algo específico, a Compulsão Alimentar desponta como um problema mais sério, com episódios recorrentes e sensação de perda de controle.
Como reconhecer a fome emocional?
A fome emocional difere da fome física por não ser acompanhada dos sinais clássicos de falta de alimento, como estômago roncando ou queda de energia. Esse tipo de fome pode surgir de maneira abrupta, muitas vezes gerada por fatores como estresse ou ansiedade. Ao invés de um prato de comida balanceado, a preferência está em itens específicos, principalmente aqueles ricos em açúcar ou gordura.
Reconhecer essa fome tem suas diferenças práticas. Uma questão que pode ajudar é: “Se for oferecido arroz e feijão, será o suficiente?”. Caso a resposta seja negativa, é provável que se trate de uma fome emocional. Compreendê-la é vital, pois frequentemente leva ao consumo de grande quantidade de calorias sem necessidade fisiológica.

O papel dos hormônios na fome e compulsão
O consumo compulsivo de alimentos está atrelado a funções hormonais e neurológicas no corpo. Hormônios como o cortisol, conhecido por ser liberado em situações de estresse, e a dopamina, ligada à sensação de recompensa, desempenham papéis cruciais. Ainda assim, são também influenciados pela grelina, que estimula o apetite, e a leptina, que sinaliza a saciedade. A falha na regulação desses mecanismos pode resultar em episódios de compulsão, especialmente após ingestões frequentes de açúcares refinados, que alteram rapidamente os níveis de insulina e glicose no sangue.
Como prevenir a Compulsão Alimentar?
Evitar períodos longos em jejum é essencial, já que isso pode desencadear episódios compulsivos. Manter uma alimentação regular, rica em fibras, proteínas e gorduras saudáveis, pode ajudar a controlar a fome e promover a saciedade. As dietas restritivas também devem ser evitadas, pois elas muitas vezes aumentam o desejo por alimentos erroneamente considerados proibidos, elevando o nível de estresse.
Outra estratégia eficaz é o atraso consciente do impulso alimentar; dar a si mesmo um período de dez minutos antes de ceder e consumir pode diminuir a vontade inicial. Além disso, alterar o ambiente, como sair da cozinha, ajuda a romper o comportamento automático de buscar por alimentos. Respirar profundamente por alguns minutos também é recomendável, pois reduz a ativação do estresse.
Quais são os riscos da Compulsão Alimentar não tratada?
A Compulsão Alimentar, quando não tratada, pode ter consequências metabólicas e emocionais significativas. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, uma parcela da população enfrenta esse transtorno, o que pode resultar em condições como diabetes, hipertensão e desequilíbrios hepáticos. Muitas pessoas procuram ajuda quando o impacto já tomou proporções grandes. No entanto, a abordagem conjunta de endocrinologistas, nutricionistas e psicólogos pode ser essencial para oferecer suporte eficaz nesses casos.
Entender que a compulsão não é uma simples falta de força de vontade é importante para buscar tratamentos adequados. É o resultado de uma complexa interação entre fatores biológicos, emocionais e comportamentais, os quais devem ser abordados com paciência e apoio profissional. Esse reconhecimento é o primeiro passo para interromper o ciclo e restaurar um equilíbrio saudável na alimentação.
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Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
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