Viamão guarda uma história que antecede a própria formação de Porto Alegre. A apenas 25 km da capital gaúcha, o município reúne igrejas coloniais, áreas rurais, banhados, dunas de água doce e uma extensa faixa de margens voltadas para o Lago Guaíba e a Laguna dos Patos. Foi também o lugar para onde o governo da capitania se transferiu durante uma das maiores crises militares do período colonial.
Por que Viamão chegou a ser a primeira capital do Rio Grande do Sul?
A ocupação de Viamão ganhou força a partir de 1741, quando foi construída a capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição. O núcleo cresceu com a chegada de moradores vindos de Laguna, São Paulo e Portugal, além da presença de africanos escravizados que também participaram da formação econômica e social da região.
O episódio que mudaria a importância política do município aconteceu em 1763. Com a invasão espanhola de Vila de Rio Grande, o governo da capitania deixou a área ameaçada e se refugiou em Viamão. A localidade passou então a funcionar como sede administrativa do Rio Grande de São Pedro, permanecendo nessa condição por aproximadamente dez anos, até a transferência do governo para Porto Alegre.
A posição estratégica voltou a colocar Viamão no centro dos conflitos décadas depois. Durante a Revolução Farroupilha, em 1836, Bento Gonçalves instalou um acampamento entre o centro de Viamão e Itapuã enquanto as forças farroupilhas participavam do cerco a Porto Alegre. A paisagem rural que hoje parece distante da capital, portanto, já foi cenário de decisões políticas e militares que marcaram a história do estado.

O que fazer nas margens do Guaíba e da Laguna dos Patos?
Viamão tem uma característica que muda completamente a experiência de quem visita: os principais atrativos estão espalhados por uma área enorme, entre campos, morros, praias de água doce e unidades de conservação. Por isso, o ideal é separar os passeios por região e usar o carro para aproveitar melhor o município.
- Parque Estadual de Itapuã: área de 5.566 hectares que preserva um dos últimos grandes remanescentes dos ecossistemas originais da Região Metropolitana de Porto Alegre. O parque reúne dunas, lagoas, matas e praias de água doce.
- Farol de Itapuã: construído em 1860, fica em uma posição estratégica onde o Guaíba encontra a Laguna dos Patos. A estrutura pode ser observada em passeios de barco pela região.
- Parque Natural Municipal Saint-Hilaire: com 1.148 hectares, possui trilhas, mais de 50 nascentes, áreas de lazer e uma barragem. O nome homenageia o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire.
- Refúgio da Vida Silvestre Banhado dos Pachecos: importante área de preservação que abriga uma população de cervos-do-pantanal. Uma torre de 16 metros permite observar a paisagem e a fauna da região.
- Autódromo Internacional de Tarumã: inaugurado em 1970, tornou-se um dos circuitos mais tradicionais do automobilismo gaúcho, conhecido por curvas como a Tala-Larga e por receber competições nacionais e do Mercosul.
- Cascata da Pedreira: localizada dentro do Saint-Hilaire, combina queda d’água, vegetação nativa e trilhas curtas, sendo uma alternativa para quem prefere um passeio mais tranquilo.
Onde a história de Viamão ainda aparece nas ruas?
No centro, a paisagem muda completamente. Entre construções baixas e ruas que acompanham o traçado antigo da cidade está a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, principal testemunho da formação colonial de Viamão.
Construída no século XVIII, a igreja é considerada a segunda paróquia mais antiga do Rio Grande do Sul e foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Seu interior conserva elementos da arte sacra colonial, incluindo talha dourada e imagens religiosas. Ao redor da praça, o conjunto urbano ainda permite perceber parte da configuração formada desde os primeiros anos da freguesia, quando Viamão começava a ganhar importância política no território gaúcho.

Sabores da Rota das Especiarias
A gastronomia mistura tradição campeira com produção artesanal recente. A Rota das Especiarias conecta propriedades rurais que oferecem experiências gastronômicas ao ar livre.
- Vinícola Pianegonda: adega com produção própria de Tannat, Merlot e Cabernet Sauvignon, além de espumante e grappa, com degustação no local.
- Estância das Oliveiras: propriedade de olivoturismo premiada internacionalmente, com degustações orientadas e almoços temáticos em meio aos olivais.
- Festa do Peixe e Festa do Arroz com Leite: eventos tradicionais que celebram ingredientes locais com programação cultural e música gaúcha.
- Sítios de turismo rural: culinária campeira para grupos agendados, com açudes, trilhas em mata nativa e doces artesanais.
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Qual a melhor época para visitar a primeira capital gaúcha?
O clima subtropical úmido garante estações bem definidas. Verões quentes convidam às praias do Guaíba, enquanto o inverno frio favorece passeios culturais e degustações em vinícolas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao berço do Rio Grande do Sul?
Viamão fica a 25 km de Porto Alegre pela BR-116 e pela RS-040, cerca de 40 minutos de carro. O Aeroporto Internacional Salgado Filho está a 20 km. Linhas metropolitanas de ônibus partem do Terminal Triângulo e da capital.
A capital esquecida do Rio Grande do Sul
Poucos destinos guardam ao mesmo tempo o berço político de um estado, praias de água doce e o último refúgio de espécies ameaçadas da região metropolitana. Viamão entrega barroco colonial e mata nativa a menos de uma hora da capital.
Você precisa cruzar os 25 km desde Porto Alegre e sentir a herança de dez anos como capital em cada esquina de Viamão.




