A crença de que a Obesidade está exclusivamente ligada à falta de autocontrole ainda é predominante em muitas narrativas sociais. Embora a mudança de hábitos pessoais seja parte integral na gestão do peso, especialistas como Bini Suresh enfatizam que reduzir o tema a questões de vontade ignora elementos mais amplos e sistêmicos envolvidos.
Estudos demonstram que fatores genéticos desempenham um papel crucial no desenvolvimento da Obesidade. Cerca de 20% da população mundial possuem uma mutação no gene MC4R, implicando no aumento da fome e na dificuldade em sentir saciedade. Isso indica que a alimentação não é apenas uma questão de decisão consciente, mas uma batalha contra predisposições biológicas.
Quais Fatores Biológicos e Ambientais Influenciam o Peso?
A Obesidade resulta de uma interação complexa entre genética, metabolismo e ambiente. Para além dos genes que afetam o apetite e o metabolismo, o ambiente contemporâneo — caracterizado pela abundância de alimentos ultraprocessados e estilos de vida sedentários — contribui significativamente para o aumento do peso populacional.
Especialistas destacam o conceito de ambiente obesogênico, onde a disponibilidade abundante de alimentos calóricos e a promoção contínua de junk food agravam o problema. Mesmo pessoas com alta motivação enfrentam dificuldades para manter uma alimentação saudável num cenário repleto de tentações constantes.

Como as questões econômicas impactam a Obesidade?
A questão não é apenas biológica ou comportamental, mas também social e econômica. Alimentos nutritivos frequentemente custam mais do que os menos saudáveis. Em comunidades com menos recursos, pode ser um desafio adotar dietas mais saudáveis, exacerbando as taxas de Obesidade entre os grupos mais desfavorecidos.
Além disso, estratégias de marketing frequentemente se direcionam a alimentos menos saudáveis, tornando esses produtos mais visíveis e atrativos. Os esforços legislativos para mitigar esse impacto, como a restrição de anúncios de comidas calóricas, pretendem diminuir a exposição e as escolhas nocivas à saúde.
Qual é o papel do governo e da sociedade na prevenção da Obesidade?
No Reino Unido, o governo implementou restrições de marketing para alimentos não saudáveis, tentando abordar esta questão através de um controle regulatório. No entanto, muitos acreditam que a mudança real requer alterações profundas e sustentadas no estilo de vida, algo que requer apoio além de medidas legislativas isoladas.
A diretora de saúde pública Alice Wiseman sugere que, enquanto a responsabilidade pessoal é relevante, a compreensão dos fatores externos é essencial. Construir um sistema de apoio mais compassivo, baseado em ciência e adaptação comportamental, pode oferecer melhores resultados a longo prazo.
Como mudar o foco da culpa para a compreensão e apoio?
Mudar a narrativa de culpa individual para uma visão mais holística pode ajudar a tratar a Obesidade de forma mais eficaz. Isso envolve reconhecer que, embora a força de vontade desempenhe um papel, não é o único fator em jogo. A integração de intervenções psicológicas, estratégias de nutrição e suporte comunitário pode auxiliar na redução das taxas de Obesidade.
Entender que a Obesidade é uma condição multifacetada — influenciada por genética, ambiente e fatores sociais — permite que as interações com a alimentação e o peso corporal sejam tratadas com mais empatia e eficácia, promovendo estratégias de longo prazo para a saúde e bem-estar.
Entre em contato:
Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271









