Conhecido mundialmente por suas memórias de conquistas amorosas e espionagem diplomática, Giacomo Casanova foi também o autor de uma das maiores fugas de prisão da Europa pré-revolucionária. Em 1756, ele escapou da prisão dos Chumbos (I Piombi), no Palácio Ducal de Veneza, considerada impenetrável pelas autoridades da época.
Por que Giacomo Casanova foi trancado na temida prisão dos Chumbos?
Em julho de 1755, Casanova foi preso aos 30 anos por ordem direta do temido Tribunal dos Inquisidores de Estado da Sereníssima República de Veneza. Ele foi acusado formalmente de libertinagem moral, posse de livros de magia e heresia, além de vínculos suspeitos com a maçonaria.
A prisão dos Chumbos ocupava o sótão do Palácio Ducal, diretamente abaixo de telhados revestidos por pesadas placas de chumbo. No verão, as placas de metal retinham calor escaldante transformando as celas em fornos asfixiantes; no inverno, o vento do mar congelava os prisioneiros sem aquecimento.

Como uma barra de ferro achada no chão virou a ferramenta de fuga?
Durante o período diário de passeio no corredor do sótão, Casanova encontrou uma barra de ferro pesada de 45 cm de comprimento esquecida em um canto escuro. Ele escondeu a peça metálica dentro de uma poltrona estofada que havia levado para sua cela.
Para transformar o pedaço de ferro bruto em uma broca afiada capaz de furar madeira e argamassa, o prisioneiro adotou o método silencioso detalhado no resumo histórico a seguir:
Lapidação com pedra de mármore: Casanova esfregou a ponta da barra de ferro contra um pedaço de mármore durante semanas a fio. O atrito manual desgastou o metal até transformá-lo em uma haste cortante pontiaguda de 8 faces.
Qual foi o plano conjunto arquitetado com o padre da cela vizinha?
Ao ser transferido de cela de surpresa, Casanova quase perdeu seu plano de furar o piso. Para furar o teto sem chamar a atenção dos carcereiros, ele aliou-se ao padre Balbi, preso na cela ao lado, passando a barra de ferro escondida dentro de uma Bíblia e um prato de macarrão.
Balbi furou o forro de madeira de seu próprio teto durante a noite e rastejou pelo vão do sótão até o teto da cela de Casanova. Juntos, os dois homens alargaram o buraco na madeira para que ambos pudessem subir para o sótão comum do palácio.
Como foi a arriscada descida noturna pelos telhados do Palácio Ducal?
Na noite de 31 de outubro de 1756, os fugitivos utilizaram a barra afiada como pé-de-cabra para arrancar os pregos das placas de chumbo e abrir uma brecha no telhado externo. Sob neblina densa, rastejaram pelas calhas escorregadias acima da Praça de São Marcos.
Conforme narrado em documentos do Archivio di Stato di Venezia, os fugitivos escaparam utilizando astúcia e ousadia:
- 🪜 Entrada por claraboia: Arrombaram uma janela do teto com a barra de ferro e desceram usando cordas feitas de lençóis.
- 🏛️ Caminhada pelo palácio: Trocaram as roupas rasgadas por trajes limpos e esperaram o amanhecer nos salões do tribunal.
- 🚪 Saída pela porta da frente: Ao abrirem os portões para os magistrados, passaram pelos guardas como cidadãos comuns e fugiram de gôndola.
Quais as maiores dúvidas sobre a histórica fuga de Casanova?
O relato minucioso deixado por Casanova em seu livro gerou debates sobre a veracidade de cada detalhe da fuga. Esclareça os principais pontos a seguir.
A fuga espetacular dos Chumbos selou a reputação de Giacomo Casanova como mestre da estratégia e do improviso. Superando paredes intransponíveis com uma barra de ferro e muita frieza, ele reescreveu seu próprio destino nas sombras de Veneza.




