O Sono Polifásico é uma abordagem de descanso que divide o sono em períodos curtos e múltiplos ao longo do dia, ao contrário do tradicional sono monofásico que ocorre durante a noite. Essa prática está ganhando atenção por prometer um aumento nas horas produtivas, mas instituições como a National Sleep Foundation alertam que ela pode comprometer funções cognitivas e aumentar o risco de doenças cardiovasculares.
O que é sono polifásico e quais são seus principais tipos?
Os tipos mais comuns de sono polifásico incluem o método Uberman, considerado o mais extremo, com seis cochilos de 20 minutos ao longo do dia. Já o método Everyman combina um sono central de três horas com três a quatro cochilos de 20 minutos, enquanto o Dymaxion propõe quatro cochilos de 30 minutos a cada seis horas.
Entre esses padrões, o sono bifásico, com um sono noturno de cerca de seis horas seguido de um cochilo à tarde, é apontado por pesquisadores, especialmente da USP, como a abordagem menos arriscada. Mesmo assim, recomendam cautela e reforçam que a individualidade biológica e o contexto de vida devem ser considerados.
Para compreender melhor o sono polifásico, assista ao vídeo a seguir, no qual o Dr. Buzunov explica o assunto de forma clara e didática no canal Saúde com o Dr. Buzunov.
Quais são as evidências científicas sobre os benefícios do sono polifásico?
Apesar das alegações populares de aumento de produtividade e estado de alerta, a literatura científica não confirma benefícios consistentes do sono polifásico. Um relatório da National Sleep Foundation, de 2021, não encontrou evidências robustas que sustentem os supostos ganhos em desempenho cognitivo ou bem-estar.
Alguns praticantes relatam um estado inicial de alerta mais elevado, mas especialistas explicam que esse efeito costuma estar ligado ao aumento de hormônios do estresse, como cortisol e adrenalina. A Cleveland Clinic reforça que o sono monofásico continua sendo o padrão mais bem embasado cientificamente e essencial para a saúde física e mental.

Quais são os principais riscos associados ao sono polifásico?
A fragmentação extrema do sono, comum em métodos polifásicos mais rígidos, impede a conclusão adequada de ciclos de sono profundo e REM. Com o tempo, essa interrupção pode provocar desequilíbrios generalizados no organismo, afetando desde o cérebro até o sistema imunológico.
Entre os riscos mais frequentemente associados à prática prolongada do sono polifásico, destacam-se:
🧠💤 Consequências da Privação de Sono
| Área Afetada | Consequências |
|---|---|
| Declínio cognitivo | Prejuízo na concentração, na memória e na tomada de decisão. |
| Desregulação metabólica | Aumento do risco de obesidade, resistência à insulina e diabetes tipo 2. |
| Problemas cardiovasculares | Maior chance de hipertensão e doenças cardíacas. |
| Desequilíbrios emocionais | Intensificação de ansiedade, irritabilidade e depressão. |
| Sistema imune debilitado | Maior vulnerabilidade a infecções e recuperação mais lenta. |
💡 Dica: Dormir entre 7 e 9 horas por noite ajuda a preservar o equilíbrio físico, mental e imunológico.
Por que o corpo humano não é adaptado ao sono polifásico?
O ser humano evoluiu em sincronia com o ciclo natural de luz e escuridão, estabelecendo um ritmo circadiano de cerca de 24 horas. Esse relógio biológico coordena processos fundamentais, como a liberação de hormônios, a temperatura corporal e os padrões de sono e vigília.
A consolidação de memórias, o processamento de emoções no sono REM e a recuperação física no sono profundo dependem de blocos contínuos de descanso. Cochilos curtos e frequentes tendem a interromper essas fases e, em longo prazo, podem prejudicar o funcionamento biológico adequado.
Quando o sono polifásico é utilizado como necessidade e não como escolha?
Embora não seja recomendado como estilo de vida permanente, o sono polifásico pode ser adotado em situações extremas e temporárias. Nesses contextos, ele funciona como uma estratégia de sobrevivência para manter o funcionamento mínimo em cenários de alta demanda e pouco tempo disponível.
Exemplos incluem astronautas em missões espaciais, navegadores solitários em oceano aberto, militares em operações contínuas e profissionais de emergência, como médicos e bombeiros em longos plantões. Mesmo nesses casos, a recomendação é retornar ao padrão monofásico assim que as condições permitirem, para restaurar o equilíbrio do organismo.
Entre em contato:
Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271









