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Início Curiosidades

O que a ciência diz sobre quem prefere salgado em vez de doce

Por Daniely Cardoso
06/07/2025
Em Curiosidades
Comida - Créditos: depositphotos.com / AlexLipa

Comida - Créditos: depositphotos.com / AlexLipa

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O consumo de sal acima dos níveis recomendados é uma realidade para boa parte da população mundial e desperta preocupação entre especialistas devido aos seus efeitos sobre a saúde. Essa busca constante por alimentos salgados costuma ser vista apenas como hábito individual ou resultado de preferências culinárias, mas estudos recentes revelam que fatores genéticos também podem exercer papel fundamental nesse comportamento alimentar.

Muitas pessoas relatam apreciação maior pelo sabor salgado em relação ao doce e demonstram uma clara preferência por refeições temperadas de forma intensa com sal. Segundo pesquisas científicas atuais, esse desejo por comidas salgadas pode ter origem não apenas nas escolhas pessoais ou culturais, mas também em características hereditárias específicas que afetam a percepção do paladar.

O papel do gene TAS2R38 na preferência por sal

Dentro do universo da genética, o gene TAS2R38 vem ganhando destaque nas investigações sobre gosto e alimentação. Tradicionalmente conhecido por interferir na sensibilidade aos sabores amargos, esse gene apresenta uma variante, identificada como alelo “G” na posição rs713598, que aumenta a capacidade de detectar amargor em alimentos como brócolis ou espinafre. Pessoas com essa variante genética tendem a evitar vegetais amargos, optando por opções menos intensas nesse quesito.

No entanto, estudos que analisaram a relação entre o gene TAS2R38 e o consumo de sal apontam que essa mesma característica genética também pode influenciar diretamente outras escolhas alimentares, especialmente o quanto de sal é adicionado à comida. Em um levantamento científico conduzido nos Estados Unidos, indivíduos entre 50 e 52 anos, com fatores de risco cardiovascular, apresentaram importante variação nas quantidades de sódio ingeridas conforme a presença ou ausência da variante genética referida.

Comida – Créditos: depositphotos.com / TarasMalyarevich

Por que algumas pessoas comem mais sal? A ciência já tem pistas?

Embora haja uma associação definida entre fatores genéticos e a preferência por alimentos salgados, as pesquisas não observaram alterações significativas na ingestão de outros elementos que podem impactar negativamente a saúde do coração, como gorduras ou açúcares. Dessa forma, a atenção permanece voltada à influência dos genes no gosto pelo sal e suas possíveis consequências no desenvolvimento de hipertensão e enfermidades cardiovasculares, principalmente em pessoas com histórico pessoal ou familiar de doenças cardíacas.

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Apesar da clara ligação entre predisposição genética e preferência pelo sal, os estudos não identificaram diferenças marcantes no consumo de outros componentes considerados prejudiciais à saúde cardiovascular, como açúcar ou gordura. Assim, o foco recai sobre a influência genética no paladar salgado e nos potenciais desdobramentos para o risco de doenças vasculares e pressão alta, especialmente em grupos com histórico pessoal ou familiar de problemas cardíacos.

Como as descobertas impactam recomendações alimentares?

Compreender os fatores genéticos que interferem nos hábitos alimentares pode ser fundamental para aprimorar estratégias de saúde pública e individualizar recomendações nutricionais. Ao identificar a presença da variante genética associada ao maior consumo de sódio, profissionais de saúde podem adaptar orientações específicas para cada paciente, tornando possível o desenvolvimento de planos alimentares personalizados que considerem tanto aspectos fisiológicos quanto comportamentais.

  • Recomenda-se que adultos limitem o consumo de sódio a 2.300 miligramas por dia, com o ideal de 1.500 mg para populações com riscos à saúde cardiovascular.
  • Atenção à genética de cada indivíduo pode auxiliar na criação de abordagens educativas mais precisas e efetivas.
  • Monitorar padrões alimentares pode colaborar para redução de doenças relacionadas à alimentação rica em sal, como hipertensão e insuficiência cardíaca.

O avanço do conhecimento sobre a influência dos genes no paladar, sobretudo em relação ao sal, contribui para a construção de estratégias de prevenção em saúde. A personalização dessas medidas pode representar uma importante ferramenta para diminuir o risco de doenças crônicas ligadas ao excesso de sódio na dieta, favorecendo escolhas alimentares mais conscientes e seguras.

Tags: AlimentaçãoGene TAS2R38Genética e Saúdesal
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