A recente notícia de um surto de hantavírus a bordo de um cruzeiro no Atlântico chamou a atenção global para uma doença relativamente desconhecida, porém perigosa. O hantavírus, transmitido por roedores e associado a ambientes com pouca ventilação e higiene inadequada, representa um risco significativo devido à gravidade de suas manifestações clínicas e ao potencial de rápida propagação em locais confinados, como navios, galpões e alojamentos coletivos.
Quais doenças o hantavírus pode causar?
Existem duas formas principais de doenças causadas pelo hantavírus. A primeira é a Síndrome Pulmonar por Hantavírus (HPS), mais prevalente nas Américas, incluindo o Brasil, onde é também conhecida como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), podendo evoluir para insuficiência respiratória severa.
A outra forma é a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (HFRS), mais comum na Europa e Ásia. Nessa apresentação, o principal comprometimento é renal, com risco de pressão arterial muito baixa, hemorragias internas e necessidade de internação intensiva para suporte clínico.
Como está a situação da hantavirose no mundo atualmente?
Estatísticas indicam que a hantavirose afeta milhares de pessoas ao redor do mundo anualmente, com um número significativo de casos concentrados na China e em regiões rurais de clima temperado. Desde 1993, quando a vigilância foi intensificada, centenas de casos foram identificados em países como os Estados Unidos, onde a cepa Seoul, transmitida por ratos-noruegueses, é predominante.
No Brasil, entre 1993 e 2024, mais de dois mil casos foram registrados, o que evidencia a relevância do vírus em áreas rurais e agropecuárias. A maioria das infecções está relacionada a atividades como limpeza de depósitos, colheita em plantações e contato com ambientes infestados por roedores silvestres ou urbanos.

Como prevenir e tratar infecções por hantavírus?
Atualmente, não há tratamento específico aprovado para infecções por hantavírus, e o manejo é focado no suporte clínico com oxigenoterapia, ventilação mecânica e, em alguns casos, diálise. Em situações graves, a internação em unidade de terapia intensiva (UTI) é fundamental para monitorar e tratar rapidamente a insuficiência respiratória e circulatória.
A prevenção se baseia principalmente no controle de roedores e na redução da exposição a ambientes contaminados. Entre as medidas recomendadas para diminuir o risco de contato com o vírus, destacam-se:
💙🐭 Prevenção contra Roedores
| Medida | Como Aplicar | Objetivo |
|---|---|---|
| Vedação de acessos | Fechar frestas, buracos e pontos de entrada em casas, depósitos e navios | Impedir a entrada de roedores |
| Uso de proteção | Utilizar luvas, máscaras e óculos ao limpar áreas contaminadas | Evitar contato com fezes, urina e ninhos |
| Limpeza adequada | Umedecer áreas com desinfetante antes da limpeza | Evitar dispersão de partículas contaminadas |
| Armazenamento correto | Guardar alimentos em recipientes fechados e descartar lixo corretamente | Reduzir atração de roedores |
💡 Dica: Manter o ambiente limpo e bem vedado é essencial para prevenir infestações e proteger a saúde.
Casos fatais, como o da esposa do ator Gene Hackman, reforçam a importância do diagnóstico rápido e das ações de vigilância epidemiológica. Investimentos em pesquisa, desenvolvimento de vacinas e protocolos de resposta a surtos são essenciais para reduzir a mortalidade e proteger a saúde pública de forma mais abrangente.
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Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271









