Poucas cidades do interior brasileiro conseguiram transformar uma antiga rota de tropeiros em uma potência que alimenta mercados de vários continentes. Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, fez essa transição sem abandonar suas raízes: o nome, de origem kaingang, significa “donde se avista o caminho da roça”, enquanto a economia atual coloca o município entre os grandes polos brasileiros de produção e exportação de carnes. São cerca de 282 mil habitantes, com crescimento populacional de 2,4% em apenas um ano.
Como um território gigantesco virou potência da agroindústria?
A dimensão original de Chapecó ajuda a entender a importância que o município conquistou na região. Criado em 1917, o território abrangia praticamente todo o Oeste catarinense e tinha aproximadamente 14 mil km². Ao longo do século XX, sucessivos desmembramentos deram origem a novos municípios e reduziram Chapecó aos atuais 625 km². A ocupação ganhou força com famílias descendentes de italianos e alemães vindas do Rio Grande do Sul, enquanto antigos pousos de tropeiros ligados ao Caminho das Missões ajudaram a estruturar a região, rota aberta por volta de 1845 com participação do cacique kaingang Condá.
O salto econômico veio algumas décadas depois. Os primeiros frigoríficos apareceram nos anos 1950, e, na década seguinte, Chapecó já havia se consolidado como referência nacional no processamento de carnes. A cidade tornou-se sede da Cooperativa Central Aurora Alimentos, fundada em 1969, e passou a abrigar uma unidade da BRF, que produz no município um de seus itens de maior presença nas exportações desde 1973. Esse desenvolvimento levou Chapecó ao posto de maior produtora de proteína suína do país, segundo dados do IBGE.

O que visitar na capital do Oeste catarinense?
O centro de Chapecó concentra boa parte das atrações, acessíveis a pé. Fora da área urbana, cachoeiras e mirantes do Vale do Rio Uruguai completam o roteiro.
- Arena Condá e Memorial da Chape: o estádio da Associação Chapecoense de Futebol, inaugurado em 2009, tornou-se local de peregrinação após a tragédia aérea de 2016. O memorial preserva a memória do clube e emociona visitantes do mundo todo.
- Monumento O Desbravador: escultura de 14 metros no centro da cidade, inaugurada em 1981, representa um gaúcho com machado e louro, símbolo do trabalho e da conquista da terra.
- Trilha do Pitoco: a 28 km do centro, reúne cinco cachoeiras com quedas de até 45 metros em meio à mata nativa. O nome homenageia o primeiro cão-guia a visitar o local.
- Ecoparque: área verde urbana na Avenida Getúlio Vargas, com trilhas, pista de caminhada e contato direto com a natureza. Funciona diariamente das 6h às 21h.
- Floresta Nacional de Chapecó: unidade de conservação de 1.590 hectares administrada pelo ICMBio, com trilhas entre araucárias e remanescentes de Mata Atlântica. Visitas mediante agendamento.
Sabores que misturam cantina italiana e churrasco gaúcho
A mesa chapecoense reflete a colonização. A herança italiana aparece na polenta, no tortéi, nas massas artesanais e nos salames que secam nos galpões do interior. A tradição gaúcha garante o churrasco do domingo e o chimarrão de toda hora. Cervejarias artesanais, como a Bellbrück, no interior do município, oferecem rótulos autorais harmonizados com tábuas de frios coloniais sob os parreirais.
Quem busca turismo rural pode reservar almoço no Recanto dos Pinhais, cantina que serve pratos típicos em meio à paisagem do Oeste. A Família Viel produz vinhos e espumantes a partir de 12 variedades de uva e recebe visitantes para degustação entre as videiras.
Leia também: Com mais de 94 m² de verde por habitante, essa capital planejada virou referência mundial em qualidade de vida.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
Chapecó tem clima subtropical, com verões quentes e invernos que podem surpreender. Em agosto de 1965, a cidade registrou uma nevasca histórica, fenômeno raríssimo na região.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à capital da agroindústria?
Chapecó fica a 557 km de Florianópolis pela BR-282. O Aeroporto Serafim Enoss Bertaso recebe voos regulares e movimenta cerca de 40 mil passageiros por mês. A rodoviária interestadual oferece linhas para as principais cidades do Sul e do Sudeste.
A cidade que alimenta o Brasil e surpreende quem chega
Chapecó combina força industrial com paisagens de vale, cantinas coloniais e uma história que começa nos kaingang e chega às mesas de dezenas de países. Poucas cidades do interior brasileiro reúnem tanto crescimento com tanta identidade.
Você precisa descer a serra até o Rio Uruguai, provar um tortéi colonial e sentir o orgulho que os chapecoenses têm dessa terra que não para de crescer.




