Uma estrada de chão corta os morros de Mata Atlântica até chegar a uma faixa de areia em formato de meia-lua que conquistou reconhecimento internacional. A Praia do Rosa, distrito de Imbituba, no litoral sul de Santa Catarina, é a única praia brasileira a representar o país no Clube das Baías Mais Belas do Mundo, organização francesa com chancela da UNESCO.
Como o Rosa saiu do isolamento para ganhar fama mundial?
A comunidade que existia ali nos anos 1970 era formada por poucas famílias de pescadores, mas o cenário começou a mudar com a chegada de surfistas e hippies. Eles percorriam trilhas abertas pela mata para alcançar a praia, atraídos pelas ondas e pelo isolamento. Foi nesse contexto que surgiu a relação com Dorvalino da Rosa, morador que recebia os primeiros visitantes em seu engenho de farinha e acabou dando nome ao local.
O reconhecimento internacional veio em 2003, quando o Rosa passou a fazer parte do clube francês das baías mais belas. Mais tarde, em 2015, o jornal britânico The Guardian colocou a praia entre as dez mais bonitas que o viajante “provavelmente nunca ouviu falar”, ao lado de destinos da Tailândia, Itália e Austrália. Apesar da crescente fama, a vila conserva ruas sem asfalto e uma atmosfera de comunidade litorânea.

Quando as baleias-francas aparecem no litoral catarinense?
Entre julho e novembro, as baleias-francas-austrais deixam a Antártida e seguem para as águas rasas e protegidas de Santa Catarina, onde encontram condições para parir e amamentar seus filhotes. Na baía do Rosa, os animais podem chegar bastante próximos da areia, algumas vezes a menos de 100 metros dos costões.
A proteção desse ambiente faz parte da Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca (APA), unidade federal de conservação criada em 2000 e administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Com 156 mil hectares e 130 km de litoral, a área protegida passa por nove municípios, entre Florianópolis e Balneário Rincão. Em Imbituba, onde funcionou a última armação baleeira do Brasil até 1973, está também o Museu da Baleia, que oferece visitação gratuita e reúne ossadas relacionadas à história da caça e da preservação.
Quais experiências existem entre as duas partes da Praia do Rosa?
As duas extremidades da praia apresentam características diferentes e oferecem experiências variadas aos visitantes. O Rosa Norte tem perfil mais rústico, ondas consistentes procuradas por surfistas e trilhas que chegam a piscinas naturais entre as rochas. Já o Rosa Sul reúne quiosques à beira-mar e ondas mais tranquilas, que costumam agradar às famílias. Entre os dois trechos está a Lagoa do Meio, conhecida pelas águas rasas e mornas.
- Caminho do Rei: trilha de 6 km que conecta o Rosa à Praia do Luz, passando por mirantes voltados para a Lagoa de Ibiraquera e áreas de mata nativa. A denominação faz referência à passagem de Dom João VI pela região no século XIX.
- Lagoa de Ibiraquera: ponto procurado para apreciar o pôr do sol e praticar stand-up paddle, windsurf e kitesurf. Suas águas tranquilas contrastam com o mar mais agitado da baía.
- Praia Vermelha: trecho praticamente deserto entre costões rochosos, alcançado por uma trilha de 3 km a partir do Rosa Norte. Não possui infraestrutura e preserva um cenário selvagem com piscinas naturais entre as pedras.
- Praia do Ouvidor: localizada na divisa entre Imbituba e Garopaba, apresenta areia fina entre o mar e a Mata Atlântica.
- Observação de baleias-francas: entre julho e novembro, os animais podem ser observados diretamente dos costões ou em safáris terrestres guiados pela Rota da Baleia Franca, que passa por Garopaba, Imbituba e Laguna.

O que comer no centrinho do Rosa?
A vila concentra cerca de 400 pousadas e uma rede gastronômica que mistura cozinha catarinense com toques autorais. As ruas de terra do centrinho reúnem restaurantes, bares com música ao vivo e cafés abertos até tarde.
- Tainha na taquara: peixe assado dentro do bambu, com sabor defumado característico do litoral sul catarinense.
- Frutos do mar grelhados: camarão, lula e peixe do dia preparados na brasa, servidos nos quiosques do Rosa Sul com vista para a baía.
- Crepes e pizzas artesanais: a influência dos primeiros moradores estrangeiros deixou marcas na gastronomia local, com opções que fogem do convencional.
Quando ir à Praia do Rosa?
O clima subtropical garante estações bem marcadas. O verão lota as praias e agita a vida noturna. O inverno traz as baleias e o charme das pousadas com lareira.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo para a região de Imbituba. Condições podem variar.

Como chegar a essa baía escondida?
A Praia do Rosa fica a 90 km de Florianópolis pela BR-101, cerca de 1h30 de carro. A saída é no km 274, sentido Garopaba, seguindo pela SC-434. Os últimos quilômetros são em estrada de terra. Ônibus fazem o trajeto Florianópolis-Imbituba, com complemento de táxi ou transfer até a vila. Quem vem de São Paulo percorre cerca de 760 km pela BR-116 e BR-101.
Vá antes que o segredo acabe
A Praia do Rosa entrega um litoral raro: natureza protegida por decreto federal, baleias que escolhem essa baía para dar à luz e uma vila que cresceu sem perder a alma dos anos 1970. Tudo isso a pouco mais de uma hora de Florianópolis.
Você precisa subir o morro, olhar a meia-lua de areia lá de baixo e entender por que essa baía catarinense conquistou um lugar entre as mais bonitas do planeta.




