O calcário presente no subsolo ajuda a explicar a transparência impressionante dos rios de Bodoquena, no sudoeste do Mato Grosso do Sul. A cidade fica a cerca de 70 km de Bonito e abriga esse cenário natural dentro de um parque nacional com aproximadamente 77 mil hectares. A paisagem combina águas cristalinas, mata preservada e formações geológicas construídas ao longo de milhões de anos.
Como a Serra da Bodoquena transforma a água em um espetáculo natural?
A explicação começa nas rochas que formam a Serra da Bodoquena. O calcário funciona como um filtro natural enquanto a água atravessa o solo, reduzindo quase toda a turbidez e criando os tons azulados e verde-esmeralda que aparecem nos rios. O mesmo processo dá origem às tufas calcárias, depósitos minerais que ajudam a formar cachoeiras e barragens naturais ao longo dos cursos d’água.
O nome Bodoquena vem do tupi-guarani e significa “nascente em cima da serra”, uma referência à importância da região para a formação dos rios. A serra recebe e concentra a água das chuvas, alimentando cursos como o Salobra, o Perdido, o Formoso e o Betione, cujas nascentes permanecem protegidas pela vegetação.

O parque nacional que protege a última Mata Atlântica do estado
Criado em setembro de 2000, o Parque Nacional da Serra da Bodoquena é a única unidade de conservação federal de proteção integral no Mato Grosso do Sul. São 77.021 hectares administrados pelo ICMBio, distribuídos pelos municípios de Bodoquena, Bonito, Jardim e Porto Murtinho.
O parque fica em uma área de transição entre o Cerrado, o Pantanal e o último grande fragmento de Mata Atlântica do estado. Esse mosaico abriga mais de 340 espécies de aves, 195 de mamíferos e animais ameaçados, como a onça-pintada e o cachorro-vinagre. Debaixo da terra, os rios também formaram sistemas de cavernas inundadas que ainda despertam o interesse de pesquisadores e exploradores.
Bodoquena é um tesouro natural do Mato Grosso do Sul, marcado por desfiladeiros, rios de águas azul-turquesa e cachoeiras em meio à mata preservada. O vídeo do canal Destinos Imperdíveis, que conta com mais de 286 mil inscritos, mostra experiências como o rafting no Rio Salobra, a flutuação no Rio Azul e as quedas d’água espalhadas pela Serra da Bodoquena:
O que fazer em Bodoquena além de contemplar?
A serra concentra experiências para perfis variados, de famílias com crianças a praticantes de esportes radicais. A maioria dos atrativos fica em fazendas particulares com estrutura de receptivo.
- Cachoeira Boca da Onça: a maior queda do Mato Grosso do Sul, com 156 m de altura no cânion do Rio Salobra. A trilha Adventure percorre 4 km e passa por 8 cachoeiras com paradas para banho. O complexo oferece o maior rapel de plataforma do Brasil, com 90 m de descida.
- Cachoeiras Serra da Bodoquena: trilha de 2,5 km margeando o Rio Betione, com oito piscinas naturais, passeio de bote e balneário com tirolesa e caiaque.
- Cânion do Rio Salobra: aquatrekking entre paredões de mais de 80 m de altura, com cachoeiras e praias de seixos ao longo de 7,5 km de trilha.
- Córrego Azul: flutuação em águas cristalinas, acessível de barco pelo Rio Salobra.
- Eco Serrana Park: a Trilha do Poção leva a uma surgência com lago verde esmeralda de mais de 100 m de diâmetro, esculpido ao longo de milhões de anos.

A cachoeira com cara de onça que virou a 2ª melhor atração do Brasil
O nome Boca da Onça nasceu da formação rochosa no meio da queda d’água: vista de baixo, a pedra desenha o rosto de uma onça de boca aberta. Em 2025, o atrativo recebeu o prêmio Travelers’ Choice Best of the Best do TripAdvisor, sendo eleito a 2ª melhor atração do Brasil e a 3ª da América Latina. A fazenda onde fica a cachoeira destina 55% dos seus 2 mil hectares à preservação ambiental.
Leia também: Cresce 24% o número de brasileiros se mudando para essa cidade com alta qualidade de vida e próxima ao Paraguai.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O período seco oferece rios mais cristalinos e trilhas transitáveis. No verão, as cachoeiras ganham volume, mas chuvas fortes podem dificultar o acesso a alguns atrativos.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à porta da serra sul-mato-grossense?
Bodoquena fica a 265 km de Campo Grande pela BR-262 até Miranda e depois pela MS-339, cerca de 3h20 de carro. Quem parte de Bonito percorre 70 km pela MS-178 em aproximadamente 1 hora. O aeroporto mais próximo é o de Bonito, com voos regulares de São Paulo e Campinas.
Mergulhe na serra que filtra a água e renova o olhar
Bodoquena é o lado menos explorado e mais surpreendente do circuito sul-mato-grossense. Rios que parecem invisíveis de tão límpidos, cânions com paredões de 80 metros e uma cachoeira que desenha o rosto de uma onça na pedra compõem um cenário que não se repete em nenhum outro lugar do país.
Você precisa calçar a bota, descer a trilha e sentir a água gelada da serra nos pés para entender por que quem vai a Bodoquena nunca mais esquece o caminho de volta.


