Despertar cedo é um desafio constante para uma parte significativa da população. Enquanto algumas pessoas abrem os olhos antes mesmo do despertador, outras precisam de vários alarmes e ainda assim sentem o corpo pesado. A ciência do sono mostra que essa diferença não é simples falta de disciplina, mas resultado de uma combinação de fatores biológicos, genéticos e de estilo de vida, que influenciam diretamente o relógio interno e a facilidade para acordar.
O que é o relógio biológico e como ele afeta quem tem dificuldade para acordar cedo
No centro dessa discussão está o relógio biológico, também chamado de ritmo circadiano. Trata-se de um sistema interno que organiza processos do organismo ao longo de aproximadamente 24 horas, como temperatura corporal, liberação de hormônios, fome e, principalmente, o ciclo de sono e vigília, como trouxe a pesquisa “Social jetlag and obesity“.
Na prática, isso significa que existem diferentes cronotipos. Os chamados “tipos matutinos” sentem sono mais cedo e acordam com mais disposição pela manhã, enquanto os “tipos vespertinos” tendem a ficar mais alertas à noite e apresentam mais lentidão nas primeiras horas do dia, refletindo padrões fisiológicos distintos.
Para aprofundarmos no tema, trouxemos o vídeo da Bárbara Herc (@barbaraherc):
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Como os genes e a herança influenciam a dificuldade para acordar cedo
A dificuldade para acordar cedo tem forte relação com a genética. Pesquisas em genética do sono identificaram variantes em genes associados ao relógio circadiano e ao tempo total de sono, favorecendo um perfil mais “diurno” em algumas pessoas e mais “noturno” em outras, o que altera o horário natural de maior alerta.
Filhos de pessoas com sono noturno tendem a apresentar padrão semelhante e maior sensibilidade à luz, à produção de melatonina e ao tempo de adaptação a mudanças de horário. Assim, quem tem predisposição a dormir tarde pode sofrer mais com turnos matinais rígidos, mesmo seguindo recomendações básicas de higiene do sono.
Como hábitos e luz interferem na dificuldade para acordar cedo
Os hábitos cotidianos podem reforçar a dificuldade para acordar cedo. A luz azul emitida por celulares, tablets e computadores reduz a liberação de melatonina, atrasando o início do sono e encurtando as horas de repouso antes do despertador, especialmente quando o uso de telas se prolonga pela noite.
Além das telas, outros fatores contribuem para um despertar mais arrastado, e entender cada um deles ajuda a ajustar melhor a rotina. Abaixo estão alguns dos elementos cotidianos que mais influenciam o relógio biológico e a qualidade do despertar:
- Luz à noite atrasa o relógio biológico e empurra o sono para mais tarde.
- Falta de luz pela manhã dificulta o sinal de “acordar” para o cérebro.
- Horários variáveis de sono confundem o ritmo circadiano e desregulam o ciclo.
- Estímulos intensos à noite aumentam o estado de alerta e atrasam o descanso.

Como treinar o corpo para acordar mais cedo de forma gradual
A ciência do sono indica que, mesmo com predisposição genética, existe espaço para adaptação gradual. O corpo responde melhor a mudanças pequenas e consistentes do que a ajustes bruscos, e uma rotina estruturada pode reduzir significativamente a dificuldade para acordar cedo e melhorar a sensação de descanso.
Algumas estratégias incluem antecipar o horário de dormir em 15 a 30 minutos a cada poucos dias, manter o mesmo horário todos os dias, reduzir o uso de telas à noite, buscar luz natural ao despertar e cuidar do ambiente de sono. Se a dificuldade vier acompanhada de sonolência intensa, roncos fortes ou pausas respiratórias, é importante buscar avaliação profissional para investigar possíveis distúrbios do sono.








