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Início Curiosidades

Por que alguns ninhos de joão-de-barro ficam mais altos do que outros

Por Nicolas Otto
04/05/2026
Em Curiosidades
Por que alguns ninhos de joão-de-barro ficam mais altos do que outros

Por que os ninhos de hornero nunca são totalmente iguais

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Entre as muitas aves típicas da América do Sul, o hornero se destaca pelos ninhos de barro em formato de forno, facilmente vistos em árvores, postes e paredes de áreas urbanas e rurais. Esses ninhos chamam atenção não apenas pelo formato, mas também pela assimetria da entrada, que pode ficar voltada para a direita ou para a esquerda, despertando interesse científico sobre os fatores ambientais e comportamentais que influenciam essa arquitetura.

O que caracteriza a assimetria nos ninhos de hornero

Os ninhos de hornero, estruturas de barro feitas com palha e outros materiais disponíveis no ambiente. A assimetria se refere à posição da entrada, que pode estar à direita ou à esquerda em relação ao corpo principal do ninho, em geral construído em formato de forno sobre galhos ou suportes artificiais.

Pesquisas indicam que essa característica não é totalmente aleatória, havendo um predomínio de entradas voltadas para um dos lados em muitas regiões. Estudos anteriores já testaram se direção dos ventos, temperatura, chuvas ou posição geográfica explicariam o padrão, mas até o momento esses fatores climáticos e espaciais não se mostraram determinantes.

Por que os ninhos de hornero nunca são totalmente iguais

Como o ambiente ao redor influencia os ninhos de hornero

Em uma investigação com mais de dez mil imagens de ninhos de hornero em Argentina, Uruguai, Brasil, Paraguai e Bolívia, os pesquisadores classificaram as construções conforme a presença de estruturas laterais. Muitos ninhos apareciam apoiados em ramos, troncos, postes ou paredes, enquanto outros se mostravam mais isolados na superfície de sustentação.

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Entre os ninhos com estrutura ao lado, observou-se que com frequência a entrada ficava voltada para o mesmo lado dessa base lateral, efeito que aumentava quando o apoio funcionava quase como parte da parede de barro. Ainda assim, uma fração considerável dos ninhos não seguia esse padrão, indicando que outros fatores, possivelmente comportamentais, também influenciam a orientação da entrada.

Por que a assimetria dos ninhos de hornero é cientificamente relevante

A assimetria dos ninhos de hornero suscita questões sobre comportamento, cognição e adaptação dessa ave a ambientes naturais e urbanos. Uma hipótese é que existam preferências laterais individuais, algo análogo a “destros” e “canhotos” em humanos, influenciando como o casal organiza o trabalho de construção e escolhe a posição mais confortável ou segura da porta.

Outra linha de pesquisa analisa se a forma de acoplar o ninho ao suporte condiciona a posição estruturalmente mais estável da entrada, reduzindo risco de queda ou infiltração de água. Para investigar ninhos sem apoio lateral evidente, equipes vêm acompanhando casais ao longo de todo o processo de construção, registrando direção de voo, modo de pouso, sequência de deposição de barro e divisão de tarefas entre macho e fêmea.


Este vídeo do canal Osvaldo Scalabrini, que já reúne 225 mil inscritos, foi selecionado especialmente para você que quer observar de perto como o joão-de-barro constrói seu ninho com tanta dedicação. As imagens e explicações ajudam a entender melhor o comportamento dessa ave no dia a dia da natureza.

Como os pesquisadores estudam o processo de construção dos ninhos

Para entender melhor a origem da assimetria, grupos de pesquisa realizam observações de campo detalhadas, acompanhando populações em diferentes regiões e tipos de ambiente. O objetivo é identificar padrões sutis durante a construção que possam explicar por que a entrada tende a se formar mais para um lado do que para o outro.

  1. Observar a escolha e o formato do suporte utilizado pelo casal.
  2. Registrar a sequência de deposição de barro, palha e outros materiais.
  3. Anotar a formação gradual das paredes e da abertura de entrada.
  4. Comparar diferentes pares de aves em regiões e contextos variados.

Como a ciência cidadã contribui para o estudo dos ninhos de hornero

O avanço recente no estudo da assimetria em ninhos de hornero depende fortemente de plataformas de ciência cidadã, que permitem a observadores registrar fotos, localização e tipo de suporte usado. Esses dados ampliam o alcance geográfico dos estudos, incluindo áreas urbanas, rurais e naturais, e fornecem uma base estatística robusta para testar hipóteses sobre a orientação da entrada.

Além de coletar imagens e informações de localização, os participantes ajudam a monitorar mudanças ao longo do tempo, como reconstruções de ninhos, reuso de estruturas antigas e possíveis variações sazonais na orientação da entrada. Esses registros, quando organizados e validados por instituições de pesquisa, permitem comparar padrões entre diferentes regiões e contextos culturais, aproximando a sociedade do processo científico e acelerando a compreensão da arquitetura singular dos ninhos de hornero.

Tags: CuriosidadesJoão-de-barropassarinho
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