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Início Bem-Estar

Por que beber água gelada em jejum pode ser um erro metabólico e o que os japoneses fazem no lugar

Por Paulo Custodio
30/05/2026
Em Bem-Estar
Por que beber água gelada em jejum pode ser um erro metabólico e o que os japoneses fazem no lugar

Beber água gelada em jejum pode desacelerar o sistema digestivo

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A ideia de que beber água gelada jejum metabolismo manhã causa algum “erro metabólico” circula muito, mas a realidade é mais nuançada. A temperatura da água ingerida em jejum tem efeitos fisiológicos reais e mensuráveis no trato digestivo, só que menores e diferentes do que o senso comum costuma afirmar.

O que acontece no corpo quando você bebe água gelada ao acordar?

Ao ingerir água muito fria logo após oito horas de jejum, o organismo precisa gastar energia para aquecer esse líquido até a temperatura corporal de 37°C. Pesquisadores do Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism testaram esse efeito e observaram que água a 3°C produziu um pequeno aumento no gasto energético em repouso de cerca de 4,5% por 60 minutos, o que é real, mas clinicamente insignificante para a maioria das pessoas.

O segundo efeito é mais relevante do ponto de vista digestivo: a água fria pode causar uma leve contração dos músculos lisos do trato gastrointestinal em indivíduos mais sensíveis, o que algumas pessoas percebem como desconforto ou espasmo abdominal. Não há evidência de que isso cause dano, mas pode ser desagradável em estômagos com maior sensibilidade.

Mulher saudável bebendo água em cozinha ensolarada
Por que beber água gelada em jejum pode ser um erro metabólico e o que os japoneses fazem no lugar

O que a “water therapy” japonesa recomenda e por quê?

A prática conhecida como Mizu-no-ryoho recomenda beber de 4 a 5 copos de água (cerca de 160 ml cada) em temperatura ambiente ou morna logo ao acordar, antes de escovar os dentes e antes de qualquer refeição. O praticante então aguarda 45 minutos antes de comer.

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A lógica por trás disso é simples: reidratar o organismo após horas de jejum, estimular suavemente o peristaltismo intestinal antes da primeira refeição e criar uma janela de tempo que, por si só, pode reduzir a ingestão calórica ao longo do dia. O protocolo também inclui refeições com duração máxima de 15 minutos e intervalo mínimo de duas horas entre elas.

Leia também: Nutricionistas revelam por que comer dois kiwis à noite induz o sono de forma mais potente que leite quente

A água morna realmente estimula melhor a digestão?

Há suporte fisiológico plausível para essa ideia, embora as evidências clínicas robustas em humanos saudáveis ainda sejam limitadas. A água morna pode relaxar ligeiramente os músculos lisos do intestino e facilitar o trânsito, o que beneficiaria especialmente pessoas com digestão mais lenta ou tendência à constipação.

Segundo observações clínicas publicadas no PMC do National Institutes of Health, beber água em temperatura ambiente ou morna antes da refeição matinal “ativa o peristaltismo e prepara o canal alimentar para a refeição”, efeito descrito desde o início do século XX na medicina clínica. A água fria, por sua vez, pode ter o efeito oposto em pessoas com intestino mais reativo.

A água gelada realmente causa problemas metabólicos graves?

A resposta direta é: não, para a maioria das pessoas. A afirmação de que água gelada “solidifica gorduras no trato digestivo” ou causa problemas metabólicos sérios não tem respaldo científico. Estudos revisados pelo campo da fisiologia metabólica mostram que o organismo humano regula a temperatura gastrointestinal com eficiência, e a gordura da dieta não se solidifica em nenhuma temperatura que uma bebida gelada possa atingir no estômago.

O que pode acontecer com água muito fria em algumas pessoas são efeitos como:

  • Leve desconforto gástrico em pessoas com síndrome do intestino irritável ou gastrite, que têm mucosa mais sensível a variações térmicas.
  • Pequena elevação transitória da pressão arterial, documentada em estudos, irrelevante clinicamente para pessoas saudáveis.
  • Sensação de menor saciedade hídrica: água muito fria tende a ser ingerida mais rapidamente, enquanto a água em temperatura ambiente favorece a ingestão mais lenta e gradual.

Quem busca estratégias para começar o dia com o pé direito, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Dr. Fernando Lemos – Planeta Intestino, que conta com mais de 9 milhões de visualizações, onde Dr. Fernando Lemos explica a importância de beber água em jejum:

Como aplicar a hidratação matinal de forma prática?

A evidência disponível apoia uma conclusão equilibrada: beber água ao acordar é benéfico, independentemente da temperatura, porque reidrata o organismo após o jejum noturno e estimula funções digestivas. A temperatura morna ou ambiente oferece uma experiência mais suave para o trato gastrointestinal e pode facilitar a ingestão do volume recomendado.

Para quem quer adotar uma rotina simples baseada no que a ciência sustenta com mais solidez: um a dois copos de água em temperatura ambiente (entre 20°C e 30°C) imediatamente ao acordar, com pelo menos 20 a 30 minutos de intervalo antes da primeira refeição, combina hidratação eficiente com um estímulo suave ao peristaltismo sem qualquer contraindicação para adultos saudáveis. Pessoas com condições cardíacas, renais ou que tomam medicamentos devem consultar um médico antes de adotar qualquer protocolo de hidratação em volume maior que o habitual.

Tags: DigestãoHidrataçãoJejumMetabolismo
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