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Comerciante substitui o piso tátil e antiderrapante da calçada por porcelanato polido de alta rigidez, causando quedas frequentes de pedestres em dias de chuva; a prefeitura autua o estabelecimento por descumprimento das normas municipais de acessibilidade

Por Daniely Cardoso
11/08/2026
Em Notícias
Após denúncias do bairro, agentes da prefeitura inspecionaram o trecho e lavraram um auto de infração determinando a substituição do piso.

Após denúncias do bairro, agentes da prefeitura inspecionaram o trecho e lavraram um auto de infração determinando a substituição do piso.

O comerciante Mário decidiu reformar a fachada da sua loja e trocou o piso tátil por porcelanato na calçada de alta rigidez. A mudança deixou o local visualmente sofisticado, mas transformou o passeio público em uma pista escorregadia em dias chuvosos. Fiscais da prefeitura autuaram o estabelecimento por descumprimento das normas municipais de acessibilidade. A história é fictícia, mas ilustra as exigências legais do urbanismo no Brasil.

Como nasceu o projeto de Mário para a fachada da loja?

O comerciante Mário investiu uma quantia significativa na modernização do seu ponto comercial para atrair novos clientes. Ele escolheu peças finas de porcelanato polido para cobrir toda a extensão da calçada, removendo as placas amarelas de relevo.

A intenção de Mário era criar um ambiente refinado e integrado ao showroom do estabelecimento. No entanto, a alteração de pisos em áreas destinadas ao pedestre precisa respeitar as diretrizes de acessibilidade urbana, pois o espaço não é propriedade privada do lojista.

A diferença entre a reforma feita por Mário e uma pavimentação regularizada não está no valor investido, mas no cumprimento do procedimento legal.

Leia também: Morador constrói rampa de concreto na calçada para facilitar o acesso de SUV à garagem, criando um degrau de 25 cm no passeio público que provoca quedas de pedestres e impede o trânsito de cadeirantes; a prefeitura aplica multa por infração ao Código de Posturas e exige a demolição da estrutura

O que aconteceu quando a chuva atingiu a calçada de porcelanato?

Com a obra concluída, a entrada ganhou destaque no centro comercial durante os dias secos. Bastaram as primeiras tempestades de verão, contudo, para que o acabamento liso e espelhado perdesse totalmente a aderência sob os pés dos pedestres.

Quedas frequentes passaram a ser registradas em frente à vitrine, além de pessoas com deficiência visual perderem a orientação tátil da rota. Após denúncias do bairro, agentes da prefeitura inspecionaram o trecho e lavraram um auto de infração determinando a substituição do piso.

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O que a legislação brasileira diz sobre revestimentos no passeio público?

A calçada é um bem público de uso comum e sua superfície precisa garantir mobilidade segura a todos os cidadãos. A Lei 13.146/2015 estabelece que as rotas de pedestres devem ser compostas por materiais antiderrapantes e contar com sinalização tátil de alerta e direcionamento.

Os Códigos de Posturas Municipais e as normas técnicas nacionais proíbem expressamente a aplicação de cerâmicas polidas, pedras escorregadias ou superfícies vitrificadas no passeio público. O objetivo é evitar traumas físicos em transeuntes e garantir autonomia para quem utiliza bengala ou cadeira de rodas.

O objetivo é evitar traumas físicos em transeuntes e garantir autonomia para quem utiliza bengala ou cadeira de rodas.

As normas urbanas existem para limitar a estética do comércio?

A proibição de materiais espelhados no passeio público não busca limitar a liberdade arquitetônica das lojas. A legislação existe porque, sem critérios técnicos, o piso molhado transforma a rua em um ponto crítico de traumas e fraturas graves.

Quais são os requisitos técnicos para escolher o piso da calçada?

Para evitar autos de infração e processos de indenização, o comerciante deve adaptar o revestimento externo aos padrões de engenharia urbana. A escolha do piso exige um índice de atrito adequado para conter o risco de derrapagens em dias úmidos.

As regras técnicas para os pavimentos de caminhada exigem:

01
Piso antiderrapante: utilizar superfícies com alta aderência mesmo quando molhadas.
02
Piso tátil de alerta: posicionar placas relevadas para sinalizar obstáculos ou mudanças de direção.
03
Piso tátil direcional: manter a linha contínua que guia pessoas com deficiência visual.
04
Superfície contínua: evitar frestas, degraus ou desníveis entre as placas de pavimentação.

O Código Civil brasileiro estabelece no artigo 1.228 que o direito de uso do espaço deve observar a função social da propriedade e a segurança coletiva. A estética do imóvel comercial não pode se sobrepor à integridade física dos pedestres.

O que muda quando comparamos a obra de Mário com o caminho legal?

A diferença entre a reforma feita por Mário e uma pavimentação regularizada não está no valor investido, mas no cumprimento do procedimento legal.

A comparação entre a escolha do lojista e o que a lei exige fica clara na tabela:

EtapaO que Mário fezO que a lei exige
Material Escolha do revestimentoInstalou porcelanato polido lisoExige piso antiderrapante e fosco
Acessibilidade Sinalização tátilRemoveu o piso tátil existenteExige piso tátil de alerta e direcionamento
Segurança Aderência em dias úmidosGerou piso escorregadio na chuvaExige coeficiente de atrito seguro
Licenciamento Padrão municipalExecutou sem checar o Código de PosturasExige adequação à cartilha da calçada
Fiscalização Vistoria de obrasRecebeu auto de infração da prefeituraExige aprovação técnica no alvará

O que se aprende com a história de Mário?

A história de Mário é fictícia, mas a vontade de deixar a loja bonita é um desejo real de muitos empreendedores. A criatividade na apresentação do negócio não era o problema. O erro foi aplicar porcelanato na calçada ignorando as exigências de acessibilidade e segurança.

Quem realmente quer reformar a fachada comercial precisa seguir esse roteiro: consultar a cartilha de calçadas da prefeitura, contratar um arquiteto ou engenheiro habilitado e adquirir pisos antiderrapantes com sinalização tátil integrada. É um planejamento que preserva o orçamento, cumpre a lei e garante uma passagem segura para toda a população.

Tags: acessibilidadecalçadapiso tátilprefeitura
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