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Início Curiosidades

Poucas pessoas sabem o porquê do Coliseu ter só um lado ‘faltando’

Por Paulo Custodio
24/05/2026
Em Curiosidades
Por que o Coliseu Romano tem apenas um lado destruído

Por que o Coliseu Romano tem apenas um lado destruído

O Coliseu é um dos monumentos mais fotografados do mundo, mas quase ninguém para para perguntar: por que ele parece cortado ao meio? A resposta para o lado destruído do Coliseu Romano mistura um terremoto devastador, saques sistemáticos e quase 400 anos de descaso institucional.

O Coliseu sempre foi assim ou já foi completo?

Quando foi inaugurado em 80 d.C., o Coliseu era uma estrutura oval completamente fechada, com quatro andares e capacidade para até 80 mil espectadores. Os dois lados existiam, se olhavam e formavam uma arena simétrica impressionante.

O que você vê hoje é o resultado de séculos de danos acumulados. A destruição não aconteceu de uma vez. Ela foi lenta, combinada e, em boa parte, intencional.

Por que o Coliseu Romano tem apenas um lado destruído
Por que o Coliseu Romano tem apenas um lado destruído – Créditos: depositphotos.com / IgorVetushko

Foi um terremoto que destruiu aquela parte?

Sim, e esse é o ponto de virada da história. Em 1349, um terremoto de grande magnitude sacudiu Roma e derrubou boa parte da fachada sul do Coliseu. O lado norte estava sobre um terreno mais estável, o que explica por que sobreviveu com muito mais integridade.

A diferença geológica entre os dois lados é real: o norte fica sobre uma base rochosa mais sólida, enquanto o sul estava sobre sedimentos do antigo Rio Tíber, muito mais vulneráveis a tremores.

Leia também: Eles utilizam blocos ultraleves de isopor preenchidos com concreto armado para levantar paredes à prova de fogo e de vazamento térmico

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Por que as pedras caídas nunca foram recolocadas?

Porque elas sumiram. Depois do terremoto, o Coliseu virou uma pedreira oficial da cidade de Roma. Papas, nobres e construtores simplesmente retiraram os blocos de mármore e travertino para usar em outras obras.

Estima-se que cerca de 2/3 do material original do Coliseu tenha sido reaproveitado em outros prédios da cidade. Parte da Basílica de São Pedro, no Vaticano, foi construída com pedras tiradas dali.

Quanto material foi retirado ao longo dos séculos?

Os saques aconteceram de forma contínua entre os séculos XII e XVIII. Só no século XV, registros apontam a remoção de mais de 2.500 toneladas de metal dos grampos de bronze que prendiam as pedras, deixando os buracos visíveis nas paredes até hoje.

Por que o Coliseu Romano tem apenas um lado destruído
Por que o Coliseu Romano tem apenas um lado destruído

Quando alguém decidiu proteger o que sobrou?

Apenas em 1749 o papa Bento XIV declarou o Coliseu como local sagrado, em memória dos cristãos martorizados ali, e proibiu novos saques. Foi a primeira proteção oficial que o monumento recebeu em séculos.

As intervenções estruturais de reforço só começaram no século XIX, quando engenheiros italianos perceberam que o que restava corria risco de colapso. Os contrafortes de tijolo que você vê hoje foram adicionados nessa época.

O que os buracos nas paredes têm a ver com tudo isso?

Os pequenos furos regulares espalhados pelas paredes do Coliseu são outra prova dos saques. Eles marcam exatamente onde estavam os grampos de ferro e bronze que uniam os blocos de pedra.

Os principais sinais de saque visíveis hoje incluem:

  • Buracos regulares nas paredes onde havia grampos metálicos arrancados
  • Superfícies de pedra com cortes retos, indicando remoção deliberada de blocos
  • Ausência total de revestimento de mármore, que cobria toda a fachada original
  • Arcos sem o acabamento externo, expondo a estrutura de tijolo por baixo

Quem se interessa por mistérios do passado e grandes monumentos, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Estranha História, que conta com mais de 1.8 milhão de visualizações, onde Paulo Rezzutti mostra o que aconteceu com a metade perdida do Coliseu e onde encontrá-la na Itália:

O que o Coliseu seria hoje se não tivesse sido saqueado?

O Coliseu original tinha fachada revestida de mármore branco, estátuas em todos os arcos e uma cobertura retrátil chamada velarium, operada por marinheiros da Marinha Imperial Romana. Seria irreconhecível comparado ao que vemos hoje.

O que sobrou, mesmo assim, é suficiente para que a UNESCO o classifique como Patrimônio Mundial da Humanidade. O lado faltando, paradoxalmente, virou parte da identidade do monumento. Uma ruína tão famosa que ninguém mais imagina como seria vê-lo inteiro.

Tags: ArquiteturaColiseuhistóriaRoma
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