O provérbio japonês “Nana korobi ya oki” resume em uma frase o que o Japão levou séculos para construir como cultura. Por trás da máxima está o conceito de gaman, a capacidade de suportar adversidades com serenidade e dignidade que orienta gerações e molda comportamentos do cotidiano ao ambiente corporativo.
O que significa o provérbio “Nana korobi ya oki” na cultura japonesa?
A expressão pode ser traduzida como “caia sete vezes, levante oito”. É uma das máximas mais conhecidas da cultura japonesa e está presente em conversas cotidianas, ambientes de trabalho e na criação de filhos há pelo menos quatro séculos.
O número “oito” no provérbio não é literal. Ele representa a capacidade de levantar sempre uma vez a mais do que o número de quedas, o que transforma a derrota em parte inevitável do caminho, e não em seu fim.

O que é gaman e por que vai além da simples paciência?
Gaman é um conceito da filosofia japonesa traduzido como a capacidade de suportar o insuportável com serenidade e dignidade. Não é resignação passiva: é a escolha consciente de não deixar que a adversidade defina o comportamento ou a postura diante do mundo.
A diferença entre gaman e paciência comum está na camada de dignidade que o conceito carrega. Suportar em silêncio, no contexto japonês, não significa ausência de sentimento, mas recusa de deixar que a dor ou a frustração se convertam em comportamento que prejudique os outros ou a si mesmo.
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Como o gaman aparece na educação e no trabalho no Japão?
Na educação japonesa, o gaman é ensinado desde cedo como parte da formação de caráter. Crianças são incentivadas a persistir em tarefas difíceis antes de pedir ajuda e a não demonstrar frustração em público, o que treina a regulação emocional antes mesmo da adolescência.
O princípio aparece em diferentes camadas da vida japonesa. Veja as principais:
- Educação: professores permitem que alunos enfrentem dificuldades sem intervenção imediata, ensinando que o esforço tem valor independente do resultado imediato.
- Cultura corporativa: funcionários resistem a expressar insatisfação publicamente, priorizando harmonia coletiva e comprometimento de longo prazo sobre reações individuais.
- Resposta a desastres: após terremotos e tsunamis, a compostura da população japonesa diante de perdas enormes é citada mundialmente como expressão prática do gaman.
- Rituais cotidianos: filas, trânsito e adversidades menores são enfrentados com a mesma serenidade ensinada para situações de grande impacto.
O que a psicologia positiva diz sobre a resiliência japonesa?
Pesquisadores de psicologia positiva identificam o gaman como fundamento cultural da resiliência excepcional da sociedade japonesa após adversidades coletivas. A diferença em relação a outros modelos está na dimensão coletiva: a pessoa resiste não apenas por si, mas para não se tornar um peso para os que estão ao redor.
O Japão é frequentemente citado como caso de análise após o terremoto e tsunami de 2011, quando o comportamento ordeiro da população em meio a perdas devastadoras gerou cobertura e análise em publicações acadêmicas ao redor do mundo. Especialistas apontam que o gaman não elimina o sofrimento, mas impede que ele se converta em colapso coletivo.

Como o gaman e o provérbio se traduzem em atitudes práticas fora do Japão?
O gaman não exige uma cultura específica para funcionar. O que ele pede é uma escolha: a de não reagir de forma imediata a cada frustração, de não tratar cada dificuldade como injustiça pessoal e de manter a postura mesmo quando o ambiente ao redor não colabora.
O que o provérbio “Nana korobi ya oki” deixa de herança não é uma técnica, mas uma postura. Cair faz parte. Levantar é a parte que depende de você. Quem desenvolve essa capacidade com serenidade chega a lugares que a pressa e a impaciência jamais alcançariam.









