Quem toma suco de laranja na Europa ou nos Estados Unidos dificilmente imagina de onde vem a fruta. Na maior parte das vezes, ela nasceu nos pomares do interior paulista. No centro dessa região fica Araraquara, em São Paulo, cidade que abriga o principal centro de pesquisa da citricultura brasileira e a origem de uma das maiores processadoras de suco do mundo. É ali que se estudam as doenças que ameaçam os laranjais e se calcula quanto o país vai produzir a cada safra.
Por que o Brasil domina o mercado de suco de laranja?
Pelo tamanho dos pomares. Segundo reportagem do Canal Rural, dados da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) mostram que o Brasil responde por 79% do suco de laranja comercializado no mundo, ou seja, quase quatro de cada cinco copos.
A maior parte dessa produção vem de uma região específica. O Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) acompanha o cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais, considerado a principal região produtora de laranja do mundo, com milhares de propriedades que abastecem a indústria de suco.

Qual é o papel de Araraquara na citricultura?
A cidade é a sede da pesquisa. Segundo o relatório anual do Fundecitrus, a instituição é sediada em Araraquara, foi fundada em 1977 e é uma entidade privada, sem fins lucrativos, que atua como centro de referência em pesquisa sobre a saúde dos pomares, mantida por citricultores e indústrias de suco.
A indústria também tem raízes na cidade. Um estudo publicado na revista Estudos Geográficos, da Unesp, registra que a Cutrale, uma das empresas que dominam o mercado mundial de suco de laranja, mantém em Araraquara sua principal fonte de atividade. A combinação de pesquisa, indústria e pomares faz da cidade um dos centros da laranja no país.
Qual é a maior ameaça aos laranjais?
O greening. O Fundecitrus aponta o greening como a principal doença da citricultura atualmente. Causada por uma bactéria e transmitida por um pequeno inseto, o psilídeo, a doença enfraquece as árvores, deixa os frutos menores e mais amargos e não tem cura, o que obriga os produtores a controlar o inseto e a retirar as plantas doentes.
Uma das armas vem do próprio laboratório. Segundo o relatório de atividades de 2021 do Fundecitrus, a instituição produziu mais de 1,1 milhão de vespinhas da espécie Tamarixia radiata, que atacam o inseto transmissor da doença. Esse controle biológico ajuda a reduzir o uso de produtos químicos nos pomares.
O que a laranja movimenta na região?
A cadeia da fruta envolve pesquisa, campo e indústria. Estes são alguns dos elos ligados a Araraquara.
Quanto o cinturão citrícola vai produzir?
Mais de 300 milhões de caixas. Segundo o relatório anual do Fundecitrus, a Pesquisa de Estimativa de Safra calculou a produção da temporada 2025/2026 em 314,6 milhões de caixas de laranja de 40,8 quilos, um aumento de 36,2% em relação à safra anterior.
O salto mostra a recuperação dos pomares depois de um período difícil. A estimativa, divulgada todos os anos na sede do Fundecitrus em Araraquara, é acompanhada por produtores, indústrias e mercados internacionais, porque ajuda a prever quanto suco o Brasil terá para vender ao mundo.

Como é o clima de Araraquara ao longo do ano?
O verão é quente e chuvoso, e o inverno, seco. Janeiro concentra 266 mm de chuva em média, enquanto julho registra apenas 25 mm, e as máximas chegam a 30°C em setembro e outubro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma cidade no coração da laranja
Araraquara ajuda a explicar por que o suco de laranja brasileiro está presente em mesas do mundo inteiro. Na cidade ficam o centro de pesquisa que estuda as doenças dos pomares e calcula a safra e a principal operação de uma das maiores processadoras de suco do planeta. Entre laboratórios, indústrias e laranjais, Araraquara se tornou peça central de uma cadeia que leva a fruta do interior paulista para dezenas de países.
Você precisa passar por Araraquara, olhar os pomares ao redor da cidade e lembrar disso no próximo copo de suco de laranja para entender quanto o interior paulista está presente no café da manhã do mundo.




