Quem trabalhou com carteira assinada em 2024 e tem direito ao abono salarial do PIS/Pasep de 2026 tem prazo até 30 de dezembro de 2026 para sacar o dinheiro. A data foi fixada pelo Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) no calendário aprovado em 16 de dezembro de 2025 e vale para todos os lotes, do nascido em janeiro ao nascido em dezembro. Na data desta apuração, sexta, 9 de outubro de 2026, a janela que sobra é de menos de três meses.
O grupo é grande. Segundo a reportagem da Agência Brasil sobre a aprovação do calendário pelo Codefat, cerca de 26,9 milhões de pessoas podiam retirar R$ 33,5 bilhões neste ciclo. Não há número oficial de 2026, aberto até 9 de outubro, de quantos ainda não sacaram. Para quem deixar a data passar, o texto do conselho diz que “será necessário aguardar a convocação especial do Ministério do Trabalho e Emprego”. O saque sai do calendário normal e passa a depender de uma nova chamada do ministério, que não tem data marcada.

Quem tem abono salarial a receber até 30 de dezembro
O calendário de 2026 paga o trabalho feito em 2024, o chamado ano-base. Pelos critérios publicados pela Agência Brasil a partir da decisão do Codefat, tem direito quem reúne quatro condições ao mesmo tempo:
- estar inscrito no PIS ou no Pasep há pelo menos cinco anos;
- ter trabalhado com carteira assinada por no mínimo 30 dias em 2024, seguidos ou não;
- ter recebido remuneração mensal média de até R$ 2.765,93 naquele ano;
- ter tido os dados informados corretamente pelo empregador ao governo.
O PIS vale para quem trabalhava na iniciativa privada e é pago pela Caixa. O Pasep é dos servidores públicos, dos empregados de estatais e dos militares, e sai pelo Banco do Brasil. Quem não teve carteira assinada em nenhum momento de 2024 não entra neste calendário, mesmo que trabalhe com registro hoje.
Uma parte dos beneficiários já recebeu sem fazer nada. Quem tem conta corrente ou poupança na Caixa teve o crédito feito automaticamente no mês do seu lote, e o correntista do Banco do Brasil recebeu o Pasep direto na conta. Para essas pessoas, a conferência é no extrato do mês de liberação.
Como consultar e sacar antes do prazo
A consulta mostra se há direito, o valor, a data e o banco. Os canais indicados no calendário do Codefat são estes:
- Consulta: aplicativo Carteira de Trabalho Digital, Portal Emprega Brasil ou o telefone 158, do Ministério do Trabalho e Emprego.
- PIS sem conta na Caixa: o valor vai para a poupança social digital, movimentada pelo aplicativo Caixa Tem.
- PIS sem conta digital: saque com o Cartão do Cidadão e senha nos terminais de autoatendimento, nas lotéricas, nos correspondentes Caixa Aqui ou nas agências.
- Pasep sem conta no Banco do Brasil: transferência por TED para uma conta própria, nos terminais, no portal bb.com.br/pasep ou no guichê da agência, com documento oficial de identidade.
- Nome fora da lista com direito aparente: o telefone 158 e as Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego atendem o trabalhador, segundo a Tribuna de Minas.
O último item merece atenção. O abono depende do que a empresa declarou, e a Tribuna de Minas, em reportagem de 20 de setembro, lembra que esses registros hoje passam pelo eSocial: um erro ou uma omissão pode deixar fora da lista quem cumpre todos os requisitos. Descuido de empresa com obrigação trabalhista aparece com frequência no noticiário, como no caso do demitido que só soube na agência da Caixa que o fundo de garantia estava 28 meses atrasado, ou no da empresa barrada pela Justiça do Trabalho ao querer cobrar R$ 150 por um uniforme manchado.
Quanto entra por mês trabalhado em 2024
O abono não é igual para todos. Ele é proporcional aos meses de carteira assinada no ano-base, e cada mês equivale a R$ 135,08, um doze avos do salário mínimo de R$ 1.621 em 2026, segundo a Agência Brasil. Período de 15 dias ou mais dentro de um mês conta como mês cheio.
A conta é simples de refazer em casa. Quem teve carteira assinada de março a outubro de 2024 soma oito meses: 8 × R$ 135,08 dá R$ 1.080,64, valor que a tabela da Tribuna de Minas arredonda para R$ 1.081. Quem trabalhou só 20 dias em um único mês recebe um mês cheio, R$ 135,08. O salário mínimo inteiro, R$ 1.621, fica para quem passou os 12 meses de 2024 com registro.
É dinheiro ganho com trabalho de dois anos atrás, e o que ainda o separa do bolso, para muita gente, é uma consulta no celular.
O que acontece depois de 30 de dezembro
O prazo é o mesmo para todos os lotes, como mostra a tabela do Codefat publicada pela Agência Brasil: todas as linhas, de janeiro a dezembro, terminam em “30/12”. Depois disso, o saque do ano-base 2024 só volta a ser possível se o Ministério do Trabalho e Emprego fizer uma convocação especial. O ministério não anunciou data nem formato para essa chamada.
Os requisitos e o valor proporcional ficam como estão até o fim do prazo, e a liberação dos lotes já terminou em agosto. A regra para os próximos anos, no entanto, já mudou. Até 2025, tinha direito quem ganhava até dois salários mínimos. Com o pacote de corte de gastos aprovado pelo Congresso no fim de 2024, o teto de enquadramento passou a ser corrigido pela inflação, crescendo menos que o salário mínimo, até chegar em 2035 a 1,5 salário mínimo, segundo a Agência Brasil. Na prática, a tendência é de menos trabalhadores com direito a cada ciclo.
O calendário também ficou fixo. A partir de 2026, o abono passou a ser liberado no dia 15 de cada mês, de fevereiro a agosto, e o Codefat decidiu que essas datas valem de forma definitiva, sem nova aprovação a cada ano.
A diferença está no tempo que cada um teve. Para o nascido em janeiro, que entrou no primeiro lote em fevereiro, a janela passou de dez meses. Para o nascido em novembro ou dezembro, liberado em agosto, são pouco mais de quatro meses até a mesma quarta-feira, 30 de dezembro de 2026.

