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Início Notícias

Romário abriu mão do salário de senador na Copa: o valor, o período e o motivo da polêmica

Por Daniely Cardoso
21/07/2026
Em Notícias
O que fica daqui para frente é a régua. Ao transformar salário em resposta a uma crítica, Romário colocou sobre a mesa uma pergunta que vai além dele // Imagem ilustrativa

O que fica daqui para frente é a régua. Ao transformar salário em resposta a uma crítica, Romário colocou sobre a mesa uma pergunta que vai além dele // Imagem ilustrativa

CORREIO BRAZILIENSE
O que você vai ver
O montante financeiro exato que o parlamentar abriu mão durante o período de atuação no exterior.
A engrenagem burocrática necessária na administração pública para efetivar a devolução do subsídio.
A manobra regimental e a votação de peso que motivaram o senador a recusar o pedido de licença tradicional.
A proporção do custo anual de um parlamentar em comparação ao impacto financeiro simbólico da renúncia.

Um senador decidiu não receber o próprio salário por pouco mais de um mês. A cifra em jogo passa de R$ 46 mil mensais.

Romário anunciou que renunciaria aos subsídios parlamentares durante o período em que cobriu a Copa do Mundo de 2026 como comentarista. A decisão não veio sozinha: ela respondeu a uma enxurrada de críticas, e a forma como ele estruturou a renúncia explica por que não pediu licença do cargo.

O que exatamente ele abriu mão, e quando

A renúncia tem data de início e de fim. Romário informou que abriria mão dos subsídios entre 11 de junho e 19 de julho de 2026, exatamente o período em que acompanhou o Mundial nos Estados Unidos.

Não é uma devolução de “parte” do salário nem algo recorrente, mês após mês. É a renúncia integral ao subsídio de um intervalo específico, pouco mais de um mês. Fora dessa janela, a remuneração segue normal.

Renunciar ao salário no serviço público não é apertar um botão. Por isso Romário adotou um caminho formal, com dois passos.

Quanto vale o salário em questão

O número dá a dimensão do gesto. Um senador recebe atualmente R$ 46,4 mil por mês de subsídio, o mesmo valor pago a deputados federais, ministros e ministros do Supremo.

Como o período da renúncia cobre cerca de 38 dias, o valor abandonado gira em torno de um subsídio mensal cheio, mais uma fração. É esse montante que Romário se comprometeu a devolver aos cofres públicos caso fosse depositado.

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Como funciona a devolução na prática

Renunciar ao salário no serviço público não é apertar um botão. Por isso Romário adotou um caminho formal, com dois passos.

Primeiro, encaminhou um ofício à Presidência do Senado pedindo a suspensão dos pagamentos no período. Segundo, autorizou que, se algum valor caísse na conta por questão operacional, o desconto fosse feito integralmente nas remunerações seguintes, com a devolução dos recursos.

Na fala dele, registrada em pronunciamento remoto no plenário em 30 de junho, a promessa foi direta: nenhum salário recebido no período, e o que fosse pago, devolvido. É aqui que entra a parte mais debatida da história.

Raio-X da Atividade Parlamentar Remota
Entenda os limites legais, valores envolvidos e regras do sistema semipresencial
1
Subsídio de Teto
O salário mensal padrão de R$ 46,4 mil é equivalente ao teto constitucional pago a deputados federais, ministros de Estado e ministros do STF.
2
Mecanismo do Voto
A opção por não pedir licença formal de suas funções garantiu juridicamente a manutenção das prerrogativas de voto e a marcação de presença virtual.
3
Custo Estrutural
A manutenção de uma cadeira no Legislativo alcança a média anual de R$ 3,5 milhões ao erário, englobando verbas de gabinete, auxílios e equipes terceirizadas.
4
Desconto em Folha
Por entraves operacionais da máquina pública, a suspensão voluntária exige trâmites em duas etapas, gerando estornos retroativos nas remunerações subsequentes.
VER CRONOGRAMA E DETALHES DA JANELA
📋 Informações Oficiais Registradas no Senado:
• Período exato de renúncia: De 11 de junho a 19 de julho de 2026.
• Pauta legislativa prioritária citada: Votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1.
• Canal de controle público: Transparência e prestação de contas no Portal do Legislativo.
• Status do deslocamento: Viagem de caráter inteiramente particular e sem ônus financeiros à instituição.

Por que ele não pediu licença, o ponto central

A pergunta óbvia é: se não ia trabalhar em Brasília, por que não se licenciar? A resposta de Romário é o coração da polêmica.

Segundo o senador, licenciar-se o impediria de votar remotamente. E havia uma votação que ele não queria perder: a da PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6×1, matéria que declarou apoiar. Ao permanecer no exercício do mandato pelo sistema semipresencial, ele manteve o direito de registrar presença e votar de qualquer lugar.

Foi essa combinação, seguir no cargo enquanto trabalhava como comentarista da CazéTV, que gerou as críticas. A renúncia ao salário foi a forma que ele encontrou de responder a elas sem abrir mão do voto.

O contexto que o eleitor precisa para julgar

Vale separar os fatos das interpretações. A viagem foi comunicada ao Senado como deslocamento particular, sem custos para a Casa, e o senador usou o sistema de votação remota já disponível a todos os parlamentares.

De um lado, críticos questionaram a compatibilidade entre o mandato e a função de comentarista. De outro, o senador sustentou que continuou representando o Rio de Janeiro nas votações e abriu mão da remuneração do período. O comunicado oficial da assessoria do senador reforça que a decisão partiu dele próprio.

O número dá a dimensão do gesto. Um senador recebe atualmente R$ 46,4 mil por mês de subsídio, o mesmo valor pago a deputados federais, ministros e ministros do Supremo.

Para dimensionar o gesto, ajuda saber o quanto pesa cada cadeira: um deputado federal custa cerca de R$ 3,5 milhões por ano aos cofres públicos somando salário, verbas e estrutura, e todos esses gastos podem ser acompanhados no portal de transparência do Legislativo. Diante desse volume, a renúncia de pouco mais de um mês de subsídio é simbólica em valor, mas central no debate sobre o que se espera de um parlamentar.

O que fica daqui para frente é a régua. Ao transformar salário em resposta a uma crítica, Romário colocou sobre a mesa uma pergunta que vai além dele: até que ponto o eleitor aceita que um mandato conviva com outra atividade remunerada. A devolução encerra a conta financeira do episódio; o debate sobre dedicação ao cargo, esse, segue aberto. Quem quiser acompanhar carreiras públicas de perto pode começar entendendo como o próprio cidadão resolve suas obrigações com o Estado pelo celular.

Este conteúdo é informativo e busca apresentar os fatos e os diferentes pontos de vista sobre o episódio, sem defender posição político-partidária.

Tags: Copa do Mundo 2026RomárioSenadosubsídio parlamentar
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