A vitamina D participa da saúde dos ossos, do metabolismo do cálcio e do funcionamento do sistema imunológico, mas isso não significa que todas as pessoas precisem tomar suplementos. A necessidade depende de idade, alimentação, exposição solar, condições de saúde e risco de deficiência.
Por que a vitamina D é diferente de outras vitaminas
Embora seja chamada de vitamina, a vitamina D funciona no organismo como um precursor hormonal. Depois de passar por transformações no fígado e nos rins, ela participa da regulação do cálcio e do fósforo, nutrientes diretamente ligados à formação e à manutenção dos ossos.
Em entrevista ao Active Beauty, a endocrinologista Karin Amrein destaca principalmente essa relação com o metabolismo do cálcio. Deficiências graves podem prejudicar a mineralização óssea e, em crianças, provocar raquitismo; nos adultos, níveis inadequados também podem contribuir para problemas relacionados à saúde óssea.
Sol e alimentação ajudam, mas nem sempre resolvem
O organismo consegue produzir vitamina D quando a pele é exposta à radiação UVB. Alguns alimentos também fornecem o nutriente, principalmente peixes gordurosos, gema de ovo e determinados cogumelos, além de produtos fortificados em alguns países. A quantidade obtida apenas pela dieta, porém, pode ser limitada, e a produção pela pele varia conforme estação do ano, latitude, idade, pigmentação da pele e exposição ao sol.

Quanto de vitamina D é recomendado por dia
Segundo o Office of Dietary Supplements dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, a recomendação diária é de 400 UI para bebês de até 12 meses, 600 UI dos 1 aos 70 anos e 800 UI a partir dos 71 anos. Gestantes e mulheres que amamentam têm referência de 600 UI por dia nessa orientação.
Esses números representam uma referência de ingestão, e não uma prescrição individual. Pessoas diagnosticadas com deficiência ou com determinadas condições clínicas podem receber doses diferentes sob orientação profissional. Por isso, copiar a quantidade utilizada por outra pessoa ou recorrer diretamente a suplementos de alta concentração pode levar a um consumo desnecessário.
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Nem todo mundo precisa fazer exame de vitamina D
A deficiência pode ser difícil de perceber. Em quadros mais importantes podem surgir fraqueza muscular, dores ou alterações ósseas, mas muitas pessoas não apresentam sintomas específicos. Quando há indicação médica, o exame utilizado normalmente mede a concentração sanguínea de 25-hidroxivitamina D, também chamada de 25(OH)D.
Um ponto merece atenção: não existe hoje um único valor considerado “ideal” para todas as pessoas e para todos os possíveis benefícios atribuídos à vitamina D. A diretriz de 2024 da Endocrine Society afirma que os ensaios clínicos não estabeleceram níveis sanguíneos específicos capazes de garantir determinados resultados de saúde em adultos saudáveis.
Por esse motivo, a entidade recomenda contra o rastreamento de rotina com exames de vitamina D em adultos saudáveis sem outra indicação clínica. Isso não significa que o teste não tenha utilidade: ele continua podendo ser solicitado quando existe suspeita de deficiência, alterações do metabolismo do cálcio, doenças que interferem na absorção ou outras razões médicas.
Suplemento não funciona como proteção automática contra doenças
A vitamina D está envolvida no funcionamento do sistema imunológico, mas tomar doses extras não equivale a criar uma proteção geral contra infecções, câncer ou outras doenças. A própria Endocrine Society recomenda que adultos saudáveis com menos de 75 anos, em geral, não utilizem doses empíricas acima das necessidades nutricionais apenas com o objetivo de prevenir doenças.

Quem deve ter mais cuidado com deficiência e excesso
Algumas situações merecem avaliação individual, como pouca exposição solar, doenças que comprometem a absorção intestinal, idade avançada e uso de determinados medicamentos. A diretriz da Endocrine Society também apresenta recomendações específicas para grupos como pessoas acima de 75 anos, gestantes e adultos com prediabetes de alto risco, mostrando que a decisão não é igual para toda a população.
Também é possível consumir vitamina D em excesso, principalmente por suplementos. O NIH estabelece para adultos um limite superior de ingestão de 4.000 UI por dia a partir de todas as fontes, embora médicos possam prescrever temporariamente quantidades maiores para tratar situações específicas. Doses muito elevadas podem aumentar o cálcio no sangue e provocar náuseas, fraqueza, confusão, cálculos renais e, em casos extremos, lesão renal.
O que fazer antes de começar a tomar vitamina D
Para quem é saudável, o primeiro passo é verificar se existe uma indicação real para suplementação em vez de escolher uma dose por conta própria. Idade, alimentação, doenças, medicamentos e exposição solar mudam essa decisão, e um exame também não precisa ser realizado automaticamente apenas para definir uma meta numérica.
Quem já apresenta deficiência confirmada, usa medicamentos que interferem no metabolismo da vitamina D ou pertence a um grupo que exige acompanhamento deve discutir a dose adequada com um profissional de saúde. Suplementos podem ser úteis quando há indicação, mas não substituem alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e os demais cuidados que sustentam a saúde a longo prazo.




