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Início Curiosidades

Terceira tábua indecifrável de 4 mil anos aparece em assentamento pré-histórico na Itália

Por Bruno Vaz
23/08/2026
Em Curiosidades
tábua de Lucone

O novo objeto estava inteiro em uma camada arqueológica chamada US 1015, marcada pela grande presença de carvão.

Os arqueólogos continuam encontrando pequenas peças marcadas em Lucone, mas ninguém consegue explicar para que serviam. A nova tábua de Lucone, com cerca de 4 mil anos, é a terceira do Sítio D e a 21ª achada na região. O mais estranho é que os símbolos parecem seguir uma lógica que se perdeu no tempo.

A nova peça saiu de uma camada cheia de carvão

A tábua apareceu durante a terceira semana da campanha de escavações de 2026 em Lucone di Polpenazze, perto do Lago de Garda, no norte da Itália. O local é pesquisado há décadas, e uma peça anterior do Sítio D catalogada pelo patrimônio cultural da Lombardia foi datada entre aproximadamente 1969 e 1900 a.C.

O novo objeto estava inteiro em uma camada arqueológica chamada US 1015, marcada pela grande presença de carvão. É a primeira tábua desse tipo encontrada em Lucone desde 2019 e apenas a terceira recuperada especificamente no Sítio D. Só que o número mais interessante aparece quando os arqueólogos olham para toda a antiga planície.

tábua de Lucone
Os arqueólogos continuam encontrando pequenas peças marcadas em Lucone, mas ninguém consegue explicar para que serviam.

Lucone já entregou 21 dessas tábuas estranhas

Com a descoberta de 2026, o total de chamadas tavolette enigmatiche encontradas na área de Lucone chegou a 21. Nenhum outro sítio conhecido reuniu tantas peças desse grupo, o que transforma o assentamento em um ponto importante para tentar entender por que comunidades da Idade do Bronze produziam esses objetos.

O detalhe é que “tábua indecifrável” pode dar uma impressão errada. Não existe prova de que os sinais formem frases ou pertençam a um sistema de escrita como o das tabuletas mesopotâmicas. Os arqueólogos conseguem reconhecer padrões, linhas e impressões, mas ainda não sabem o que eles registravam.

Arqueologia • Planície de Lucone Nova Descoberta Arqueológica Achado inédito preservado durante a campanha de escavações
📍
3ª Peça no Sítio D O achado representa o terceiro exemplar desse tipo catalogado especificamente na área do Sítio D.
🏺
21ª Peça em Lucone Trata-se do vigésimo primeiro artefato documentado em toda a extensão da planície.
✨
Encontrada Inteira Resgatada em estado completo de conservação durante os trabalhos da campanha de 2026.
🗺️
Presença na Europa Central Artefatos com características semelhantes também são identificados em outras regiões europeias.
🏛️ Arqueologia Pré-Histórica • Patrimônio Cultural

Os símbolos parecem organizados demais para serem decoração

As tábuas enigmáticas costumam ser pequenas e feitas de terracota, embora existam exemplares de pedra. Muitas apresentam linhas incisas atravessando a superfície, acompanhadas por círculos, retângulos, cruzes, pontos e outras impressões geométricas colocadas em sequências aparentemente planejadas.

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Uma peça antiga de Lucone, por exemplo, possui oito linhas transversais e pequenos retângulos preenchidos por traços verticais. Outra do próprio Sítio D tem formato elipsoidal, linhas horizontais e impressões circulares. A repetição de certos elementos mostra que não eram rabiscos aleatórios, mas isso ainda não entrega a chave do código.

Leia também: Uma descoberta de 1200 anos revela o motivo real para o desaparecimento dos maias

Calendário comércio ou amuleto continuam na lista

As interpretações propostas ao longo dos anos são bem diferentes. Alguns pesquisadores já discutiram a possibilidade de as peças terem funcionado como formas de registro ou comunicação, enquanto outras hipóteses envolvem comércio, contagem, atividades ligadas à metalurgia, calendários ou até objetos com função ritual.

  1. Os sinais podem ter registrado quantidades ou trocas.
  2. As peças talvez ajudassem em alguma atividade artesanal.
  3. Os desenhos podem ter identificado grupos ou produtos.
  4. Uma função simbólica ou religiosa também não foi descartada.

Mas cuidado: nenhuma dessas explicações venceu a disputa. Estudos sobre as tábuas destacam que nem sequer sabemos se o conjunto de sinais conhecido está completo ou se cada comunidade adaptava os símbolos às próprias necessidades. Uma nova peça, portanto, pode complicar a história em vez de resolvê-la.

tábua de Lucone
Com a descoberta de 2026, o total de chamadas tavolette enigmatiche encontradas na área de Lucone chegou a 21.

O assentamento fazia parte de uma Europa conectada

Lucone não era uma aldeia isolada em um canto qualquer. A ocupação da região atravessou diferentes fases, com assentamentos em ambiente úmido durante a Idade do Bronze, e o sítio hoje integra o conjunto das habitações pré-históricas sobre estacas reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco.

A lista internacional reúne 111 sítios arqueológicos em seis países ao redor dos Alpes, incluindo Lucone. Esses locais preservaram madeira, ferramentas, recipientes e outros vestígios que ajudam a reconstruir redes de comércio e a vida de antigas comunidades agrícolas. É nesse cenário de contatos entre regiões que a repetição de sinais nas tábuas fica ainda mais intrigante.

O próximo passo é procurar sinais que se repetem

A nova peça precisa ser comparada em detalhe com as outras 20 encontradas em Lucone e com exemplares de outros sítios europeus. Posição dos símbolos, ordem das marcas, material e contexto arqueológico podem mostrar se existe uma estrutura repetida por trás dos desenhos.

Por enquanto, chamar esses sinais de escrita seria ir além das evidências. O dado concreto é mais curioso: há cerca de 4 mil anos, pessoas gravavam sequências deliberadas em pequenos objetos e repetiram esse costume muitas vezes em Lucone. O motivo continua sem tradução.

Tags: arqueologiaBronzehistóriaItália
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