Os arqueólogos continuam encontrando pequenas peças marcadas em Lucone, mas ninguém consegue explicar para que serviam. A nova tábua de Lucone, com cerca de 4 mil anos, é a terceira do Sítio D e a 21ª achada na região. O mais estranho é que os símbolos parecem seguir uma lógica que se perdeu no tempo.
A nova peça saiu de uma camada cheia de carvão
A tábua apareceu durante a terceira semana da campanha de escavações de 2026 em Lucone di Polpenazze, perto do Lago de Garda, no norte da Itália. O local é pesquisado há décadas, e uma peça anterior do Sítio D catalogada pelo patrimônio cultural da Lombardia foi datada entre aproximadamente 1969 e 1900 a.C.
O novo objeto estava inteiro em uma camada arqueológica chamada US 1015, marcada pela grande presença de carvão. É a primeira tábua desse tipo encontrada em Lucone desde 2019 e apenas a terceira recuperada especificamente no Sítio D. Só que o número mais interessante aparece quando os arqueólogos olham para toda a antiga planície.

Lucone já entregou 21 dessas tábuas estranhas
Com a descoberta de 2026, o total de chamadas tavolette enigmatiche encontradas na área de Lucone chegou a 21. Nenhum outro sítio conhecido reuniu tantas peças desse grupo, o que transforma o assentamento em um ponto importante para tentar entender por que comunidades da Idade do Bronze produziam esses objetos.
O detalhe é que “tábua indecifrável” pode dar uma impressão errada. Não existe prova de que os sinais formem frases ou pertençam a um sistema de escrita como o das tabuletas mesopotâmicas. Os arqueólogos conseguem reconhecer padrões, linhas e impressões, mas ainda não sabem o que eles registravam.
Os símbolos parecem organizados demais para serem decoração
As tábuas enigmáticas costumam ser pequenas e feitas de terracota, embora existam exemplares de pedra. Muitas apresentam linhas incisas atravessando a superfície, acompanhadas por círculos, retângulos, cruzes, pontos e outras impressões geométricas colocadas em sequências aparentemente planejadas.
Uma peça antiga de Lucone, por exemplo, possui oito linhas transversais e pequenos retângulos preenchidos por traços verticais. Outra do próprio Sítio D tem formato elipsoidal, linhas horizontais e impressões circulares. A repetição de certos elementos mostra que não eram rabiscos aleatórios, mas isso ainda não entrega a chave do código.
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Calendário comércio ou amuleto continuam na lista
As interpretações propostas ao longo dos anos são bem diferentes. Alguns pesquisadores já discutiram a possibilidade de as peças terem funcionado como formas de registro ou comunicação, enquanto outras hipóteses envolvem comércio, contagem, atividades ligadas à metalurgia, calendários ou até objetos com função ritual.
- Os sinais podem ter registrado quantidades ou trocas.
- As peças talvez ajudassem em alguma atividade artesanal.
- Os desenhos podem ter identificado grupos ou produtos.
- Uma função simbólica ou religiosa também não foi descartada.
Mas cuidado: nenhuma dessas explicações venceu a disputa. Estudos sobre as tábuas destacam que nem sequer sabemos se o conjunto de sinais conhecido está completo ou se cada comunidade adaptava os símbolos às próprias necessidades. Uma nova peça, portanto, pode complicar a história em vez de resolvê-la.

O assentamento fazia parte de uma Europa conectada
Lucone não era uma aldeia isolada em um canto qualquer. A ocupação da região atravessou diferentes fases, com assentamentos em ambiente úmido durante a Idade do Bronze, e o sítio hoje integra o conjunto das habitações pré-históricas sobre estacas reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco.
A lista internacional reúne 111 sítios arqueológicos em seis países ao redor dos Alpes, incluindo Lucone. Esses locais preservaram madeira, ferramentas, recipientes e outros vestígios que ajudam a reconstruir redes de comércio e a vida de antigas comunidades agrícolas. É nesse cenário de contatos entre regiões que a repetição de sinais nas tábuas fica ainda mais intrigante.
O próximo passo é procurar sinais que se repetem
A nova peça precisa ser comparada em detalhe com as outras 20 encontradas em Lucone e com exemplares de outros sítios europeus. Posição dos símbolos, ordem das marcas, material e contexto arqueológico podem mostrar se existe uma estrutura repetida por trás dos desenhos.
Por enquanto, chamar esses sinais de escrita seria ir além das evidências. O dado concreto é mais curioso: há cerca de 4 mil anos, pessoas gravavam sequências deliberadas em pequenos objetos e repetiram esse costume muitas vezes em Lucone. O motivo continua sem tradução.




