O presenteísmo, caracterizado pela prática de trabalhar mesmo estando doente, tem se tornado um fenômeno recorrente em diversos setores. Movido por medo de demissão, insegurança financeira ou pressão por resultados, esse comportamento transforma o local de trabalho em um ambiente de risco tanto para a saúde do indivíduo quanto para a produtividade da empresa.
O que leva ao presenteísmo nos ambientes de trabalho?
O presenteísmo é alimentado por uma cultura corporativa que muitas vezes considera faltas como sinal de fraqueza ou falta de comprometimento. Medo de perder o emprego, insegurança quanto à estabilidade financeira e metas agressivas fazem com que muitos ignorem sintomas físicos e emocionais.
Esse cenário se agrava em empresas com políticas frágeis de apoio à saúde mental e física, além da falta de informação sobre direitos trabalhistas. A ausência de diálogo aberto sobre adoecimento, uso de atestados médicos e apoio psicológico reforça a ideia de que “estar presente” é mais importante do que estar saudável.
Quais são os impactos do presenteísmo na saúde do trabalhador?
Quando o funcionário trabalha com a saúde comprometida, aumenta o risco de agravamento de doenças físicas e emocionais. Uma gripe simples pode evoluir para quadros mais sérios, enquanto ansiedade e depressão tendem a se intensificar sem o devido acompanhamento.
A falta de repouso adequado, somada à ausência de cuidados médicos, retarda a recuperação e favorece erros, queda de produtividade e maior probabilidade de acidentes. A longo prazo, isso contribui para afastamentos prolongados, uso contínuo de medicações e prejuízos ao bem-estar geral e à qualidade do sono.

Como o presenteísmo afeta a produtividade e os resultados das empresas?
Para as organizações, o presenteísmo resulta em perda de produtividade, aumento de retrabalho e desperdício de recursos. Funcionários doentes tendem a produzir menos, errar mais e exigir mais tempo para cumprir as mesmas tarefas, elevando custos operacionais diretos e indiretos.
Esse quadro também provoca queda de competitividade, pois o moral da equipe diminui e a eficácia operacional é comprometida. Atrasos em entregas, falhas em serviços, queda na satisfação do cliente e maior risco de acidentes, especialmente em atividades que exigem vigilância constante, tornam-se mais frequentes.
Quais medidas podem reduzir o presenteísmo nas empresas?
A legislação trabalhista brasileira oferece salvaguardas de proteção ao trabalhador, mas sua eficácia depende da cultura organizacional. Para reduzir o presenteísmo, as empresas precisam adotar práticas que incentivem o cuidado com a saúde física e mental e valorizem a recuperação adequada.
Entre as principais ações preventivas e de apoio à saúde do trabalhador, destacam-se:
💼✨ Boas práticas para saúde e bem-estar no trabalho
| Ação |
|---|
| Implementar programas de promoção à saúde e prevenção de doenças, com foco físico e emocional. |
| Estabelecer políticas claras para gestão de atestados médicos, sem punições veladas. |
| Treinar líderes para identificar sinais de sobrecarga, estresse e adoecimento mental. |
| Oferecer flexibilização de jornada, teletrabalho quando possível e incentivo à busca de assistência médica. |
| Comunicar de forma transparente os direitos trabalhistas e canais de apoio psicológico. |
💡 Dica: Pequenas mudanças estruturais podem gerar grande impacto na saúde e produtividade da equipe.
Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes
CRM-GO 33.271










