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Início Notícias

Filho tenta transferir imóvel com procuração antiga da mãe e Justiça anula escritura de R$ 450 mil

Por Daniely Cardoso
02/09/2026
Em Notícias
Aproveitando-se do documento concedido no passado, ele procurou um tabelionato para lavrar a escritura pública do imóvel de R$ 450 mil.

Aproveitando-se do documento concedido no passado, ele procurou um tabelionato para lavrar a escritura pública do imóvel de R$ 450 mil.

Para garantir a posse exclusiva de uma residência de R$ 450 mil, Eduardo tentou transferir imóvel com procuração antiga de sua mãe com demência avançada. Ele lavrou uma escritura de venda sem a concordância dos irmãos. Após o falecimento da matriarca, os outros herdeiros anularam a transação na Justiça. O caso é fictício, mas retrata uma fraude comum na sucessão brasileira.

Na prática
Situação O que muda
Uso de procuração antiga após o mandante perder a lucidez e capacidade civil A legislação prevê a perda de validade dos poderes e a nulidade absoluta do negócio jurídico celebrado por pessoa incapaz.
Venda de imóvel entre pais e filhos sem a concordância expressa dos demais herdeiros A regra legal torna a transação anulável caso não haja a anuência expressa e por escrito de todos os irmãos e do cônjuge.
Simulação de compra e venda sem efetivo pagamento ou comprovação financeira O entendimento jurisprudencial considera o ato fraudulento contra a legítima sucessória, ensejando a anulação da transferência e o retorno do bem ao espólio.
Administração e alienação de patrimônio de pessoa idosa com incapacidade civil O procedimento legal exige processo formal de curatela e autorização judicial prévia para a realização de atos de disposição patrimonial.
Base Legal: Arts. 166 e 496 do Código Civil (Lei 10.406/2002) e jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A aplicação da legislação pode variar conforme os fatos específicos e provas de cada caso concreto.

Como começou a transferência da casa de Dona Helena?

Durante anos, Eduardo cuidou da rotina da mãe idosa, que gradualmente perdeu o discernimento por conta de uma doença degenerativa. Aproveitando-se do documento concedido no passado, ele procurou um tabelionato para lavrar a escritura pública do imóvel de R$ 450 mil.

A negociação simulava uma compra e venda regular diretamente entre mãe e filho, sem qualquer repasse financeiro real. A intenção de Eduardo era assegurar a propriedade exclusiva antes da abertura do inventário, excluindo os demais parentes da divisão legítima.

A intenção de Eduardo era assegurar a propriedade exclusiva antes da abertura do inventário, excluindo os demais parentes da divisão legítima.

Leia também: Família herda fazenda de 400 hectares avaliada em R$ 8 milhões, mas descobre que parte da propriedade está comprometida por dívidas deixadas pelo antigo dono e enfrenta risco de venda judicial

O que os irmãos descobriram após a morte da matriarca?

O falecimento da idosa reuniu a família para dar início aos trâmites da partilha patrimonial. Ao solicitarem a certidão atualizada da residência no Cartório de Registro de Imóveis, os outros filhos foram surpreendidos ao constatar a titularidade alterada em favor do irmão.

A descoberta revelou que o negócio ocorreu quando a mãe já não possuía capacidade de compreender seus atos civis. Sem hesitar, os herdeiros prejudicados acionaram o Poder Judiciário para reverter a manobra e reintegrar a casa ao espólio comum.

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O que o Código Civil estabelece sobre a nulidade do negócio?

A lei brasileira é rigorosa ao proteger a manifestação legítima de vontade nos contratos imobiliários. O artigo 166 do Código Civil prevê a nulidade absoluta do negócio jurídico quando praticado por pessoa incapaz ou com o objetivo de fraudar lei imperativa.

Quando a procuração é exercida após o mandante perder a lucidez, ocorre a perda de validade dos poderes conferidos. Por caracterizar vício de consentimento, o ato jurídico não gera efeitos válidos e deve ser desfeito judicialmente desde a sua origem.

Além da incapacidade mental da proprietária, a transferência violou regras básicas da transmissão patrimonial em vida.

Por que a legislação anula atos praticados com procuração antiga?

O ordenamento jurídico existe para proteger a integridade de pessoas vulneráveis e evitar o enriquecimento sem causa. Mandatos antigos não podem ser transformados em instrumentos para dilapidar o patrimônio de idosos que perderam a capacidade de autodefesa.

A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento de que vendas simuladas entre familiares configuram fraude contra a herança. As normas impedem que herdeiros cuidadores utilizem a confiança familiar para anular o direito sucessório dos demais.

Quais são as regras para venda de imóvel entre pais e filhos?

Além da incapacidade mental da proprietária, a transferência violou regras básicas da transmissão patrimonial em vida. O artigo 496 do Código Civil torna anulável a venda entre ascendente e descendente sem a concordância expressa de todos os outros herdeiros.

Para evitar fraudes e prejuízos aos sucessores legais, as normas patrimoniais estabelecem critérios obrigatórios:

01
Anuência formal: todos os irmãos e o cônjuge precisam autorizar a venda por escrito.
02
Preço de mercado: a transação exige pagamento real e comprovado por meio de extratos bancários.
03
Capacidade civil plena: o alienante deve estar lúcido e plenamente consciente durante o ato.
04
Avaliação médica: a interdição prévia com curatela impede procurações antigas de terem validade.

O que muda quando comparamos a conduta de Eduardo com o caminho legal?

A diferença entre a atitude de Eduardo e a regularização formal não está no cuidado dedicado à mãe, mas no processo. Administrar os bens de um parente vulnerável exige transparência e autorização judicial prévia.

A comparação entre o caminho que Eduardo seguiu e o que a lei pede fica clara na tabela:

EtapaO que Eduardo fezO que a lei exige
Representação Gestão da idosaUsou procuração antiga sem validadeExige processo formal de curatela
Escritura Venda do imóvelSimulou compra e venda sem pagamentoRequer autorização judicial e pagamento real
Anuência Concordância familiarOmitiu a transação dos irmãosObriga consentimento formal de todos
Destinação Partilha de bensApropriou-se do bem antes do inventárioDetermina divisão igualitária da herança

O que se aprende com a história de Eduardo?

A história de Eduardo é fictícia, mas retrata um conflito recorrente nas famílias brasileiras. O esforço dele em cuidar da genitora não era o problema. O erro foi usar atalhos ilegais para transferir o imóvel e ignorar a proteção sucessória dos irmãos.

Quem realmente quer regularizar bens de familiares vulneráveis precisa seguir esse roteiro: ingressar com a ação de curatela para nomeação de curador oficial, prestar contas perante o juiz e solicitar alvará para qualquer alienação imobiliária. É mais burocrático do que usar procurações antigas, mas separa a segurança jurídica da anulação por fraude.

Tags: herançaimóvelinventárioprocuração
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