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Início Entretenimento

Em 1977, um bloco de gelo com mais de uma tonelada foi levado do Alasca para Iowa para estudar se os icebergs poderiam se tornar uma fonte de água doce.

Por Bruno Vaz
20/09/2026
Em Entretenimento
transporte de icebergs

E havia uma diferença enorme entre transportar aquele bloco demonstrativo e movimentar um iceberg capaz de abastecer uma região inteira.

Em 1977, um bloco de gelo de 1.133 quilos saiu do Alasca e percorreu milhares de quilômetros até Ames, no estado de Iowa, nos Estados Unidos. A operação fazia parte de uma tentativa real de entender se grandes massas de gelo poderiam ajudar regiões com escassez de água doce.

O gelo saiu do Alasca e chegou de avião e caminhão

O bloco pesava cerca de 2.500 libras, o equivalente a 1.133 quilos, e veio da região do Portage, próxima a Anchorage, no Alasca. Segundo o Environment & Society Portal, ele media aproximadamente 1,8 metro por 1,5 metro por 1,2 metro e foi envolvido em material isolante e gelo seco para suportar a viagem.

A logística envolveu mergulhadores, helicóptero, avião e um caminhão refrigerado. Depois de retirado no Alasca, o gelo seguiu por via aérea e terrestre até Ames, onde foi colocado em uma câmara fria da Iowa State University para permanecer conservado durante o encontro científico.

A viagem fazia parte de uma conferência sobre água doce

O transporte não foi apenas uma curiosidade. Ames recebeu, entre 2 e 6 de outubro de 1977, a Primeira Conferência Internacional e Workshops sobre Utilização de Icebergs, organizada para discutir como essas enormes massas de gelo poderiam ser aproveitadas para produção de água doce e outras aplicações.

Os arquivos da Iowa State University registram a participação de aproximadamente 175 cientistas de várias partes do mundo. Entre os temas estavam transporte, seleção de icebergs, efeitos ambientais, questões políticas e a própria viabilidade de usar o gelo polar como fonte de abastecimento.

transporte de icebergs
Em 1977, um bloco de gelo de 1.133 quilos saiu do Alasca e percorreu milhares de quilômetros até Ames, no estado de Iowa, nos Estados Unidos.

Arábia Saudita tinha interesse direto na proposta

Um dos principais nomes ligados ao encontro era o príncipe Mohammed Al-Faisal, da Arábia Saudita. Segundo os registros da universidade, ele presidia a Iceberg Transport International e demonstrava interesse em levar gelo para sua região como uma possível resposta à falta de água em áreas áridas.

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Al-Faisal contribuiu com US$ 50 mil para a conferência, enquanto a National Science Foundation destinou outros US$ 25 mil, conforme a documentação da Iowa State University. Na época, o objetivo saudita incluía estudar formas alternativas de abastecimento em paralelo aos programas de dessalinização da água.

A ideia de rebocar icebergs, porém, já existia antes do encontro de Iowa. Um estudo publicado no Journal of Glaciology analisava questões como localização de grandes icebergs, transporte e disponibilidade de gelo, mostrando que o assunto era levado a sério por pesquisadores especializados.

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Transportar pouco mais de uma tonelada já custou milhares de dólares

A experiência também mostrou o tamanho do desafio econômico. O Environment & Society Portal informa que levar o bloco de 2.500 libras até Iowa custou aproximadamente US$ 8.500 em 1977. Uma reportagem publicada pelo Washington Post naquele período estimou o gasto em um valor próximo de US$ 10 mil, por isso as fontes históricas não apresentam uma cifra única.

E havia uma diferença enorme entre transportar aquele bloco demonstrativo e movimentar um iceberg capaz de abastecer uma região inteira. Em escala maior, seria necessário controlar derretimento, estabilidade e isolamento térmico durante trajetos muito mais longos, inclusive por águas de temperaturas diferentes.

Por que a ideia não virou uma fonte comum de água

A conferência de 1977 não comprovou que rebocar icebergs fosse uma solução comercialmente viável em grande escala. Pesquisas posteriores continuaram avaliando o derretimento e outros obstáculos, mas a proposta permaneceu principalmente como um campo de estudo, e não como um sistema regular de fornecimento de água.

Os próprios arquivos da Iowa State University mostram que o interesse dos principais organizadores diminuiu nos anos seguintes e que, em 1982, o envolvimento de Al-Faisal e do organizador Abdelfattah Husseiny havia terminado. O bloco levado do Alasca a Iowa acabou se tornando um registro concreto de uma época em que cientistas testavam até soluções aparentemente improváveis diante de um problema que continua atual: a disponibilidade de água doce.

Hoje, o episódio serve principalmente para mostrar a distância entre provar que algo pode ser transportado e transformá-lo em uma solução prática. Levar pouco mais de uma tonelada de gelo por milhares de quilômetros foi possível; fazer isso com icebergs gigantes, de maneira econômica e com perdas controladas, continuou sendo o verdadeiro desafio.

Tags: ciêncialogísticameio ambienterecursos hídricos
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