Para enxergar o que existe dentro de uma célula, de uma rocha ou de um vírus, os microscópios comuns não bastam. É preciso uma luz muito mais potente. Em Campinas, no interior de São Paulo, o Brasil construiu uma máquina capaz de produzir essa luz: o Sirius, um acelerador de partículas do tamanho de um estádio de futebol. Inaugurado em 2018, ele é a maior infraestrutura científica construída no país e ajudou a estudar o vírus da covid-19.
O que é o Sirius?
Uma fonte de luz síncrotron de quarta geração. Segundo um artigo publicado na Revista Brasileira de Ensino de Física, o Sirius é o único acelerador de partículas de quarta geração do Hemisfério Sul, inaugurado em 2018 no campus do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas. O equipamento acelera elétrons com energia de 3 GeV e tem 518,4 metros de circunferência.
O tamanho impressiona. Segundo o CNPEM, o acelerador fica abrigado em um prédio de 68 mil metros quadrados e tem formato que lembra um estádio de futebol. O anel principal tem mais de mil ímãs, que usam campos magnéticos para acelerar os elétrons a uma velocidade próxima à da luz.

Para que serve a luz síncrotron?
Para ver o que o olho não alcança. Segundo reportagem reproduzida pelo CNPEM, a luz do Sirius funciona como um raio X poderosíssimo, capaz de analisar rapidamente a estrutura interna de materiais orgânicos e inorgânicos. O feixe que chega às pesquisas é 35 vezes mais fino que um fio de cabelo.
A máquina entrou em ação em um momento crítico. O Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), que opera o Sirius, registra que o equipamento foi aberto para pesquisas em 2020 e ajudou pesquisadores a determinar rapidamente a estrutura de proteínas do vírus SARS-CoV-2, causador da covid-19. A primeira estação de pesquisa, chamada Manacá, foi usada em caráter emergencial nesses estudos.
Como funciona o Sirius, passo a passo?
O Sirius reúne três aceleradores e várias estações de pesquisa. Estes são os principais componentes, segundo o CNPEM.
O que vem pela frente?
Mais estações de pesquisa. Segundo uma entrevista publicada pelo CNPEM, o Sirius é uma evolução do UVX, a primeira fonte de luz síncrotron da América do Sul, que funcionou em Campinas a partir de 1997, e poderá ter até 40 linhas de luz. O LNLS informa que a próxima fase inclui uma linha que será a primeira do mundo a fazer um tipo de análise com ondas de terahertz em uma fonte de quarta geração.
O campus também terá um laboratório inédito. O LNLS registra que o Brasil está construindo em Campinas o Orion, o primeiro laboratório de nível máximo de biossegurança da América Latina, que permitirá estudar com segurança os vírus mais perigosos do mundo, usando a luz síncrotron. Para a ciência brasileira, Campinas virou um dos principais endereços de pesquisa avançada do país.

Como é o clima de Campinas ao longo do ano?
O verão é chuvoso, e o inverno, seco e ameno. Janeiro concentra 261 mm de chuva em média, enquanto agosto registra 36 mm, e julho tem mínima de 12°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma luz brasileira para enxergar o invisível
O Sirius mostra que o Brasil também está na fronteira da ciência mundial. Em Campinas, um anel de mais de 500 metros acelera elétrons e produz uma luz capaz de revelar estruturas de vírus, plantas e materiais em detalhes que nenhum microscópio comum alcança. Da covid-19 aos laboratórios do futuro, essa máquina ajuda a responder perguntas que interessam ao mundo inteiro.
Você precisa conhecer a história do Sirius e acompanhar as descobertas feitas em Campinas para entender por que essa cidade paulista virou um dos endereços mais importantes da ciência brasileira.




