Dunas parecem imóveis nas fotografias, mas caminham com o vento, grão por grão. Em Genipabu, no município de Extremoz, a areia avançou cerca de 50 m sobre as margens da lagoa local em menos de quatro décadas, prova de que a paisagem nunca é a mesma de uma visita para outra. A poucos quilômetros de Natal, esse campo de areia só se tornou área protegida depois de uma interdição federal, em dezembro de 1994.
Por que as dunas de Genipabu viraram área de proteção ambiental?
Porque o turismo chegou antes das regras. Segundo o Plano de Manejo elaborado pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), os passeios de buggy surgiram na década de 1980 como diversão de quem tinha o veículo e, no fim daquela década, estavam entre os grandes atrativos do Rio Grande do Norte.
Disputas sobre o uso das areias e a falta de um estudo ambiental levaram o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a interditar as dunas em dezembro de 1994. A saída do governo estadual foi criar a Área de Proteção Ambiental Jenipabu, pelo Decreto nº 12.620, de 17 de maio de 1995. É uma unidade de uso sustentável, categoria que admite visitação e atividades econômicas desde que compatíveis com a conservação.

O que faz a Lagoa de Genipabu mudar de forma?
O vento. A lagoa é abastecida pelas águas que brotam do aquífero Dunas, reserva subterrânea acumulada sob a areia, e recebe de frente os sedimentos carregados por três corredores de vento que cruzam o campo dunar, do mar para o continente.
Comparando fotografias aéreas de 1970 e 2006, um estudo reproduzido no plano do Idema mediu um avanço de cerca de 50 m da areia sobre as margens sul e leste, enquanto a margem oeste ficou praticamente parada. A área protegida soma cerca de 1.739 hectares, quase todos em Extremoz, e suas dunas fixas, aquelas seguradas pela vegetação, passam de 40 m de altura e abrigam até cajueiros.
O que fazer em Genipabu além do passeio de buggy?
O roteiro vai da água doce ao manguezal, com programas que cabem numa manhã ou num dia inteiro. Alguns dos mais procurados:
Como funciona o passeio de buggy em Genipabu?
O serviço é concedido pelo Estado e só pode ser feito por condutores autorizados. A Lei Estadual nº 8.817, de 2006, regulamenta o buggy-turismo como permissão pública e exige certificado de curso de formação dos bugueiros. Por isso, vale conferir se o veículo exibe identificação de credenciado antes de fechar o passeio.
Em 2017, a atividade virou Patrimônio Cultural Imaterial do estado, conforme artigo publicado na Revista Brasileira de Ecoturismo. Carros particulares, quadriciclos e motos, por outro lado, não podem entrar no campo de dunas, restrição prevista no Decreto nº 19.346 e na Lei Estadual nº 9.254, com multas que chegam a R$ 10 mil.

Qual a melhor época para visitar Genipabu?
Em Genipabu, quem define o calendário é a chuva, não o termômetro: as médias variam apenas entre 23°C e 28°C ao longo do ano. Abril é o mês mais chuvoso, com 187 mm, enquanto outubro registra só 34 mm, contraste que favorece os passeios entre setembro e fevereiro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Genipabu saindo de Natal?
O caminho mais usado cruza o Rio Potengi pela Ponte Newton Navarro, inaugurada em 2007, e segue pelas rodovias RN-303 ou RN-304 até a vila. O trajeto fica entre 20 km e 25 km, conforme o ponto de partida na capital, e pode ser feito de carro, com agências ou com bugueiros que buscam os visitantes nos hotéis.
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Um deserto em movimento à beira do Atlântico
Genipabu é uma paisagem que nunca fica parada. O vento redesenha as dunas, empurra areia para dentro da lagoa e obriga quem vive do turismo a conviver com regras criadas depois de uma interdição. Desse equilíbrio entre aventura e conservação nasceu um dos cenários mais conhecidos do Rio Grande do Norte, onde a areia, a água doce e o mar dividem o mesmo horizonte.
Você precisa atravessar a ponte, subir a duna no fim da tarde e ver Genipabu mudar de cor enquanto o sol se põe sobre a lagoa.




