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Início Cidades

Um “deserto” cria uma paisagem do Nordeste em que dunas protegidas pelo Ibama avançam sobre uma lagoa no litoral potiguar

Por Maura Pereira
11/10/2026
Em Cidades, Turismo
Um "deserto" cria uma paisagem do Nordeste em que dunas protegidas pelo Ibama avançam sobre uma lagoa no litoral potiguar

A lagoa é abastecida pelas águas que brotam do aquífero Dunas. / Imagem ilustrativa

Dunas parecem imóveis nas fotografias, mas caminham com o vento, grão por grão. Em Genipabu, no município de Extremoz, a areia avançou cerca de 50 m sobre as margens da lagoa local em menos de quatro décadas, prova de que a paisagem nunca é a mesma de uma visita para outra. A poucos quilômetros de Natal, esse campo de areia só se tornou área protegida depois de uma interdição federal, em dezembro de 1994.

Por que as dunas de Genipabu viraram área de proteção ambiental?

Porque o turismo chegou antes das regras. Segundo o Plano de Manejo elaborado pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), os passeios de buggy surgiram na década de 1980 como diversão de quem tinha o veículo e, no fim daquela década, estavam entre os grandes atrativos do Rio Grande do Norte.

Disputas sobre o uso das areias e a falta de um estudo ambiental levaram o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a interditar as dunas em dezembro de 1994. A saída do governo estadual foi criar a Área de Proteção Ambiental Jenipabu, pelo Decreto nº 12.620, de 17 de maio de 1995. É uma unidade de uso sustentável, categoria que admite visitação e atividades econômicas desde que compatíveis com a conservação.

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Genipabu, praia icônica de Natal-RN, famosa por dunas gigantes, lagoas cristalinas e passeios de buggy no litoral norte potiguar. // Créditos: Wikipédia

O que faz a Lagoa de Genipabu mudar de forma?

O vento. A lagoa é abastecida pelas águas que brotam do aquífero Dunas, reserva subterrânea acumulada sob a areia, e recebe de frente os sedimentos carregados por três corredores de vento que cruzam o campo dunar, do mar para o continente.

Comparando fotografias aéreas de 1970 e 2006, um estudo reproduzido no plano do Idema mediu um avanço de cerca de 50 m da areia sobre as margens sul e leste, enquanto a margem oeste ficou praticamente parada. A área protegida soma cerca de 1.739 hectares, quase todos em Extremoz, e suas dunas fixas, aquelas seguradas pela vegetação, passam de 40 m de altura e abrigam até cajueiros.

O que fazer em Genipabu além do passeio de buggy?

O roteiro vai da água doce ao manguezal, com programas que cabem numa manhã ou num dia inteiro. Alguns dos mais procurados:

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1
Lagoa de Genipabu Espelho de água doce cercado por dunas fixas, usado para banho, contemplação e fotos. O contraste entre a areia branca e a vegetação é o cartão-postal da área protegida.
2
Esquibunda Descida da duna sentado numa prancha de madeira. Antes de virar atração, as chamadas tábuas de morro eram brincadeira antiga das comunidades praieiras potiguares.
3
Pôr do sol na duna principal Ponto de encontro de turistas e moradores no fim da tarde. A subida a pé é permitida, mas a orientação é usar as laterais com vegetação, onde a areia desliza menos.
4
Praia de Genipabu Faixa de areia com barracas tocadas por moradores, especializadas em frutos do mar. Boa parada para almoço depois das dunas.
5
Manguezal do Rio Ceará-Mirim No extremo norte da área protegida, a foz do rio forma um manguezal com goiamuns e siris, paisagem pouco lembrada por quem vai só às dunas.

Como funciona o passeio de buggy em Genipabu?

O serviço é concedido pelo Estado e só pode ser feito por condutores autorizados. A Lei Estadual nº 8.817, de 2006, regulamenta o buggy-turismo como permissão pública e exige certificado de curso de formação dos bugueiros. Por isso, vale conferir se o veículo exibe identificação de credenciado antes de fechar o passeio.

Em 2017, a atividade virou Patrimônio Cultural Imaterial do estado, conforme artigo publicado na Revista Brasileira de Ecoturismo. Carros particulares, quadriciclos e motos, por outro lado, não podem entrar no campo de dunas, restrição prevista no Decreto nº 19.346 e na Lei Estadual nº 9.254, com multas que chegam a R$ 10 mil.

No Nordeste, o "Deserto do Saara Brasileiro" chama atenção com passeios em dromedários e dunas douradas inesquecíveis que lembram o exterior
Em Genipabu, divirta-se no buggy pelas dunas, esquibunda na areia e mergulhos na lagoa com clima descontraído e ensolarado. // Créditos: Wikipédia

Qual a melhor época para visitar Genipabu?

Em Genipabu, quem define o calendário é a chuva, não o termômetro: as médias variam apenas entre 23°C e 28°C ao longo do ano. Abril é o mês mais chuvoso, com 187 mm, enquanto outubro registra só 34 mm, contraste que favorece os passeios entre setembro e fevereiro.

☀️ Verão Dez-Fev
Média: 25-28°C
Chuva: Média
Banho na Lagoa de Genipabu e praia.
🍂 Outono Mar-Mai
Média: 25-28°C
Chuva: Alta
Passeios curtos entre as pancadas de chuva.
❄️ Inverno Jun-Ago
Média: 23-27°C
Chuva: Alta
Almoço nas barracas da Praia de Genipabu.
🌸 Primavera Set-Nov
Média: 24-28°C
Chuva: Baixa
Buggy pelas dunas e pôr do sol de céu aberto.
💡 Dica do especialista: de setembro a novembro, a chuva some quase por completo e o céu limpo valoriza as dunas e o pôr do sol. Entre março e julho, as pancadas são frequentes, então vale reservar um dia extra para o passeio principal.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Genipabu saindo de Natal?

O caminho mais usado cruza o Rio Potengi pela Ponte Newton Navarro, inaugurada em 2007, e segue pelas rodovias RN-303 ou RN-304 até a vila. O trajeto fica entre 20 km e 25 km, conforme o ponto de partida na capital, e pode ser feito de carro, com agências ou com bugueiros que buscam os visitantes nos hotéis.

Leia também: A “Pequena Londres” brasileira que surgiu depois que ingleses se encantaram com as terras do Paraná.

Um deserto em movimento à beira do Atlântico

Genipabu é uma paisagem que nunca fica parada. O vento redesenha as dunas, empurra areia para dentro da lagoa e obriga quem vive do turismo a conviver com regras criadas depois de uma interdição. Desse equilíbrio entre aventura e conservação nasceu um dos cenários mais conhecidos do Rio Grande do Norte, onde a areia, a água doce e o mar dividem o mesmo horizonte.

Você precisa atravessar a ponte, subir a duna no fim da tarde e ver Genipabu mudar de cor enquanto o sol se põe sobre a lagoa.

Tags: genipabuRio Grande do Norte
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