Às margens do Rio São Francisco, no sertão de Alagoas, uma cidade de casario colorido guarda um capítulo decisivo da história do Nordeste. Foi de Piranhas que saiu, em julho de 1938, a tropa policial que surpreendeu Lampião e seu bando na Grota de Angico, do outro lado do rio, em Sergipe. O episódio marcou o fim do período mais conhecido do cangaço. Hoje, a cidade transforma essa memória em roteiro histórico, com museu, passeio de barco e trilha pela caatinga.
O que aconteceu em Piranhas em 1938?
A cidade foi ponto de partida da tropa que enfrentou Lampião. Segundo o jornal Estado de Minas, em 28 de julho de 1938 uma volante policial comandada pelo tenente João Bezerra saiu de Piranhas rumo à Grota de Angico, em Poço Redondo, Sergipe, onde surpreendeu o bando de Lampião, com Maria Bonita e outros cangaceiros.
O episódio mudou a história da região. O guia Guia Viagens Brasil registra que a diligência partiu de Piranhas e pôs fim à trajetória do chamado Rei do Cangaço. A partir daí, a cidade ficou ligada para sempre a esse capítulo, que hoje é contado em seu museu e em passeios guiados pela região.

O que era o cangaço?
Um fenômeno do sertão nordestino. O cangaço reuniu grupos armados que percorriam o interior do Nordeste entre o fim do século XIX e o fim dos anos 1930, em uma região marcada por secas, pobreza e disputas por terra. Os cangaceiros usavam roupas de couro, chapéus decorados e cartucheiras, e Lampião se tornou o nome mais conhecido desse período.
A memória é contada com cuidado. Para muitos sertanejos, o cangaço é lembrado ao mesmo tempo como símbolo de resistência e como período de violência. Por isso, visitar os lugares ligados a essa história é também uma forma de entender as contradições do sertão naquela época e como elas ainda aparecem na cultura nordestina.
O que visitar na rota do cangaço?
O roteiro passa pela cidade, pelo rio e pela caatinga. Estes são alguns dos destaques citados pelas fontes.
O que mais Piranhas guarda além do cangaço?
Um centro histórico protegido. Segundo o Guia Viagens Brasil, o centro, conhecido como Cidade Velha, reúne casarões dos séculos XVIII e XIX e foi tombado pelo Iphan em 2003 como patrimônio histórico e paisagístico nacional, sendo a primeira cidade do semiárido nordestino a receber esse reconhecimento. O mesmo guia registra a visita de Dom Pedro II à cidade, em 1859.
A ferrovia também faz parte dessa história. O guia lembra a construção da estrada de ferro que ligava Piranhas a Jatobá, que movimentou a economia da região e foi desativada em 1964. A antiga estação, construída em 1879, abriga hoje o Museu do Sertão, que funciona desde 1983, segundo a mesma fonte.

Como é o clima em Piranhas?
Quente e seco na maior parte do ano. Um estudo publicado na rede Redalyc classifica o clima de Piranhas como quente e megatérmico, típico do semiárido, e registra que o município tem cerca de 407,5 km². As chuvas são irregulares e concentradas em poucos meses, o que faz da cidade um destino de sol forte e céu aberto durante boa parte do ano.
Para aproveitar melhor, o ideal é fazer os passeios ao ar livre, como a trilha até a Grota de Angico, no início da manhã ou no fim da tarde. Leve água, chapéu e protetor solar, e use calçado adequado para caminhar na caatinga.
Uma cidade que conta o fim de uma era
Piranhas guarda um dos capítulos mais conhecidos da história do Nordeste. Foi dali que partiu, em 1938, a tropa que encerrou a trajetória de Lampião, e hoje o mesmo caminho pelo Rio São Francisco é percorrido por visitantes que querem entender o cangaço. Entre o museu, o casario tombado e a trilha pela caatinga, a cidade convida a olhar o passado com curiosidade e reflexão.
Você precisa caminhar pelo centro histórico de Piranhas, visitar o Museu do Sertão e fazer a Rota do Cangaço pelo São Francisco para entender por que essa cidade ribeirinha é parte da história do sertão.




