Em Maceió, capital de Alagoas, o melhor horário para ir à praia muda todos os dias. Tudo depende da maré. Quando o mar recua, recifes de coral perto da orla de Pajuçara formam piscinas naturais de água transparente, cheias de peixes. Para chegar até elas, o meio mais tradicional é a jangada a vela, conduzida por pescadores que conhecem cada recife da orla. Quando a maré sobe, as piscinas desaparecem, e o passeio acaba, até a próxima maré baixa.
Por que as piscinas só aparecem na maré baixa?
Porque são os recifes que seguram a água. Quando o nível do mar desce, os recifes de coral ficam próximos da superfície e represam a água em áreas rasas, formando piscinas onde é possível ficar de pé e observar peixes de perto. Segundo o guia Melhores Destinos, o passeio às piscinas naturais de Pajuçara é feito no período de maré baixa, com um trajeto de cerca de 20 minutos mar adentro.
Por isso, o calendário muda todos os dias. O horário da maré baixa varia conforme a fase da lua, e o passeio precisa acompanhar essa variação. Nas luas cheia e nova, as marés ficam mais baixas e as piscinas aparecem com mais clareza. O ideal é consultar a tábua de marés antes de ir e combinar o horário com os jangadeiros.

Quem leva os visitantes até as piscinas?
Os jangadeiros da orla. Segundo o portal Mercado & Eventos, que ouviu a Secretaria de Turismo de Maceió, o passeio às piscinas naturais é feito há mais de 40 anos pelos próprios pescadores e jangadeiros, em jangadas a vela. O mesmo portal registra que, em 2010, a cidade lançou uma jangada adaptada para pessoas com mobilidade reduzida, com 6,45 metros de comprimento.
A tradição virou parte da paisagem. As jangadas coloridas que saem da praia de Pajuçara são uma das imagens mais conhecidas de Maceió, e algumas funcionam como pequenos bares flutuantes nas piscinas. Para o visitante, a travessia em si faz parte da experiência, com o vento empurrando a vela sobre o mar verde.
Quais cuidados ter no passeio?
A experiência depende de planejamento e respeito aos recifes. Estes são os principais cuidados.
Como as piscinas são protegidas?
Com regras e fiscalização. Segundo o portal Tribuna do Sertão, o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) participa de um conselho gestor dos passeios em embarcações na orla de Maceió, presidido pela Secretaria de Turismo do município, e desenvolve ações de orientação de banhistas e jangadeiros e de fiscalização nos recifes. A área interna da piscina de Pajuçara ficou reservada a embarcações não motorizadas, como as jangadas.
O debate continua. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), em julho de 2026 o órgão se reuniu com a associação dos hotéis de Alagoas para discutir o ordenamento dos passeios às piscinas de Pajuçara e Ponta Verde, incluindo os passeios noturnos conhecidos como Banho de Lua. A proposta apresentada inclui capacitação dos jangadeiros e um sistema digital para controlar o fluxo de visitantes.

Como é o clima de Maceió ao longo do ano?
O calor é constante, e a chuva se concentra no meio do ano. Junho registra 181 mm em média, enquanto dezembro tem apenas 42 mm, e as temperaturas ficam entre 22°C e 29°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma praia que obedece à lua
As piscinas naturais de Pajuçara mostram como a natureza define o ritmo de uma cidade. Os recifes que surgem na maré baixa formam aquários a céu aberto perto da orla, e os jangadeiros mantêm há décadas a tradição de levar visitantes até eles. Proteger os corais é o que garante que essa paisagem continue existindo a cada maré.
Você precisa consultar a tábua de marés, embarcar em uma jangada na praia de Pajuçara e mergulhar nas piscinas naturais na maré baixa para entender por que Maceió vive no ritmo do mar.




