Até 1963, a região onde hoje se encontra Capitólio, no sudoeste de Minas Gerais, era formada por fazendas, estradas de terra e o leito natural do Rio Grande. Com o fechamento da barragem da Usina Hidrelétrica de Furnas, a paisagem foi completamente transformada, dando origem ao chamado “mar de Minas”, um dos cenários mais conhecidos do turismo brasileiro.
O rio que mudou de bacia para o lago existir
A construção da Usina de Furnas, iniciada em 1958, foi uma das maiores obras de engenharia da América Latina na época. Para evitar que o centro urbano de Capitólio fosse totalmente alagado, foi necessário desviar o curso do Rio Piumhi, alterando seu caminho da bacia do Rio Grande para a bacia do Rio São Francisco, em um raro caso de transposição fluvial no Brasil.
O resultado dessa intervenção foi um imenso reservatório com cerca de 3.500 km de perímetro, que banha dezenas de municípios e transformou completamente o relevo da região. As águas invadiram cânions de quartzito, formando paredões, cachoeiras e piscinas naturais que hoje atraem visitantes do mundo todo, além de submergir antigas áreas rurais e comunidades locais.

Quais passeios fazer pelo Lago de Furnas?
O ponto de partida da maioria dos passeios é a Ponte do Rio Turvo, no km 306 da MG-050, a 15 km do centro de Capitólio. Lanchas, chalanas e catamarãs percorrem os cânions e param em cachoeiras acessíveis apenas pela água.
- Cânions de Furnas: paredões de mais de 20 metros em tom avermelhado cercam águas verde-esmeralda. O passeio de lancha dura cerca de 2 horas e para nos principais pontos para banho e fotos.
- Cachoeira Lagoa Azul: duas quedas d’água formam uma piscina natural de tons esverdeados aos pés do paredão. Acessível pelo lago ou pela MG-050.
- Vale dos Tucanos: cercado por rochas imensas, é ponto de mergulho e, com atenção, é possível avistar tucanos nos paredões.
- Cachoeira Cascatinha: queda de 24 metros que deságua direto no lago, com pequenos poços rasos ideais para crianças.
O vídeo é do canal TADI viagem, focado em roteiros e dicas práticas, e detalha passeios de lancha, mirantes e cachoeiras: focado em roteiros e dicas práticas.
Cachoeiras e trilhas fora do lago para quem quer mais
Capitólio não se resume à navegação. A região concentra mais de 15 cachoeiras em propriedades particulares, espalhadas num raio de 40 km. Ter carro facilita o deslocamento entre elas.
- Trilha do Sol: complexo com 3,5 km de trilha passando pela Cachoeira no Limite, Cachoeira do Grito e Poço Dourado, entre pequenos cânions e piscinas de águas transparentes.
- Paraíso Perdido: sequência de 8 quedas d’água e 18 piscinas naturais em meio ao cerrado, com pedras de tom laranja.
- Parque do Mirante dos Cânions: inaugurado em 2020, oferece ponte suspensa de 110 metros de extensão a 100 metros de altura, tirolesa sobre o cânion e trilha interna até uma piscina natural.
- Cachoeira Fecho da Serra: acesso por estrada de terra, pouco visitada mesmo em alta temporada. Ideal para quem busca silêncio.

O que comer no interior mineiro entre um mergulho e outro?
A gastronomia de Capitólio segue o padrão generoso do interior de Minas Gerais, com ingredientes locais e porções fartas. Restaurantes na beira do lago e na estrada oferecem opções para todos os bolsos.
- Comida mineira de fogão a lenha: tutu de feijão, frango com quiabo, angu e couve refogada nos restaurantes da MG-050.
- Peixes do lago: tilápia frita ou grelhada, servida com mandioca e arroz, nos quiosques próximos à Ponte do Rio Turvo.
- Cachaça artesanal: destilarias centenárias como a Rodriguinha e a Chamada (fundada em 1922) produzem cachaças premiadas e oferecem degustação.
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Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O verão é a alta temporada, com calor intenso e lago cheio. O outono oferece preços menores e clima agradável, mas águas mais frias. No inverno, o nível do lago pode baixar e algumas cachoeiras ficam com menor volume.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao mar de Minas?
Capitólio, no sudoeste de Minas Gerais, fica a cerca de 280 km de Belo Horizonte, com acesso principal pela MG-050 em uma viagem de aproximadamente 4 horas de carro. Partindo de São Paulo, o trajeto tem cerca de 444 km, sendo feito por rodovias bem estruturadas que conectam a região ao interior mineiro. A cidade não possui aeroporto, o que torna o deslocamento rodoviário a principal forma de chegada.
Para quem não viaja de carro, há linhas de ônibus operadas por empresas como a Viação Gardênia, ligando Belo Horizonte a Capitólio diariamente. Já dentro da região, o uso de veículo próprio ou transporte turístico é praticamente indispensável, já que as atrações estão espalhadas entre estradas asfaltadas e trechos rurais, exigindo deslocamentos constantes para explorar os cânions e cachoeiras do “mar de Minas”.
O lago que virou destino merece mais de um fim de semana
Capitólio nasceu das sobras de uma obra de engenharia que alagou fazendas para gerar energia. O que era efeito colateral virou paisagem de cânion, cachoeira e lago verde-esmeralda que ninguém planejou e todo mundo quer conhecer. Com mais de 15 cachoeiras, passeios de lancha e a vizinhança da Serra da Canastra, a cidade mineira de 10 mil habitantes entrega mais do que cabe em uma viagem só.
Você precisa chegar na Ponte do Rio Turvo de manhã, embarcar na primeira lancha e ver os paredões surgirem na curva do lago para entender por que Capitólio virou o destino que Minas Gerais não sabia que tinha.










