Poucos lugares no país conseguiram transformar rios em uma economia inteira sem sacrificar a água que corre neles. Em Bonito, no interior de Mato Grosso do Sul, cada passeio tem hora marcada, limite de visitantes e um sistema de voucher único que existe desde os anos 1990. O resultado aparece nos rios cristalinos e no acervo de prêmios que a cidade acumula há duas décadas.
Por que Bonito lidera o ranking de ecoturismo há tantos anos?
A cidade foi eleita pela 19ª vez o melhor destino de ecoturismo do Brasil no guia O Melhor de Viagem e Turismo 2025/2026, publicado pela Editora Abril. Bonito liderou a votação popular com 17,6% dos votos, à frente de Fernando de Noronha e Foz do Iguaçu. O bicampeonato também veio no prêmio do portal Melhores Destinos 2025/2026, com 13,17% de mais de 20 mil votos.
Segundo a Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur), entre janeiro e outubro de 2025 o município recebeu 247.049 visitantes, alta de 3,28% frente ao mesmo período de 2024. Em 2022, Bonito se tornou o primeiro destino de ecoturismo do mundo a obter certificação de carbono neutro pelas Nações Unidas.

O que fazer em Bonito além dos passeios de flutuação?
A rotina de quem chega à cidade envolve caminhar por mata ciliar, descer degraus para dentro de uma caverna e boiar em rios com visibilidade de dezenas de metros. A Secretaria de Turismo de Bonito (Sectur) reúne dezenas de atrativos entre grutas, cachoeiras, balneários e trilhas.
- Gruta do Lago Azul: tombada pelo IPHAN em 1978, descoberta em 1924 por um indígena da etnia Terena. Descida de quase 300 degraus até um lago cristalino de tom azul intenso.
- Rio Sucuri: flutuação em águas de altíssima transparência, com peixes visíveis a poucos centímetros do rosto do visitante.
- Rio da Prata: 2,2 km de percurso entre a nascente do rio Olho d’Água e o próprio Rio da Prata, com almoço rural no fogão a lenha.
- Boca da Onça: circuito de cachoeiras com a maior queda d’água de Mato Grosso do Sul, de 156 metros, e opção de rapel.
- Abismo Anhumas: descida de rapel de 72 metros até um lago subterrâneo onde é possível flutuar ou fazer mergulho com cilindro.
- Lagoa Misteriosa: dolina de mais de 220 metros de profundidade conhecida, ideal para mergulho técnico entre abril e setembro.
- Parque das Cachoeiras: a 17 km do centro, oferece piscinas naturais e trilhas planas para famílias.
Como funciona o sistema de voucher único que protege os rios?
Nenhum atrativo natural em Bonito pode ser acessado por conta própria. Segundo a Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul, todo visitante precisa comprar um voucher em agência credenciada, com preço tabelado e vaga controlada por horário. O sistema garante que cada rio, gruta ou cachoeira receba apenas o número de pessoas que o ambiente suporta sem se degradar.
Essa capacidade de carga controlada é o que permite manter a transparência dos rios e a preservação das cavernas. Guias locais especializados acompanham cada grupo, e briefings de segurança fazem parte do começo de qualquer atividade aquática.

Como é o clima de Bonito ao longo do ano?
A cidade tem verões quentes e chuvosos e invernos secos com noites frescas. A escolha da estação muda o tipo de passeio ideal e a transparência dos rios.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Bonito?
A cidade fica a 297 km de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul. O Aeroporto de Bonito (BYO) recebe voos diretos das companhias Azul, Gol e Latam, com conexões a partir de São Paulo. Para quem prefere ir de carro pela capital, o trajeto mais moderno passa pela MS-345 via Aquidauana, totalmente pavimentada e com vistas da Serra da Bodoquena.
A cidade que virou modelo mundial de ecoturismo
Bonito construiu uma economia inteira em torno da regra mais simples do turismo sustentável: entra menos gente para que a paisagem continue existindo. O voucher tabelado, os guias obrigatórios e o controle de horários fizeram dela referência internacional em um país onde a natureza costuma pagar a conta do descuido.
Você precisa reservar seus passeios com antecedência, flutuar no Rio Sucuri, descer até o Lago Azul e entender por que Bonito não sai do topo do ranking há quase duas décadas.




