Em Genipabu, no município de Extremoz, no litoral do Rio Grande do Norte, a paisagem parece estar sempre em movimento. O vento empurra enormes volumes de areia entre o mar e a lagoa, formando dunas que mudam de contorno constantemente. No meio desse cenário aparece uma curiosidade inesperada: uma lagoa de água doce onde o banho é proibido por causa da presença de jacarés.
O vento que redesenha as dunas de Genipabu
As dunas de Genipabu são móveis, e esse é o detalhe que transforma a região em uma paisagem diferente de qualquer outro destino litorâneo do país. Os ventos alísios constantes transportam os grãos de areia e fazem os montes avançarem lentamente pelo território. Por isso, a duna que aparece em uma fotografia hoje pode apresentar outro formato e estar em uma posição diferente algum tempo depois.
O cenário ganhou o apelido de Saara do Nordeste e chegou às telas da televisão brasileira como cenário das novelas O Clone e Tieta, vistas por milhões de espectadores. Até o nome do lugar carrega uma história própria: Genipabu vem do tupi jenipab-u, expressão relacionada ao rio dos jenipapos, segundo o historiador Luís da Câmara Cascudo.

O que mantém Genipabu preservada mesmo com tantos visitantes?
Genipabu não é apenas um conjunto de dunas turísticas. Toda a região está inserida na Área de Proteção Ambiental Jenipabu (APAJ), criada em 1995 pelo Decreto Estadual nº 12.620 e administrada pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema). A unidade possui 1.881 hectares, distribuídos entre Extremoz e uma pequena área de Natal.
A proteção abrange dunas fixas e móveis, lagoas, manguezais e trechos de Mata Atlântica, justamente os ambientes que formam a paisagem característica do litoral norte potiguar. O Ecoposto da APAJ funciona como espaço de interpretação ambiental e oferece trilha guiada, com taxa simbólica de R$ 2 para visitantes.
Como aproveitar as dunas sem ficar só olhando a paisagem?
O jeito mais tradicional de percorrer Genipabu é de buggy. Os veículos atravessam as dunas, passam por trechos de areia inclinada e chegam a diferentes pontos do litoral, em um passeio que costuma ocupar boa parte do dia. A famosa pergunta “com emoção ou sem emoção?”, feita pelos bugueiros antes das descidas mais radicais, virou parte da experiência turística do lugar.
- Passeio de buggy: realizado por motoristas credenciados pelo governo do estado, conforme exigência do Idema, com até quatro passageiros por veículo.
- Lagoa de Jenipabu: pode ser visitada, mas o banho é proibido. O Ibama realiza ações relacionadas à presença de jacarés-de-papo-amarelo na área de preservação.
- Esquibunda e aerobunda: descidas pelas dunas em prancha ou tirolesa até a lagoa, opções rápidas para quem quer incluir aventura no roteiro.
- Praia de Genipabu: faixa de areia com águas mornas e tranquilas, além de passeios de jangada em áreas de mar raso.
Genipabu é um destino cinematográfico que une dunas móveis e lagoas cristalinas no Rio Grande do Norte. O vídeo é do canal Viagens Cine, com mais de 120 mil inscritos, e apresenta o clássico passeio de buggy, paradas em Pitangui e Jacumã:
O fim de uma tradição que durou 26 anos
Até 2024, os dromedários eram marca registrada de Genipabu. Os primeiros cinco animais chegaram da Espanha no fim dos anos 1990, ideia do suíço Philippe Landry após viagens ao Marrocos, e viraram atração com direito a turbante no turista.
A empresa Dromedunas operou por 26 anos e chegou a ter 20 dromedários e 120 passeios por dia no auge. Em 2024, encerrou as atividades no Rio Grande do Norte por queda de demanda. Os animais foram transferidos para um santuário no Tocantins.
Sabores do litoral potiguar para fechar o dia
A gastronomia de Genipabu e da vizinha Redinha gira em torno dos peixes e crustáceos frescos servidos nas barracas à beira-mar. O almoço costuma acontecer depois do banho de lagoa, ainda com areia nos pés.
- Ginga com tapioca: peixinho frito inteiro servido dentro da tapioca, especialidade da Redinha vendida no mercado local.
- Peixe na telha: prato típico do litoral norte, feito com peixe branco, camarão e leite de coco.
- Camarão na moranga: abóbora recheada com creme de camarão, servida em quase todas as barracas.

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Quando é a melhor época para enfrentar as dunas?
O clima tropical quente não tem estações frias. A variação fica no volume de chuva, mais intenso entre março e julho, com trovoadas rápidas pela tarde.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo de Natal, cidade-base dos passeios. Condições podem variar.
Como chegar ao complexo de dunas saindo de Natal?
Genipabu fica a cerca de 20 km do centro de Natal. O caminho mais curto sai da Praia do Forte pela Ponte Newton Navarro, atravessa o Rio Potengi e segue pela RN-303 ou RN-304. A maioria dos passeios é vendida pelos hotéis de Ponta Negra, com transfer incluso.
Vá conhecer a paisagem que o vento reinventa
Genipabu é um dos raros destinos em que a geografia se refaz a cada dia. Dunas gigantes, lagoas escondidas e um mar morno cabem no mesmo passeio de buggy.
Você precisa conhecer Genipabu e sentir o que é descer uma montanha de areia que amanhã já não vai estar ali.




