Muitas cidades nasceram ao redor de igrejas, portos ou fazendas. Porto Velho, capital de Rondônia, nasceu ao redor de uma ferrovia. No início do século XX, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré foi aberta em plena floresta para levar a borracha da Bolívia e da Amazônia até os rios navegáveis, em uma das obras mais desafiadoras da época. A ferrovia perdeu sua função pouco depois de pronta, mas deixou uma cidade e um conjunto histórico que hoje é patrimônio nacional.
Por que a ferrovia Madeira-Mamoré foi construída?
Por causa da borracha e de um acordo com a Bolívia. Segundo o Museu Imaterial da Imagem e do Som de Rondônia, a construção começou depois da assinatura do Tratado de Petrópolis, em 1903, no contexto do ciclo da borracha e da disputa com a Bolívia que deu ao Brasil a posse do Acre. O tratado determinava a construção da ferrovia.
A ideia era vencer as cachoeiras do Rio Madeira, que impediam a navegação. Um trabalho acadêmico publicado pelo Centro Universitário Internacional (Uninter) registra que a ferrovia foi planejada ainda em 1861 e construída entre 1907 e 1912, como corredor para escoar a produção de borracha da Bolívia até um ponto navegável do rio.

Quando a ferrovia ficou pronta?
Em 1912, depois de cinco anos de obras. A ferrovia ficou pronta quando deixava de ser necessária. Segundo o portal ipatrimônio, que reúne dados do Iphan, a estrada foi inaugurada em 1912, o mesmo ano em que a economia da borracha entrou em crise, e não tardou a ficar obsoleta. O museu de Rondônia registra que ela tinha 366 km e ligava Porto Velho a Guajará-Mirim, duas cidades fundadas por causa da ferrovia.
O traçado acompanhava o rio. O trabalho acadêmico publicado pela Uninter registra que a estrada tinha estações, oficinas, casas para trabalhadores e caixa d’água, estruturas que ajudaram a formar os primeiros núcleos urbanos ao longo do percurso. Em Porto Velho, parte desse conjunto é preservada até hoje.
Quais são os marcos da história da ferrovia?
A trajetória da Madeira-Mamoré passa por décadas de altos e baixos. Estes são alguns dos marcos.
Como a ferrovia moldou Porto Velho?
A cidade nasceu do canteiro de obras. Um estudo publicado em revista da Universidade Politécnica da Catalunha analisa como a empresa norte-americana responsável pela construção montou uma cidade da companhia, com uma divisão entre a parte norte-americana, moderna e bem equipada, e a parte brasileira, formada por trabalhadores em busca de oportunidades. Esse desenho ainda se revela no traçado urbano de Porto Velho.
Hoje, o passado ferroviário é patrimônio. Segundo o ipatrimônio, o pátio ferroviário e seus bens foram inscritos no Livro do Tombo Histórico do Iphan em 2008, e uma lei estadual de 1991 protege todo o acervo, de máquinas a trilhos e pontes. O museu de Rondônia registra que o Iphan autorizou, em 2011, a restauração da grande oficina da ferrovia, com 5.700 metros quadrados.
Como é o clima de Porto Velho ao longo do ano?
O calor é constante, com estação chuvosa e estação seca bem marcadas. Março registra 323 mm em média, enquanto julho tem apenas 22 mm, e as máximas chegam a 33°C em agosto e setembro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma cidade erguida sobre trilhos
Porto Velho guarda uma das histórias mais dramáticas da Amazônia. A ferrovia que deveria levar a borracha ao mundo atravessou a floresta e as cachoeiras do Rio Madeira e ficou pronta justamente quando o ciclo da borracha entrava em crise. Ainda assim, ela deixou uma cidade inteira como herança, e o complexo ferroviário preservado ajuda a lembrar a ambição dessa obra no meio da floresta.
Você precisa caminhar pelo complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, observar as antigas locomotivas e olhar o Rio Madeira para entender como Porto Velho nasceu de uma ferrovia na floresta.


