Em muitas praias, o sol do fim da tarde é o momento mais disputado do dia. Na Praia Central de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, esse sol começou a desaparecer mais cedo. Os prédios da orla, alguns entre os mais altos do país, passaram a projetar sombra sobre a areia e até sobre o mar. Para enfrentar esse e outros problemas, a cidade fez em 2021 uma grande obra de engenharia costeira: levou areia do fundo do oceano para alargar a praia.
Por que a Praia Central precisou ser alargada?
Pela erosão e pela sombra. Segundo um estudo publicado em revista da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), com base em informações da Prefeitura, o objetivo do projeto era resolver os problemas de erosão da orla. O portal Catraca Livre registra que o alargamento buscou minimizar a erosão costeira, evitar inundações de ruas causadas por ressacas e fomentar o turismo.
A sombra também pesou. Segundo reportagem do Estadão reproduzida pelo portal ACidade ON, Balneário Camboriú é conhecida como o lugar onde os arranha-céus fazem sombra no mar, e esse era um dos problemas que a extensão da praia pretendia resolver. A mesma reportagem lembra que o projeto era debatido desde a década de 1990.

Como foi feita a engorda da praia?
Com areia tirada do fundo do mar. O estudo da UFMT registra que cerca de 2,1 milhões de metros cúbicos de areia foram dragados do fundo do oceano, e que a faixa de areia passou de 25 a 35 metros de largura para cerca de 70 a 100 metros, ao longo dos 5,8 km da praia. Segundo o Catraca Livre, a areia veio de uma jazida a cerca de 15 km da praia.
A obra foi rápida para o tamanho. Segundo o Catraca Livre, os trabalhos começaram em março de 2021 e foram concluídos em dezembro do mesmo ano. A reportagem do Estadão informa que o custo foi de quase R$ 67 milhões, com empréstimo do Banco do Brasil, e que o equipamento usado foi o mesmo de intervenções no Canal de Suez, no Egito.
Quais são os marcos da obra?
O alargamento da Praia Central passou por algumas etapas. Estes são os principais marcos, segundo as fontes consultadas.
A sombra dos prédios acabou?
Não totalmente. Segundo a coluna da jornalista Dagmara Spautz no portal NSC Total, mesmo depois da obra que triplicou a faixa de areia, a Praia Central continua sob a sombra dos arranha-céus no fim da tarde. A colunista explica que a faixa passou de 25 para 70 metros, enquanto a sombra dos prédios pode avançar até 200 metros sobre a orla ao longo da tarde.
A obra mudou outras coisas. O estudo da UFMT analisou a temperatura e a refletividade da superfície depois da engorda e registrou grande aumento do albedo, que é a capacidade da superfície de refletir a luz do sol. Para o banhista, a praia ficou muito mais larga e com mais espaço, mas o horário de sol pleno continua concentrado na manhã e no começo da tarde.

Como é o clima de Balneário Camboriú ao longo do ano?
A chuva é bem distribuída, com verão mais chuvoso. Janeiro registra 231 mm em média, enquanto julho tem 101 mm, e as temperaturas ficam entre 13°C e 27°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma praia redesenhada pela cidade vertical
Balneário Camboriú mostra como uma cidade pode transformar a própria paisagem para lidar com as consequências do seu crescimento. Os arranha-céus que viraram símbolo da orla passaram a fazer sombra na areia, e a resposta foi trazer milhões de metros cúbicos de areia do fundo do mar para triplicar a praia. O sol ganhou espaço, mas a sombra continua lembrando que, na Praia Central, os prédios e o mar dividem o mesmo cenário.
Você precisa caminhar pela nova faixa de areia da Praia Central pela manhã e voltar no fim da tarde para ver a sombra dos prédios avançando e entender como Balneário Camboriú redesenhou sua orla.




