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Após o divórcio, ex-marido impede a venda da casa de R$ 420 mil do casal recusando propostas do mercado e morando no local sem pagar aluguel; a ex-esposa aciona o Judiciário e obtém a alienação judicial do bem 

Por Daniely Cardoso
19/08/2026
Em Notícias
A diferença entre a conduta de Marcelo e o procedimento adequado exigido por lei não está no apego afetivo ao bem, mas no rito adotado.

A diferença entre a conduta de Marcelo e o procedimento adequado exigido por lei não está no apego afetivo ao bem, mas no rito adotado.

Após o término do casamento, Renata tentou formalizar a venda de imóvel após divórcio de uma residência de R$ 420 mil, mas o ex-marido recusava todas as propostas. Ele permaneceu sozinho no imóvel por anos sem pagar compensação financeira. Sem consenso, ela recorreu ao Judiciário para viabilizar a partilha. A narrativa é fictícia, mas retrata uma regra real do Direito brasileiro.

Como começou o impasse sobre a venda do imóvel do casal?

Durante a partilha consensual homologada após o término da sociedade conjugal, Renata e Marcelo definiram que a residência comum seria vendida para divisão do saldo em partes iguais. Ambos detinham cotas proporcionais garantidas pelas normas do Direito de Família sobre a titularidade daquele bem.

Com o passar dos meses, Marcelo continuou residindo no local e passou a rejeitar compradores com ofertas compatíveis com o mercado imobiliário. A situação se estendeu por 3 anos, gerando impacto financeiro direto para a coproprietária, que precisou assumir despesas de moradia própria.

A situação se estendeu por 3 anos, gerando impacto financeiro direto para a coproprietária, que precisou assumir despesas de moradia própria.

O que aconteceu quando a tentativa de acordo amigável falhou?

Diante da recusa contínua do ex-marido em autorizar a comercialização do patrimônio, Renata buscou assistência técnica para encerrar o vínculo condominial. A permanência involuntária na sociedade de bens tornou a relação insustentável, demandando provimento judicial formal para liberar o capital retido.

A defesa ingressou com uma ação de extinção de condomínio acompanhada de cobrança de taxa de ocupação. Como não houve conciliação para compra da meação, a autoridade judicial homologou a avaliação pericial e determinou o encaminhamento do imóvel para leilão público.

O que a legislação brasileira determina sobre a venda de imóvel após divórcio?

O ordenamento jurídico nacional veda a manutenção compulsória de copropriedade entre particulares que não desejam continuar associados. Pelo Código Civil, a divisão de bem comum indivisível pode ser requerida a qualquer tempo por provocação de apenas um dos condôminos.

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Quando inexiste acordo entre as partes sobre o valor ou a alienação amigável, o procedimento legal impõe a liquidação judicial forçada. O mecanismo assegura que a oposição infundada de um proprietário não paralise a liquidação patrimonial pertencente ao outro.

Como funciona a alienação judicial e a cobrança de aluguel na prática?

O trâmite segue os ritos previstos na Lei 13.105/2015, que disciplina a alienação forçada de ativos compartilhados. O magistrado nomeia perito avaliador e publica editais com ampla publicidade ao mercado para atrair lances públicos.

Além da praça judicial, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolida que o morador exclusivo deve pagar indenização mensal correspondente à metade do aluguel. O montante retroativo é abatido da cota do ocupante na partilha final dos valores.

O ordenamento jurídico nacional veda a manutenção compulsória de copropriedade entre particulares que não desejam continuar associados.

A legislação brasileira existe para punir quem mora no imóvel ou para proteger a partilha?

As normas que regem o condomínio civil não visam desamparar quem reside no endereço, mas resguardar a integridade financeira de ambos os titulares. O uso individual de patrimônio conjunto sem contrapartida representa enriquecimento sem causa em detrimento do coproprietário afastado.

A lei busca equilíbrio prático: a propriedade precisa atender à sua destinação econômica. Sem esse dispositivo, um dos cônjuges poderia reter a posse indefinidamente, anulando na prática a efetividade da partilha de bens estabelecida no divórcio.

O que muda quando comparamos a atitude de Marcelo com o caminho legal?

A diferença entre a conduta de Marcelo e o procedimento adequado exigido por lei não está no apego afetivo ao bem, mas no rito adotado. Ignorar as notificações extrajudiciais apenas transferiu a gestão da venda para a esfera judicial compulsória.

A comparação entre a postura que Marcelo adotou e as exigências legais fica clara na tabela:

EtapaO que Marcelo fezO que a lei exige
Uso do imóvel Ocupação exclusivaMorou sem pagar compensação financeiraPagar metade do valor locatício apurado
Propostas recebidas Comercialização no mercadoRecusou propostas de compra por 3 anosAnalisar ofertas compatíveis com a avaliação
Preferência de compra Aquisição da outra metadeNão adquiriu a meação da ex-esposaExercer a compra ou viabilizar a venda
Desfecho patrimonial Liquidação do bemProvocou o leilão judicial do imóvelAlienar voluntariamente pelo preço de mercado

O que se aprende com a história de Marcelo?

A história de Marcelo e Renata é fictícia, mas retrata um desgaste frequente em disputas pós-matrimoniais. O desejo de permanecer na casa não era ilegítimo. O equívoco residiu em bloquear as alternativas negociais até que a alienação judicial em hasta pública fosse decretada.

Quem realmente quer resolver a partilha de um bem precisa seguir esse roteiro: contratar avaliação imobiliária técnica, formalizar proposta para aquisição da cota do coproprietário ou disponibilizar o imóvel para venda conjunta no mercado privado. Esse trâmite demanda negociação. Mas é o que assegura a preservação do patrimônio familiar contra deságios judiciais severos.

Tags: condomínio de bensdivórcioleilão judicialpartilha
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