Correio Braziliense
  • Notícias
  • Economia
  • Entretenimento
  • Tecnologia
  • Bem-Estar
    • Beleza
  • Automobilismo
  • Turismo
    • Cidades
  • Curiosidades
  • Casa e Decoração
    • Jardinagem
Sem resultado
Veja todos os resultados
Correio Braziliense
  • Notícias
  • Economia
  • Entretenimento
  • Tecnologia
  • Bem-Estar
    • Beleza
  • Automobilismo
  • Turismo
    • Cidades
  • Curiosidades
  • Casa e Decoração
    • Jardinagem
Sem resultado
Veja todos os resultados
Correio Braziliense
Sem resultado
Veja todos os resultados
  • Notícias
  • Economia
  • Entretenimento
  • Tecnologia
  • Bem-Estar
  • Automobilismo
  • Turismo
  • Curiosidades
  • Casa e Decoração
Início Curiosidades

Viúva de 72 anos descobre que os enteados podem pedir a venda da casa onde ela mora há 30 anos, mas o direito real de habitação do artigo 1.831 do Código Civil vira o processo do avesso

Por Gabriel Leme
12/09/2026
Em Curiosidades
Direito real de habitação pode impedir a venda da casa da viúva.

Direito real de habitação pode impedir a venda da casa da viúva.

Às oito da manhã de uma terça-feira, Lúcia, 72 anos, costureira aposentada de Belo Horizonte, abriu o envelope deixado pelo oficial de Justiça enquanto o café ainda esfriava. A ação pedia a venda da casa onde ela vivia havia 30 anos. Os autores eram Renato e a irmã, filhos do primeiro casamento de seu marido, morto oito meses antes.

A conversa sobre a herança mudou de tom

A casa, avaliada em R$ 480 mil no inventário, estava registrada apenas no nome do marido e era o único imóvel residencial deixado por ele. Lúcia continuou pagando água, energia e imposto, como fazia durante o casamento. Renato, 49 anos, técnico em refrigeração em Contagem, procurou a viúva depois da primeira reunião sobre a partilha.

Ele explicou que os dois filhos queriam receber a parte da herança e sugeriu colocar o imóvel à venda. Lúcia respondeu que não tinha para onde ir e vivia com uma aposentadoria de R$ 2.140. Duas semanas depois, recebeu uma proposta escrita: teria 60 dias para desocupar a casa ou poderia pagar R$ 1.200 mensais pelo uso exclusivo.

Ela tentou negociar antes de chegar ao processo

Sem conhecer o direito real de habitação, Lúcia ofereceu entregar aos enteados os móveis e o pequeno saldo bancário incluído no inventário. Também perguntou se a venda poderia esperar até que encontrasse uma moradia compatível com sua renda. A resposta foi que a condição de proprietários permitiria aos herdeiros pedir a extinção de condomínio a qualquer momento.

O pedido judicial buscava transformar a casa indivisível em dinheiro, repartindo o valor conforme os quinhões reconhecidos na sucessão. Lúcia quase assinou um contrato de aluguel de R$ 950 na periferia, mas levou a citação à Defensoria Pública antes de pagar a caução. Foi ali que descobriu que herdar uma fração do imóvel não dá aos filhos poder irrestrito para retirar o cônjuge sobrevivente do lar.

Documentos do inventário e da residência fortalecem a defesa do cônjuge sobrevivente.
Documentos do inventário e da residência fortalecem a defesa do cônjuge sobrevivente.

O que o artigo 1.831 protege?

O Código Civil (Lei 10.406/2002), no artigo 1.831, assegura ao cônjuge sobrevivente, qualquer que seja o regime de bens, o direito de continuar morando no imóvel destinado à residência da família. A regra vale sem retirar eventual participação na herança, desde que se trate do único imóvel residencial dessa natureza a inventariar.

Leia Também

A fumaça da churrasqueira na divisa não é caso de lei do silêncio, mas de direito de vizinhança previsto no Código Civil

Vizinho constrói churrasqueira bem na divisa do muro e fumaça começa a invadir a casa ao lado, deixando moradores incomodados até com as janelas fechadas

08/11/2026
Enquanto está vivo, o pai pode vender o próprio terreno a um terceiro sem a assinatura dos filhos

Pai vende terreno da família sem pedir autorização a um dos filhos e agora enfrenta um pedido para anular o negócio

08/11/2026
Esconder um financiamento do parceiro é infidelidade financeira e abala a confiança e a satisfação do casal

Esposa descobre que marido financiou um carro escondido para presentear um parente e agora quer saber se pode contestar a decisão que compromete o orçamento do casal

08/11/2026
Mulher cuida da casa dos pais durante 20 anos, paga reformas, troca o telhado e moderniza todos os cômodos, mas, depois da morte dos proprietários, descobre que os irmãos também podem reivindicar direitos sobre as melhorias

Mulher cuida da casa dos pais durante 20 anos, paga reformas, troca o telhado e moderniza todos os cômodos, mas, depois da morte dos proprietários, descobre que os irmãos também podem reivindicar direitos sobre as melhorias

08/11/2026

Na prática, os herdeiros do primeiro casamento podem receber a propriedade de suas frações, mas ela fica limitada pelo direito de moradia da viúva. O Superior Tribunal de Justiça reafirmou que essa proteção, enquanto perdurar, impede a extinção de condomínio e a venda judicial do imóvel. Em regra, também não cabe cobrar aluguel do titular pelo uso da residência protegida.

O pedido de venda não deve ser simplesmente ignorado

Receber uma mensagem dos herdeiros é diferente de receber uma citação judicial. Quando existe processo, a defesa precisa ser apresentada no prazo indicado, que normalmente é de 15 dias úteis, embora o início da contagem varie conforme a forma da citação e a realização de audiência. O prazo consta do artigo 335 do Código de Processo Civil.

  • Certidão de casamento e certidão de óbito do proprietário.
  • Matrícula atualizada da casa e documentos do inventário.
  • Contas, correspondências e cadastros que comprovem a residência familiar.
  • Relação dos imóveis deixados, mostrando se há outra residência no espólio.
  • Citação, propostas de venda e mensagens trocadas com os herdeiros.

Com esses documentos, a defesa pode pedir o reconhecimento do direito no inventário ou na ação de extinção de condomínio. A proteção decorre da lei, mas suas condições precisam ser demonstradas no caso concreto. Copropriedade de terceiros anterior à sucessão, existência de outros imóveis residenciais no acervo ou circunstâncias excepcionais podem mudar a análise, razão pela qual ninguém deve tratar a permanência como resultado automático.

Quem pode agir quando o acordo não vem?

Como o conflito envolve herança e propriedade, o canal adequado não é o Procon. Quem já foi citado deve procurar rapidamente advogado de família e sucessões ou a Defensoria Pública estadual, caso se enquadre nos critérios locais de atendimento. Também é possível levar o tema ao profissional responsável pelo inventário antes que uma ação separada avance.

  • Defensoria Pública do estado onde tramita o processo.
  • Advogado com atuação em sucessões e direitos reais.
  • Vara de Família e Sucessões responsável pelo inventário.
  • Cartório de Registro de Imóveis, para obter matrícula e certidões, sem substituir a defesa judicial.

A tentativa de acordo pode discutir despesas da casa, conservação e futura entrega do bem, mas não deve exigir renúncia apressada ao direito de moradia. Os herdeiros continuam proprietários de suas frações e poderão exercê-las quando a proteção terminar, conforme o caso. O cônjuge sobrevivente, porém, pode exigir que a residência não seja vendida judicialmente enquanto o direito reconhecido estiver em vigor.

A casa permaneceu, mas o conflito ganhou limites

Na defesa de Lúcia, foram juntadas contas antigas, a certidão de casamento, a matrícula e a relação patrimonial do inventário. O juiz rejeitou o pedido imediato de venda e afastou provisoriamente a cobrança de aluguel, reconhecendo que a situação descrita se encaixava no artigo 1.831. O processo continuou para examinar os documentos e permitir a manifestação de todos, sem ordem de desocupação naquele momento.

Renato e a irmã mantiveram suas partes na herança, mas compreenderam que propriedade e posse para moradia não produziam o mesmo efeito naquele período. Para Lúcia, o desfecho prático foi permanecer na casa enquanto a questão era decidida sob a regra correta. Quem enfrenta situação semelhante deve guardar as provas de residência e apresentar o direito do cônjuge sobrevivente antes que o prazo de defesa termine.

Lúcia, Renato e as demais pessoas desta história são fictícios. A situação foi construída a partir de conflitos sucessórios que se repetem, para mostrar como o pedido de venda costuma surgir e de que maneira a norma pode limitar a pretensão dos herdeiros.

Tags: Código Civildireito real de habitaçãoextinção de condomínioherança
EnviarCompartilhar30Tweet19Compartilhar
    • Notícias
    • Economia
    • Entretenimento
    • Tecnologia
    • Bem-Estar
      • Beleza
    • Automobilismo
    • Turismo
      • Cidades
    • Curiosidades
    • Casa e Decoração
      • Jardinagem
    Sem resultado
    Veja todos os resultados