Segurança

Criminosos usam a covid-19 para aplicar golpes na internet

Em entrevista ao Correio, o delegado Giancarlos Zuliani, titular da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos, explica os principais golpes usados na pandemia e como se proteger

Jéssica Eufrásio
Celimar de Meneses*
postado em 08/09/2020 20:48 / atualizado em 08/09/2020 21:42
 (foto: Reprodução)
(foto: Reprodução)

Com o objetivo de roubar contas de WhatsApp para pedir dinheiro a contatos telefônicos de usuários, criminosos que atuam na internet usam a pandemia do novo coronavírus para aplicar golpes. Quem dá detalhes do crime é o delegado Giancarlos Zuliani, titular da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), em entrevista ao Correio na tarde desta terça-feira (8/9).

“Nesse golpe, alguém liga e faz uma série de perguntas: se tem alguém doente na família, se teve febre recentemente, se está usando máscara. No final, a pessoa fala que vai mandar um código de seis dígitos para confirmar a pesquisa”, narra o delegado. O código pedido pelo criminoso é o que possibilita que ele tome o controle da conta de WhatsApp das vítimas.

Com o aumento dos golpes feitos pela internet durante a pandemia, a Polícia Civil preparou uma cartilha aos cidadãos explicando os golpes mais comuns no DF, como o falso motoboy de banco e o golpe dos investimentos.

Além desses, outro truque usado é a fabricação de sites e e-mails falsos com o objetivo de roubar dados, prática conhecida como phishing (que significa pescaria, em inglês). Nesse golpe, os criminosos mandam um e-mail ou mensagem de texto fingindo ser uma instituição confiável, geralmente o banco. A mensagem contém um link que direciona para um site falso, mas que parece original, sob controle dos bandidos.

“O objetivo desse phishing é obter seus dados bancários para invadir a sua conta. Geralmente, o banco não se comunica com o cliente por SMS e nem pede informação”, explica o delegado.

Dados

Para aplicar os golpes, os bandidos podem se valer de ferramentas lícitas, como vendas de listas de consumidores em e-commerce, cita Zuliani. “É possível conseguir listas de grupos de clientes, por exemplo, se eu quiser um lista de médicos de Belo Horizonte para vender produtos”, conta. 

“Os dados tem valor porque, por exemplo, no golpe do WhatsApp, o criminoso consegue a sua foto, o seu nome, faz uma pesquisa e consegue informações sobre seus parentes, e essas informações vão proporcionar os benefícios que eles querem”, afirma Zuliani.

Para se proteger, o delegado aconselha que as pessoas habilitem a autenticação de dois fatores no WhatsApp e em todos os serviços que tenham essa ferramenta de segurança. O delegado aconselha, ainda, que não se repitam as mesmas senhas para vários sites. Para isso é possível usar um gerenciador de senhas, disponíveis gratuitamente.

Ao fazer compras na internet, perceber se o boleto vai para uma pessoa física quando se negociou com uma pessoa jurídica, e vice-versa. Outro ponto importante é prestar atenção aos domínios dos sites. “O nosso sistema de domínio é muito bom, o ‘.com.br’. O criminoso vai partir para o ‘.com’ o ‘.org’ ou ‘.net’”, explica Giancarlos.

“É preciso curiosidade antes de fechar negócio. É o que vai dizer se a pessoa pode ser ou não vítima de um crime”, concluiu o delegado.

* Estagiário sob supervisão de Adson Boaventura

 

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