Autódromo

Manifestantes cobram explicações sobre fim de abrigo provisório

O alojamento, montado em abril, deve parar de funcionar em 28 de setembro. Caso isso aconteça, cerca de 200 pessoas em situação de rua podem ficar desabrigadas no DF

Samara Schwingel
postado em 22/09/2020 11:44 / atualizado em 22/09/2020 17:31
 (crédito: Imagens cedidas ao Correio )
(crédito: Imagens cedidas ao Correio )

Moradores em situação de rua organizaram uma manifestação, na manhã desta terça-feira (22/9), em frente ao Autódromo Internacional de Brasília. O grupo pede explicações ao Governo do Distrito Federal em relação ao fechamento do abrigo instalado no local. O alojamento deixará de funcionar na próxima segunda-feira (28/9) e cerca de 200 pessoas devem voltar às ruas da capital. 

A estrutura, montada em abril como uma medida de combate à covid-19, oferece dormitórios, banheiros, área para a lavagem de roupas e alimentação, além de  atendimento com exames de rotina, aferimento de pressão e temperatura. A princípio, com o fim do alojamento, as pessoas atendidas poderiam ser encaminhadas para outros abrigos do GDF. Porém, os manifestantes alegam que não há vagas para todos. 

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), responsável pelo abrigo, informou que está em contato com os dois institutos que coordenam os Alojamentos Provisórios do Autódromo e de Ceilândia. Além disso, a secretaria solicitou um relatório técnico para que possa viabilizar a prorrogação dos contratos. Em nota, a pasta informou que o atual contrato ficará em vigência até 3 de outubro. 

Retirada de pertences 

No último sábado (19/9), moradores em situação de rua do Setor Comercial Sul (SCS) tiveram os pertences recolhidos por agentes do governo. Na ocasião, o Instituto NoSetor, entidade que acompanha a população vulnerável, afirmou que as pessoas não receberam nenhum tipo de aviso prévio e só conseguiram salvar documentos.

Nesta segunda-feira (21/9), o juiz da 7ª Vara da Fazenda Pública do DF, Paulo Afonso Cavichioli Carmona, determinou que o GDF devolva, no prazo de 24 horas, todos os pertences que foram recolhidos na operação.

De acordo com o magistrado, a medida adotada pelo DF Legal, órgão responsável pelo exercício do poder de polícia, mostrou-se desprovida “de fundamento fático e jurídico” e não permitiu acesso aos moradores em situação de rua à decisão estatal. 

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