Memória

Praça em Planaltina vai homenagear Letícia Curado, vítima de feminicídio

Proposta foi aprovada pela Comissão de Assuntos Sociais da Câmara Legislativa do DF, em sessão extraordinária realizada remotamente nesta segunda-feira (28/9)

Correio Braziliense
postado em 29/09/2020 10:51
 (crédito: Cristiano Gomes/CB/D.A Press)
(crédito: Cristiano Gomes/CB/D.A Press)

Uma área verde no condomínio Mestre D’Armas, Setor Habitacional Arapoanga — Planaltina, ganhará uma praça em homenagem a Letícia Curado, 26 anos, vítima de feminicídio. A proposta foi aprovada pela Comissão de Assuntos Sociais da Câmara Legislativa do Distrito Federal, em sessão extraordinária nesta segunda-feira (28/9).

Letícia foi assassinada em 23 de agosto do ano passado pelo cozinheiro Marinésio Olinto, 41 anos. Ela saiu de casa por volta das 7h, para ir ao Ministério da Educação, onde trabalhava. Atrasada, ela decidiu pegar um transporte pirata e, antes de chegar ao destino, foi brutalmente morta.

"O nome de Letícia representa a vida de milhares de mulheres que sofrem abusos em uma sociedade marcada pelo machismo estrutural", defende o deputado Claudio Abrantes (PDT), autor da homenagem.

Presidente da CPI do Feminicídio da Câmara Legislativa do DF, Abrantes argumenta que o machismo estrutural objetifica, despreza, limita e mata mulheres.


"Lembrar para não repetir"

O deputado Fábio Felix (PSOL), relator da comissão, citou que "lembrar para não repetir é um adágio importante em diversas frentes". Para ele, além de prestar homenagem à jovem, o nome da praça deixará registrado na memória do povo brasiliense um recado sobre a importância da vida das mulheres e um aviso de que essa violência não será mais tolerada.

"É um ato simbólico que funciona como lembrete para os saudosos dos tempos em que o corpo feminino era propriedade masculina de que vivemos em outro momento e que há aqueles que não aceitarão violências e saudosismos ignorantes", alegou.

O parlamentar destacou, ainda, que o Distrito Federal passou a ocupar o quinto lugar entre as unidades da federação com a maior taxa de feminicídios por grupo de 100 mil mulheres, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2019. Apenas no ano passado, mais de 30 mulheres foram vítimas de feminicídio na capital.

Além de Fábio Felix, participaram da reunião do colegiado, transmitida ao vivo pela TV Web CLDF, os deputados Martins Machado (PRB) e Iolando (PSC). Após a aprovação na comissão de Assuntos Sociais, o projeto irá à análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), de onde seguirá para apreciação do plenário.


O QUE É FEMINICÍDIO?

Reconhecido como crime hediondo desde 2015, o feminicídio consiste no assassinato de mulheres por razão de gênero. Conhecer as nuances e as características que envolvem esse tipo de violação é fundamental para ter um enfrentamento efetivo e evitar que existam novas vítimas.

Fonte: Agência Patrícia Galvão

 

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