VIOLÊNCIA

Japonesa morta em centro de João de Deus também foi estuprada

O suspeito Rafael Lima da Costa confessou o abuso sexual da vítima em novo interrogatório, realizado na Delegacia de Abadiânia. A médica foi encontrada apenas com a parte de cima do biquíni

Sarah Peres
postado em 25/11/2020 15:39 / atualizado em 25/11/2020 15:49
 (crédito: Material cedido ao Correio)
(crédito: Material cedido ao Correio)

O latrocínio (roubo com morte) da japonesa Hitome Akamatsu, de 43 anos, teve uma reviravolta. Em novo depoimento à Delegacia de Abadiânia, o suspeito do crime, Rafael Lima da Costa, 18, confessou ter estuprado a médica antes de matá-la. A versão apresentada por ele mudou após o laudo cadavérico indicar que a estrangeira morreu com um golpe na cabeça, e enforcada com a blusa dele — como dito anteriormente pelo próprio investigado.

A delegada-chefe Isabella Joy afirmou ao Correio que Rafael confirmou o estupro. Já havia suspeita do delito pelo modo como Hitome foi encontrada: apenas com a parte de cima do biquíni, em cachoeira da Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO), no dia 15 de novembro. “Contudo, pelo avançado estado de decomposição do corpo, não tinha sido possível confirmar”, esclareceu, nesta quarta-feira (25/11).

A investigadora solicitou uma nova oitiva com Rafael após o laudo da causa da morte da estrangeira contrariar a versão apresentada por ele. “O suspeito confessou que tinha a intenção de roubar a vítima, mas que também a estuprou, sendo que, após a relação sexual forçada, a matou”, acrescenta Isabella Joy.

Rafael já tinha duas passagens, quando adolescente, pelo ato infracional análogo ao crime de estupro. Com a mudança do depoimento, no caso Hitome Akamatsu, ele será indiciado por latrocínio, abuso sexual e ocultação de cadáver.

Assassinada em cachoeira de centro místico

Hitome Akamatsu foi atacada por Rafael da Costa a tomar banho de cachoeira, no centro místico onde João de Deus atuava antes de ser preso. O jovem alegou, em depoimento, que no dia do crime um grupo de oito homens teriam invadido a residência dele, cobrando o pagamento de uma dívida de R$ 670 em drogas. Apesar da versão prestada, o suspeito não quis informar aos agentes os nomes dos supostos traficantes.

Depois de os homens saírem, Rafael saiu de casa de bicicleta. Ele deixou o veículo em um terreno baldio, próximo ao centro místico onde o médium João de Deus atuava antes da prisão, no Bairro Lindo Horizonte. Posteriormente, o acusado seguiu à cachoeira. “Viu uma mulher tomando banho em uma cachoeira (Hitome) e os pertences próximos. Ao revistar os pertences, sem que a vítima percebesse, não encontrou nada de valor. Se aproximou da vítima e notou que ela não falava português. Que acreditou que seria denunciado e resolveu matá-la”, narrou, com detalhes, o suspeito.

O depoimento foi disponibilizado em autos do processo do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), e mostram a primeira versão apresentada pelo acusado sobre como teria matado a médica estrangeira. “A vítima o empurrou e saiu. O interrogado (Rafael) retirou a camisa e passou pelo pescoço da vítima, enforcando-a. Ela desmaiou e, mesmo assim, continuou apertando. O suspeito soltou a vítima e aguardou por cinco minutos, quando percebeu que ela havia morrido. Colocou a vítima nos ombros e a jogou em uma vala de enxurrada, enterrando-a com pedras, pois desejava que o corpo não fosse achado”, relatou.

Fuga apenas com roupas da vítima

Rafael deixou a cachoeira com os pertences da médica: uma bermuda leggin, uma saia, uma camiseta e um colchonete azul. Ao sair da Casa Dom Inácio, um segurança do local viu Rafael, parando-o. O funcionário questionou o que o jovem estava fazendo no centro. O suspeito afirmou que havia “ajudado um povo a recolher um gado e que teria ido a cachoeira para tomar banho.”

Após sair do centro místico, Rafael foi a uma construção abandonada e, ali, teria encontrado uma garrafa pet com gasolina. Ele teria utilizado o combustível para atear fogo nos pertences da vítima, com exceção da blusa — a vestimenta foi descartada em um contêiner, em frente a um estabelecimento local.

Ao considerar a materialidade do crime e a versão do acusado, o juiz Fernando Augusto Chacha de Rezende decidiu mantê-lo detido para garantir a ordem pública. “Tendo em vista a periculosidade do conduzido, consubstanciada na gravidade concreta dos fatos, sendo a vítima violentamente agredida, com resquícios de crueldade, sem chance de defesa, sendo o corpo da vítima localizado coberto por terra e pedras, crime este praticado, ao que indicam os indícios preambulares, por motivos insignificantes e desprezíveis”, analisou.

Tentativa de roubo após latrocínio

Conforme noticiado pelo Correio, uma outra estrangeira teria sido atacada em Abadiânia, na mesma semana da médica Hitome Akamatsu. Em depoimento a policiais da delegacia local, Rafael confessou ter tentado roubar a mulher.

“Há alguns dias, no Bairro Lindo Horizonte, tentou roubar uma mulher quando notou que ela não falava português. A mulher reagiu e lhe aplicou um golpe de judô, jogando-o ao chão. Depois, correu e fugiu da área”, afirmou o suspeito, em depoimento.

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