DESIGUALDADE SOCIAL

Famílias em situação de rua ocupam área verde na 909 Norte

No local, famílias erguem barracos feitos de lona e madeirite. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Social, mais de 2 mil pessoas declaram-se em situação de rua no DF. O número exato de ocupações, no entanto, é desconhecido

Ana Isabel Mansur
postado em 02/01/2021 18:15 / atualizado em 02/01/2021 22:21
Ocupação foi registrada por um leitor do Correio -  (crédito: José Magalhães/Arquivo pessoal)
Ocupação foi registrada por um leitor do Correio - (crédito: José Magalhães/Arquivo pessoal)

Novo ano, velhos problemas. A decoração de fim de ano da capital federal, exibida nos grandes espaços verdes e bem-cuidados, com prédios de alto padrão, não maquia problemas antigos da cidade. É nesses mesmos espaços verdes que muitas famílias improvisam moradias e abrigos. Um vídeo cedido ao Correio, gravado esta semana, registrou dezenas de pequenos barracos, na SGAN 909, feitos de lona e madeirite.

Embora não se saiba exatamente quantas ocupações existem nas ruas do DF, a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes) contabiliza mais de 2 mil pessoas que se declararam em situação de rua. Desse total, 152 são crianças e 59, adolescentes.

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No Plano Piloto, pessoas em situação de rua estão instaladas em pelo menos outros 30 locais. Moradias precárias e sem infraestrutura, no entanto, não estão restritas àqueles que não têm lugar para morar. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) e a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), Estrutural e Sol Nascente são os lugares mais prejudicados entre as 33 regiões administrativas do Distrito Federal. O Índice de Vulnerabilidade Social (IVS) das regiões é, respectivamente, 0,72 e 0,6.Quanto maior o indicador, maior a fragilidade social do local.

Em outro indicador, que avalia fatores relacionados aos domicílios e arredores, como acesso a saneamento básico, tempo de deslocamento para o trabalho, condição viária e ambiência urbana, Estrutural e Sol Nascente atingiram 0,69 e 0,64 pontos, respectivamente, seguidos por Fercal (0,5) e Planaltina (0,4). As regiões com melhores resultados foram Cruzeiro (0,03) e Sudoeste/Octogonal (0).

Em se tratando da necessidade de provimento de moradias para atender à demanda habitacional da população e da inadequação de domicílios relacionada a especificidades que prejudicam a qualidade de vida, a Estrutural volta a aparecer em primeiro lugar, com indicador de 0,63, seguida pelo Riacho Fundo (0,53). Lago Sul (0,03) e Águas Claras (0,01) foram as mais bem avaliadas nesse aspecto.

Pandemia

A crise econômica decorrente da emergência sanitária da covid-19 escancarou ainda mais as necessidades desiguais dos habitantes do DF. Segundo a Secretaria de Trabalho, antes da pandemia, havia 288 mil pessoas desempregadas na capital. No auge da crise, o DF chegou a contar 330 mil desempregados. Em dezembro, o número regrediu para 288 mil.

Durante a pandemia do novo coronavírus, o GDF inaugurou dois alojamentos provisórios, no Autódromo do Plano Piloto e no estádio do Abadião, em Ceilândia. Com 200 vagas cada um, as estruturas temporárias foram criadas para acolher pessoas em situação de rua e prevenir a disseminação do novo coronavírus entre essa população. Junto com as unidades provisórias, a Sedes também ampliou neste ano a capacidade da unidade de acolhimento da Granja das Oliveiras, no Recanto das Emas, em mais 105 vagas permanentes.

Com a desmobilização do Alojamento Provisório do Autódromo, em dezembro, os acolhidos em situação de rua que estavam abrigados no local passaram a receber benefícios sociais que vão garantir autonomia e dar a eles a possibilidade de sair das ruas. A Sedes destinou mais de R$ 174,3 mil em recursos, para concessão de 376 benefícios socioassistenciais aos acolhidos.

Durante os nove meses nos alojamentos provisórios, os acolhidos, além de local para morar, também receberam cursos profissionalizantes e orientações fundamentais para a reinserção no mercado de trabalho.

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