Meio ambiente

Em 21 dias, Polícia Militar resgata mais de 30 cobras no Distrito Federal

Na noite desta quinta-feira (21/1), os policiais foram acionados para recolher uma jiboia no Gama. O réptil estava no portão de uma casa da região

Darcianne Diogo
postado em 22/01/2021 00:04
 (crédito: PMDF/Divulgação)
(crédito: PMDF/Divulgação)

Nos primeiros 21 dias de 2021, o Batalhão de Policiamento Ambiental (BPMA) resgatou 32 cobras no Distrito Federal, mais de um réptil por dia. Na noite desta quinta-feira (21/1), os policiais foram acionados para recolher uma jiboia no Gama. 

A serpente de um metro e meio, que não é venenosa, foi encontrada no portão de uma casa da região. O dono da residência chamou a polícia e informou aos militares que assustou-se ao avistar o animal. Segundo a corporação, por estar saudável, o réptil foi devolvido à natureza. 

Caso Naja

Era 7 de julho de 2020, quando Pedro Henrique Krambeck, de 22 anos, sofreu um acidente dentro do apartamento onde mora, no Guará 2. O estudante de medicina veterinária foi mordido no braço por uma naja kaouthia, do sudeste da Ásia. O caso desencadeou uma investigação, que abriu suspeitas de crime de tráfico internacional de animais. No dia em que foi picado, imagens do circuito interno de segurança do prédio mostraram o momento em que Pedro entra no elevador com a mão no braço, ainda consciente, desce na garagem e entra no carro da família. Ele é levado ao Hospital Maria Auxiliadora, no Gama, onde fica entre a vida e a morte.

Com o andamento das investigações conduzidas pela 14ª Delegacia de Polícia (Gama) constatou-se que Pedro Krambeck mantinha outras 22 cobras em casa. No dia em que foi picado, amigos o padrasto dele, o tenente-coronel da PMDF Clóvis Eduardo Condi, e a mãe, a advogada Rose Meire dos Santos, tentaram ocultar outras 16 serpentes, que foram localizadas dois dias depois pelo Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA), no núcleo rural de Planaltina. Um dos amigos de Pedro, Gabriel Ribeiro Moura, foi o responsável por ficar com a naja após o incidente. Ele deixou a cobra, um dia depois, próximo ao shopping Píer 21, dentro de uma caixa. 

Além da naja e das 16 serpentes encontradas em Planaltina, a polícia descobriu outras seis cobras que estavam ligadas a Pedro. A PCDF concluiu que Pedro traficava cobras por, pelo menos, cinco anos. Onze pessoas foram indiciadas, incluindo o jovem, a mãe dele, o padrasto, Gabriel, seis outros estudantes, uma professora do curso de medicina veterinária e o major do BPMA Joaquim Elias Costa — segundo a polícia, o militar cometeu crimes de fraude processual, prevaricação, associação criminosa e coação no curso do processo.

Pedro responde 23 vezes por tráfico de animais, associação criminosa e exercício ilegal da medicina. O tenente-coronel da PMDF Clóvis Eduardo Condi, padrasto de Pedro Henrique, teria dado suporte financeiro e material para que a residência servisse de cativeiro para as cobras. Ele responde, também, 23 vezes por tráfico de animais silvestres, fraude processual, maus-tratos e associação criminosa. Além disso, a mãe de Pedro Henrique, responde por fraude processual, corrupção de menores, 23 vezes por tráfico de animais, maus-tratos e associação criminosa. No esquema, ela era encarregada de alimentar as serpentes e cuidar da reprodução. Agora, a decisão está nas mãos do juiz Manoel Franklin, da Vara Criminal do Gama, que concederá a sentença aos mesmos.

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