ESPORTE

Entenda projeto que está por trás da demolição do Ginásio Claudio Coutinho

Obras fazem parte da criação de um complexo esportivo e de lazer no centro da capital. Projeto da Arena BsB foi o vencedor do concurso feito pelo GDF em 2019

Correio Braziliense
postado em 27/04/2021 21:14
 (crédito: Arena BSB/Divulgação)
(crédito: Arena BSB/Divulgação)

A demolição do Ginásio Claudio Coutinho faz parte da primeira etapa das obras do complexo esportivo, com a criação de espaços de lazer e gastronomia, previsto no projeto vencedor do concurso feito em 2019 para a parceria público e privada do espaço. A concessão do local foi dada para o consórcio Arena BsB, que irá gerir o complexo por 35 anos, além de ser responsável pelas intervenções no local. No entanto, uma liminar judicial determinou a suspensão da demolição do ginásio que estava fechado e interditado há 20 anos. 

Decisão foi dada pela juíza de direito do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) Mara Silda Nunes de Almeida, após requerimento feito pela Defensoria Pública do Distrito Federal. Em nota, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) afirmou que não vai comentar sobre a decisão do TJDFT. De acordo com a pasta, a Arena BSB apresentou todos os documentos e projetos necessários para aprovação da reforma do Complexo Esportivo de Brasília.

"Cabe ressaltar que o projeto de criação de um boulevard na área central de Brasília foi tema de várias audiências públicas e passou pela análise técnica de vários órgãos do GDF. Além disso, foi aprovado pelo Conselho de Planejamento Urbano e Territorial do DF (Conplan), tendo como relatoras as conselheiras Gabriela de Souza Tenório, representante da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Brasília (FAU/UnB), e Júlia Teixeira Fernandes, do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/DF)", pontuou a Seduh.

A Terracap informou que está acompanhando o caso e prestando todas as informações necessárias para o bom andamento das ações. Quanto à decisão judicial, a Terracap destaca que cabe recurso das partes interessadas. O presidente da Arena BsB, Richard Dubois, reforçou ao Correio que a demolição do prédio estava prevista no projeto, desde a primeira versão em 2019. "Se trata de uma construção que estava interditada por problemas estruturais, e sem uso há 20 anos. Iniciamos as obras por ele, pois em toda obra, o primeiro trabalho que se faz é o de limpeza do terreno. Tiramos outras construções abandonadas e sem uso. O ginásio, pela proporção dele, é mais visível de ver", explicou Dubois.

O material resultante da demolição será reaproveitado para a terraplanagem e sistema de drenagem no solo. Segundo Richard Dubois, o local se transformará em um corredor que irá interligar o complexo esportivo com as áreas de lazer que serão implementadas. "Vamos ter cinema, restaurantes, espaços culturais, além e outras quadras esportivas que vão compor o complexo", destaca o presidente da Arena BsB. Os espaços do Estádio Nacional Mané Garrincha, o Ginásio Nilson Nelson e o Complexo Aquático Claudio Coutinho receberão manutenção e vão continuar no mesmo local em que estão. 

Apenas o Complexo Aquático Claudio Coutinho ficará com a gestão da Secretaria de Esportes para a continuação das aulas ofertadas para a comunidade em geral. O Mané Garrincha e o Nilson Nelson serão geridos pela Arena BsB enquanto durar o contrato de concessão. 

Impasse

Um grupo de pais e alunos da escola de esporte que atua com aulas de diversas modalidades no Complexo Aquático Claudio Coutinho deu início à ação judicial. O grupo informou ao Correio que, desde o ano passado, tem tentado impedir a demolição do Ginásio Claudio Coutinho. De acordo com eles, o ginásio faz parte do Complexo Aquático Claudio Coutinho, construído na mesma época. No ginásio, antigamente, ficava a piscina coberta que anos depois foi transformada em uma quadra poliesportiva. 

Com o movimento Salve o Defer (Departamento de Educação Física, Esportes e Recreação), o grupo de pais e alunos se uniram para pedir a permanência do ginásio com uma reforma, e a reabertura do espaço para dar a continuidade às aulas solos, como karatê, ginástica, judo, entre outras modalidades. Esses cursos eram realizados em uma tenda móvel ao lado do Complexo Aquático, por conta da interdição do ginásio. De acordo com o grupo, essa tenda irá sair e as aulas vão ser realocadas para o pavilhão do parque da cidade, o que, segundo alguns integrantes do grupo, atrapalharia o deslocamento de quem depende de ônibus e faz mais de uma modalidade. 

"O ginásio reformado e funcionando é o ideal. Mas, entendemos que não faz parte do projeto essa reforma. Porém, para o nosso entendimento, houve um vício no edital, que não considerou o Ginásio Claudio Coutinho como parte do Complexo Aquático, que inclusive, está em processo de tombamento. Queremos que um juiz analise o mérito e avalie se essa demolição é o correto a se fazer", destaca o grupo. 

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