Coronavírus

Cadastro de pessoas com comorbidades em foco no DF: saiba como será vacinação

Secretaria de Saúde deu início ao cadastro da população com doenças crônicas no Distrito Federal. Com registro desse público, pasta vai mapear quantos farão parte da nova etapa de vacinação contra a covid-19. Atendimento terá data marcada e começará na próxima semana

Samara Schwingel
Ana Isabel Mansur
postado em 01/05/2021 06:00 / atualizado em 01/05/2021 15:23
 (crédito: AFP / Lindsey Parnaby)
(crédito: AFP / Lindsey Parnaby)

Com a proximidade da vacinação contra covid-19 para pessoas com comorbidades, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) deu início ao cadastramento desse público — estimado em 513 mil habitantes, considerados apenas aqueles com menos de 60 anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O objetivo do registro é confirmar quantos brasilienses fazem parte do novo público-alvo da campanha. As enfermidades elegíveis constam no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra Covid-19 (PNO), do Ministério da Saúde. No entanto, a capital federal incluiu outras categorias na lista, como grávidas e puérperas (leia Tipos).

Indivíduos com algum diagnóstico incluso na relação devem se cadastrar pelo site vacina.saude.df.gov.br. O agendamento ocorrerá gradativamente, de acordo com o número de doses disponíveis e enviadas ao DF pelo governo federal. A subsecretária de Planejamento à Saúde, Christiane Braga, afirma que só quem fizer o registro poderá receber as doses. “A inscrição não tem data para acabar, mas, quanto antes a pessoa fizer, melhor para agilizar os próximos passos”, ressaltou.

Caso o paciente faça tratamento contra a doença crônica na rede pública de saúde, o sistema da SES-DF confirmará essa informação, e será possível imprimir o comprovante de agendamento. Se não for o caso, a pessoa deverá levar, no dia da vacinação, além do documento emitido após o término da inscrição, um relatório médico que comprove a comorbidade indicada. Embora o PNO preveja que a vacinação ocorra por meio da apresentação de qualquer comprovante, como exames ou receitas, a secretaria distrital aceitará apenas laudos.

O único público que deve ter conduta diferenciada são as grávidas. Com ou sem comorbidades e sendo atendidas ou não na rede pública, elas devem se cadastrar e apresentar, no momento da vacinação, um relatório médico comprovando que a gestante recebeu todas as orientações de saúde e que não tem qualquer contraindicação.

Controle

A primeira etapa da vacinação de pessoas com comorbidades tem previsão de começar na terça e seguir até quinta-feira. O agendamento, segundo a Christiane Braga, começará na segunda-feira. “A expectativa é de que ele ocorra um dia antes da vacinação de cada grupo”, completou a subsecretária. Nesta primeira fase, estão inclusas pessoas com síndrome de Down; deficiência permanente e de 55 a 59 anos; gestantes ou puérperas com comorbidades; bem como pessoas em terapia renal substitutiva.

A previsão é de que as cerca de 5 mil doses da vacina da Pfizer/BioNTech, previstas para chegarem ao DF na segunda-feira, além de algumas doses da Oxford/AstraZeneca, atendam a esse novo público. Depois, a imunização contemplará pessoas com todas as demais comorbidades e continuará por ordem decrescente de faixa etária, começando por indivíduos com 59 anos.

“Fizemos essa separação para facilitar o acesso das pessoas e a distribuição das doses, além de evitar filas desnecessárias e uma corrida pelas vacinas. Precisamos fazer isso de forma controlada, porque há pacientes com doenças graves que não podem ficar muito tempo expostos”, comentou Christiane. Ela explicou que mesmo quem perder a data de agendamento, poderá agendar a vacinação depois. “Além disso, quem tomar a primeira dose terá a segunda garantida”, completou.

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    Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Covid-19, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Editoria de Arte/CB

Calendário

Assim como ocorre com os outros grupos, a vacinação de pessoas com comorbidades avançará de acordo com as doses recebidas pela Secretaria de Saúde, não sendo possível escolher imunizantes de preferência. Werciley Júnior, infectologista-chefe do Hospital Santa Lúcia, avalia que não há hierarquia de gravidade entre as doenças do plano de vacinação: “Todas merecem igual atenção, nenhuma é pior do que outra”, enfatizou. “Essas são enfermidades associadas, normalmente crônicas, que o paciente tem há algum tempo e com a qual convivem. Nem todas puderam entrar na prioridade da vacinação. As listadas são aquelas que podem agravar um quadro da covid-19”, explicou Werciley.

Especialista em doenças infecciosas e médico dos hospitais de Base e das Forças Armadas (HFA), Hemerson Luz faz um alerta quanto aos riscos: “É preciso tomar cuidado com doenças cujo tratamento pode piorar a condição do paciente em caso de contágio pela covid-19. Alguns remédios diminuem a imunidade. Inclusive, caso a enfermidade esteja descompensada, a vacina pode não ter o efeito desejado. Nesses casos, é importante que a pessoa procure um médico para saber se pode se imunizar ou não. Se a comorbidade estiver tratada e controlada, normalmente, o paciente está liberado”, afirmou o especialista.

A inclusão de novos grupos e o avanço da campanha de vacinação dependem do envio de doses pelo Ministério da Saúde. Enquanto isso, profissionais da rede de saúde privada e da segurança pública seguem em atendimento, bem como idosos. 

Tipos

Confira todas as condições e categorias previstas pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal para vacinação contra a covid-19:

  • Cirrose hepática
  • Síndrome de Down
  • Doença renal crônica
  • Insuficiência cardíaca
  • Mulheres em puerpério — até dois meses após o parto
  • Arritmias cardíacas — alteração no ritmo dos batimentos cardíacos
  • Doença cerebrovascular — inclui acidente vascular cerebral (AVC) e demência vascular
  • Valvopatias — problemas nas quatro válvulas cardíacas que impedem o retorno do sangue ao coração
  • Síndromes coronarianas —presentes nas pessoas com suscetibilidade às doenças ou que tiveram infarto
  • Hipertensão arterial resistente (HAR) — o paciente tem a pressão arterial controlada por diferentes tipos de medicação
  • Cor pulmonale e hipertensão pulmonar — eleva a pressão cardíaca por alteração no pulmão, prejudicando a respiração do indivíduo
  • Cardiopatia hipertensiva — causada pela alteração da função cardíaca devido ao aumento da pressão, levando ao inchaço do coração
  • Diabetes mellitus — inclui os tipos 1, aquele em que a pessoa nasce com a condição, e tipo 2, quando a enfermidade é adquirida ao longo da vida
  • Hipertensão arterial estágio 3 — condição de hipertensão arterial dividida em estágios crescentes de gravidade, conforme faixa de pressão cardíaca
  • Doenças da aorta, dos grandes vasos e fístulas arteriovenosas — envolvem pessoas sob tratamento de diálise e doenças dissecantes, como aneurisma da aorta
  • Próteses valvares e dispositivos cardíacos — diz respeito a indivíduos submetidos a cirurgias no coração, como para inserção de marcapasso e troca de válvulas
  • Miocardiopatias e pericardiopatias — a primeira é a alteração do músculo cardíaco; a segunda envolve problemas na membrana que cobre o coração, como inflamações
  • Obesidade mórbida — pessoas com índice de massa corpórea (IMC) superior a 40 ou pessoas com IMC maior que 35 e disfunções orgânicas, como obesidade e hipertensão
  • Hipertensão arterial estágios 1 e 2, com LOA (lesão de órgãos alvo) ou comorbidade — ocorre quando a alteração na pressão cardíaca do paciente, mesmo que não seja grave, altera a função de outro órgão
  • Grávidas com e sem comorbidades — a adaptação do corpo da mulher conforme o crescimento do feto leva à baixa imunidade do organismo, condição que permanece até três meses depois do nascimento
  • Cardiopatia congênita no adulto — a pessoa nasce com doenças que alteram a função cardíaca, como Tetralogia de Fallot, insuficiência cardíaca, arritmias e comprometimento no miocárdio, o músculo do coração
  • Pneumopatias crônicas graves — incluem asma e bronquite em condições graves; doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), inflamação causada pela limitação do fluxo de ar por inalação de toxinas, como aquelas presentes na fumaça do cigarro; além de enfisema e fibrose pulmonar
  • Anemia falciforme — tipo de anemia em que as hemácias do sangue têm forma de foice e é uma doença que atinge, majoritariamente, a população negra; as hemácias em formato diferenciado prejudicam a circulação do sangue, levando a tromboses no rim, pulmão e baço, entre outros órgãos
  • Imunossuprimidos — inclui indivíduos congenitamente com baixa produção de anticorpos, como os transplantados de órgão sólido ou de medula óssea; pessoas com HIV; doenças reumáticas com uso de corticoides; pessoas em uso de imunossupressores ou com imunodeficiências primárias; pacientes oncológicos que realizaram tratamento quimioterápico ou radioterápico nos últimos seis meses; e neoplasias hematológicas, causadas pela multiplicação acelerada de células sanguíneas, como leucemia

Tira-dúvidas

O que são comorbidades?
São doenças crônicas — incuráveis — que exigem acompanhamento contínuo. Essas condições têm tratamento, mas não têm cura.

Como as pessoas com comorbidade podem se cadastrar para agendar a vacinação?
Basta acessar o site vacina.saude.df.gov.br, selecionar o tipo de doença crônica diagnosticada, preencher os dados pessoas e responder às perguntas do questionário.

Quando começa o agendamento e quanto tempo até começarem a chamar os cadastrados?
A inclusão de novos grupos na campanha de vacinação contra a covid-19 depende do repasse de doses por parte do Ministério da Saúde.

Como está previsto o atendimento da população desse grupo?
De acordo com o calendário apresentado pelo Governo do Distrito Federal (GDF), a expectativa é de que, em 7 e 8 de maio, sejam contempladas pessoas com comorbidades e 59 anos. Em 10 e 11 de maio, aquelas com 58 anos. E assim sucessivamente, até os dias 17 e 18, quando será atendida a população com doenças crônicas e 55 anos. O restante do calendário será definido com o avançar da campanha.

Fontes: Ministério da Saúde; Secretaria de Saúde do Distrito Federal; Werciley Júnior, infectologista-chefe do Hospital Santa Lúcia; e Hemerson Luz, especialista em doenças infecciosas e médico dos hospitais de Base e das Forças Armadas (HFA).

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