Violência

Jovem baleado no Metrô-DF diz que vigilante estava despreparado

Morador do Guará 2, Pedro Nogueira, 23, diz que passou por um beco por baixo da estação Feira para voltar para casa. Metrô-DF afirma que cinco pessoas tentaram arrombar portões

Edis Henrique Peres
Pedro Marra
postado em 19/06/2021 23:33 / atualizado em 20/06/2021 10:08
Roupa de jovem baleado nas costas por vigilante na estação Feira -  (crédito: Material cedido ao Correio)
Roupa de jovem baleado nas costas por vigilante na estação Feira - (crédito: Material cedido ao Correio)

O homem que foi baleado na estação de Metrô-DF da Feira do Guará, por volta das 1h30 de sexta-feira (18/6), Pedro Pereira Nogueira, 23 anos, falou ao Correio sobre o ocorrido. Para ele, houve despreparo do vigilante que efetuou o disparo que o atingiu nas costas. “Ele (agente) estava despreparado. Ele não tinha motivo para atirar”, conclui Pedro.

“Eu e mais seis amigos vínhamos voltando de um aniversário no Guará 2, e para ir ao Lúcio Costa, no Guará 1 (onde mora), só continuo o caminho mais um pouco. Para ter acesso, tem que passar por baixo da estação Feira. Quando a gente passou pelo Metrô, um dos meus amigos fez um barulhão na grade e eu já estava lá em cima", relata o jovem, dono de um Lava-jato na região.

Ainda de acordo com ele, o segurança abriu a porta do metrô e deu um tiro. "Não houve nenhuma discussão, nenhum momento fui coagido. Ele saiu e deu um disparo de arma de fogo a uns 40 a 50 metros. Logo depois, ele entrou para dentro do Metrô e não prestou socorro”, acrescenta.

O rapaz diz que os amigos ligaram para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que o levou ao Hospital de Base (HBDF), que prestou os primeiros socorros. “Fui atendido e dei muita sorte. Esse tiro entrou nas costas e saiu no peito, mas não feriu nenhum órgão interno. Fiz endoscopia, raio-x, e estou esperando para fazer fisioterapia, com muita dor nas costas. Os médicos me falaram que eu tenho que ficar em repouso total, e me receitaram dipirona e ibuprofeno (anti-inflamatórios)”, conta o jovem.

Ele comenta as características do local do disparo. “Aquela parte do Cave, perto da feira, não é tão habitada porque é um canto do Guará. Nas proximidades, acima do metrô, tem um campo, que dá em uns becos, que já dá na quadra 9. Eu estava na entrada de um beco quando ele atirou nas minhas costas. Nem deu tempo de reagir, quando vi já tinha tomado um tiro nas costas”, descreve.

  • Roupa de jovem baleado nas costas por vigilante na estação Feira
    Roupa de jovem baleado nas costas por vigilante na estação Feira Material cedido ao Correio
  • Roupa de jovem baleado nas costas por vigilante na estação Feira
    Roupa de jovem baleado nas costas por vigilante na estação Feira Material cedido ao Correio
  • Roupa de jovem baleado nas costas por vigilante na estação Feira
    Roupa de jovem baleado nas costas por vigilante na estação Feira Material cedido ao Correio
 

O rapaz diz que foi com o advogado à 4ª Delegacia de Polícia (Guará 2) para registrar um boletim de ocorrência sobre o caso para ter acesso ao inquérito. Ele quer provar que não houve invasão e pediu acesso às imagens das câmeras do Metrô.

Metrô-DF

Em nota, a Companhia do Metropolitano do Distrito Federal informa que, nesta ocorrência, não houve participação de seguranças do Metrô-DF. “Por volta das 2h30 da madrugada de sexta-feira (18/6), horário em que o Metrô-DF não está em operação, aproximadamente cinco pessoas tentaram arrombar os portões da Estação Feira, segundo relato preliminar do vigilante patrimonial. Uma das pessoas acabou atingida por um tiro efetuado pelo vigilante e foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros”, diz um trecho do texto.

O Metrô-DF acrescenta que aguarda o resultado da perícia e a apuração do caso pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), e fica à espera de explicações por parte da empresa de vigilância contratada.

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