JUSTIÇA

"A dor me acompanha", diz viúvo de Letícia Curado, vítima de Marinésio

Marinésio dos Santos Olinto, assassino confesso da advogada Letícia Curado, será julgado no Tribunal do Júri de Planaltina hoje. Em entrevista ao Correio, marido da vítima relata a dor e as dificuldades da perda

Ana Isabel Mansur
postado em 20/06/2021 06:00 / atualizado em 21/06/2021 06:41
 (crédito: Ana Rayssa/CB/D.A Press)
(crédito: Ana Rayssa/CB/D.A Press)

“Meu filho já me pediu para ver o Marinésio preso”, conta Kaio Fonseca Curado de Melo, 27 anos, viúvo de Letícia Sousa Curado Melo, morta em agosto de 2019, aos 26 anos, pelo cozinheiro Marinésio dos Santos Olinto, 43. O julgamento do autor confesso do feminicídio será no Tribunal do Júri de Planaltina e está marcado para começar às 9h de hoje.

“Ainda me sinto muito perdido, ela organizava tudo na minha vida e, sem ela, parei de fazer planos e não tenho ânimo para nada”, confessa o cabo do Exército, que ainda não conseguiu retornar ao trabalho. “Meu filho está bem, ele é muito forte, e muitas vezes ele segura a barra para mim. Mas a falta da mãe tem hora que fica estampada no rosto dele”, declara Kaio sobre o filho do casal, hoje com 5 anos.

“Ele é bem consciente de tudo e sabe quem matou a mãe dele, só não entende a crueldade do crime. A vida está seguindo, mas a dor me acompanha a todo momento. Tem dia em que estou mais acostumado e, em outros, dói demais”, desabafa o jovem.

Em Kaio, o sentimento que impera é o de impotência. Datas comemorativas, como o Dia das Mães e o aniversário do filho, são especialmente difíceis. “Datas sempre foram importantes para Letícia. Ela sempre gostou de dar os melhores presentes. Olhar para o meu filho (nesses dias) é mais doloroso do que se imagina”, relata o viúvo.

Apesar da tristeza e da saudade profundas, Kaio não tem expectativas para o julgamento do autor do crime. “Hoje, eu me sinto dividido entre o amor que Letícia me deixou e o ódio que Marinésio colocou em mim.”

Confissão

Em 23 de agosto de 2019, Marinésio abordou Letícia em uma parada de ônibus entre o Vale do Amanhecer e a DF-230, em Planaltina, enquanto a mulher esperava o ônibus para o Ministério da Educação, onde trabalhava. O homem se apresentou como motorista de transporte pirata e, com Letícia já dentro do carro, tentou forçá-la a ter relações sexuais. Letícia reagiu, foi esganada e morreu asfixiada. O criminoso, então, escondeu o corpo da vítima em um tubo de concreto de esgoto à margem da rodovia e levou um relógio, um pendrive, uma necessaire e um celular de Letícia.

Em um primeiro momento, ao ser preso, Marinésio negou o crime, confessando-o horas depois, em detalhes. Ele afirmou que conhecia a vítima porque os dois já tinham pego o mesmo ônibus de Arapoangas (Planaltina) para o Plano Piloto. Desde então, ele está preso preventivamente pelo assassinato de Letícia.

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