LAZER

Brasilienses encontram em trilhas fonte de equilíbrio e novas conexões

Periodicamente, dezenas de trilheiros se organizam em grupos de até sete pessoas para desbravar belezas que estão a poucos quilômetros do Plano Piloto

Ed Alves
postado em 01/09/2021 06:00 / atualizado em 01/09/2021 06:09
Caminhadas ao ar livre ajudam os amigos a lidar com as incertezas da pandemia e a criar vínculos -  (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)
Caminhadas ao ar livre ajudam os amigos a lidar com as incertezas da pandemia e a criar vínculos - (crédito: Ed Alves/CB/D.A Press)

Céu impoluto, sol na moleira e muito ar livre. A combinação dos atrativos que a prática de trilhas oferece foi a receita encontrada por um grupo de amigos para lidar com os tempos de estresse e incerteza advindos da pandemia de covid-19. Periodicamente, eles se reúnem — com os devidos cuidados sanitários — para percorrer caminhos cercados de muita natureza em regiões próximas a Brasília.

“A trilha foi um remédio para a alma”, resume a vendedora Francisca das Chagas, 40 anos, moradora de Santa Maria. Pelas redes sociais, ela encontrou outros amantes de caminhadas ao ar livre, e o que era um hobby solitário, se transformou em paixão coletiva. Periodicamente, ela e dezenas de outros brasilienses se organizam em grupos de até sete pessoas para desbravar belezas que estão a poucos quilômetros do Plano Piloto. “Eu estava vivendo presa em um apartamento, ansiosa e, posso dizer, que quase à beira de uma depressão. Essa conexão com a natureza, alegrou os meus dias e me trouxe a cura de toda tristeza”, constata.

Conforme o destino escolhido, ela reencontra conhecidos e faz amizades. A pandemia transformou o lazer descompromissado em fonte de equilíbrio e vida social. Os grupos de trilheiros costumam ser democráticos e acolhem homens, mulheres, crianças, pessoas com diferentes perfis, ocupações e motivações. Francisca diz que a nova paixão representou o fim do sedentarismo e a chegada de novas convivências.

Salvos pela natureza

O destino mais recente desbravado pela turma de trilheiros de Francisca é desconhecido paor boa parte dos brasilienses, embora fique pertinho do centro de Brasília: a Cachoeira do Monjolo, no Núcleo Rural Monjolo, no Recanto das Emas. A trilha é um refresco para os olhos e ouvidos, com o canto dos pássaros que acompanham os andarilhos, e tem como prêmio uma cascata que forma um poço forrado de pedras e areia. A 200 metros da queda, já é possível ouvir o barulho da água em choque com as rochas. Ali, as crianças nadam tranquilas e os adultos lagarteiam sob o sol após um mergulho gelado.

Uma rota familiar para o técnico em informática Wendel Ferreira, 42. Há uma década, ele conta que teve a vida transformada pelo contato frequente com a natureza. Hoje, além da profissão — ele se denomina “condutor” — nas redes sociais reúne pessoas dispostas a destinar um tempo à descoberta e à contemplação de caminhos naturais no DF. Ele é um dos líderes das equipes que frequentam os passeios. “Não faço por dinheiro, não cobro nada. É minha salvação, é como faço amigos desde então”, diz o morador de Ceilândia, que gostaria de ver mais pessoas tendo essa experiência. “A cachoeira do Monjolo é distante pouco mais de 30km do Plano Piloto, o acesso é fácil e dá para chegar de carro ou de ônibus. Mas é importante procurar pessoas que conheçam a região, por uma questão de segurança”, alerta Wendel, que faz questão de frisar que, em suas incursões, os participantes não só recolhem todo lixo que geram nos passeios, como os demais resíduos deixados por outras pessoas. A regra é usufruir dos cenários deslumbrantes, mas com responsabilidade ambiental.

Para a empresária da construção civil do Gama Tina Queirós, 37, as caminhadas em grupo foram o início de uma história de amor, e o que começou como uma alternativa para lidar com a pandemia virou casamento . “Conheci o Júlio César numa trilha ano passado e nos apaixonamos. Participar das aventuras traz muitos benefícios. Essa conexão com a natureza e a socialização são fundamentais para se viver bem, experimentar sons, cheiros e sensações. Muda a vida. Você pode ter isso bem pertinho do nosso quadradinho, não tem preço”, derrete-se.

Para quem é trilheiro ou apenas busca alternativas de lazer ao ar livre, mas sem deixar de lado as medidas de segurança contra a covid-19, o Correio selecionou outros destinos próximos do centro da capital federal. Embora a semana tenha registrado ocorrências de chuvas, novas precipitações não devem atrapalhar os passeios. Isso porque, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), para os próximos dias, a previsão é de tempo nublado, com temperaturas que oscilam entre 14ºC e 31ºC. Até sábado, a umidade relativa do ar registra máxima de 95% e mínima de 20%.


Paraíso pertinho

Próximo a Planaltina, cerca de 1h34 de distância — 83,5 km via EPCT e BR-010/BR-020 — está a Área de Proteção Ambiental (APA) do Cafuringa, conhecida como o Paraíso na Terra. Com muitas nascentes, rios e extensa vegetação do cerrado, é a opção certa para quem busca conexão com a natureza e novos olhares. O local ainda conta com uma fauna diversificada cheia de pássaros e animais silvestres. A contribuição por pessoa é de R$110 para ter acesso ao destino. Crianças de até 5 anos são isentas de pagamento, e as de 6 até 12 anos têm 50% de desconto.


Lugar dos deuses

Localizada na Reserva Biológica de Contagem, Sobradinho DF, a cachoeira Quebra dos deuses oferece aos visitantes um lindo projeto paisagístico, estacionamento, lanchonetes, produtos artesanais e banheiros. A distância da cachoeira para a cidade de Planaltina é de 59 min — 47,5 km via DF-128 e BR-010/BR-020. A atividade mais comum na reserva é o canionismo, que consiste em usar técnicas de rapel entre as belezas presentes no local, como as cachoeiras, pequenas cavernas e poços de água cristalina. O valor para a atividade está em R$ 200 à vista e R$ 210 no cartão.
Um salto formoso

A cachoeira Salto do Itiquira é uma queda d'água de 168 metros de altura localizada no Parque Municipal do Itiquira. A pouco mais de 100 km de Brasília, o parque abre todos os dias, às 9h da manhã, e fecha às 17h, mas a última entrada se dá às 16h. O valor inteiro da entrada é de R$20 e a meia, R$10. Não é permitido tomar banho na cachoeira por conta da queda forte da água, mas os visitantes podem chegar perto e apreciar a vista.


Nos rumos de Goiás

A lagoa da vovó fica localizada entre Padre Bernardo e Mimoso de Goiás, a, aproximadamente,130 km do centro de Brasília. A opção fica no Sítio Nascente, ao lado do Hotel Fazenda da Vovó, onde os visitantes podem passar o dia ou acampar. Por R$ 20 por pessoa, é possível passar o dia no local. Entretanto, o consumo deve ser nas instalções e pago em dinheiro. Para acampar, a diária custa R$ 80,00 por pessoa, inclusive criança, e também é permitida a entrada com alimentos. Por causa da covid-19, o local está funcionando com uma capacidade de atendimento reduzida.

Colaboraram Eduardo Fernandes, Danielle Souza e Yasmim Viana*

*Estagiários sob a supervisão de Juliana Oliveira

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