Patrimônio

Construção de Brasília é eternizada pelo fotografo Jankiel Gonczarowska

Com o objetivo de contribuir com a memória de Brasília, a filha do fotógrafo, Sandra Mussi, publicou recentemente o livro Brasil: duas décadas, duas capitais, que reúne uma coletânea inédita de imagens da capital

Ana Maria Pol
postado em 17/11/2021 06:00
 (crédito: Arquivo Pessoal)
(crédito: Arquivo Pessoal)

A maioria dos brasilienses conhece as histórias da construção da capital. Mas poucas pessoas tiveram a oportunidade de testemunhar como os traços de Lúcio Costa saíram do papel e se transformaram em uma cidade monumento. O jornalista e fotógrafo Jankiel Gonczarowska fez da construção da capital do Brasil a sua própria casa e tornou-se responsável por algumas das mais belas imagens desse período. Filha do repórter fotográfico, a psicóloga Sandra Mussi, 62 anos, lançou o livro Brasil: duas décadas, duas capitais.

A publicação é resultado de um longo e minucioso trabalho, que reuniu uma coletânea de fotos inéditas de Jankie. "Eu queria fazer um livro que mostrasse o projeto do meu pai, mas nunca tive tempo. Foi quando comecei a reunir, há cinco anos, o material dele e a trabalhar em cima", recorda-se Sandra. Em Dubai, ela conheceu o fotógrafo Wilbur Smith, responsável pela limpeza dos negativos. Com texto de Andrey Rosenthal e Sandra, a publicação traz 165 fotografias que Jankiel fez durante o período em que morou no país.

 16/11/2021-ublicação do livro "Brasil: duas décadas, duas capitais"- O livro foi publicado na última quinta, e o evento contou com a participação do secretário de Estado de Cultura e Economia Criativa do DF, Bartolomeu Rodrigues, além de uma exposição de fotos do fotojornalista Jankiel Gonczarowska. Nas fotos, o chefe da pasta e a filha de Jankiel e psicóloga, Sandra Mussi, 62 anos, e da capa do livro.
16/11/2021-ublicação do livro "Brasil: duas décadas, duas capitais"- O livro foi publicado na última quinta, e o evento contou com a participação do secretário de Estado de Cultura e Economia Criativa do DF, Bartolomeu Rodrigues, além de uma exposição de fotos do fotojornalista Jankiel Gonczarowska. Nas fotos, o chefe da pasta e a filha de Jankiel e psicóloga, Sandra Mussi, 62 anos, e da capa do livro. (foto: Arquivo Pessoal)

Polonês, Jankiel veio para o Brasil ainda criança, com os pais e a irmã mais velha. A família morou em Porto Alegre e o jovem fotógrafo começou registrando os cenários litorâneos. Mais tarde, no Rio de Janeiro, trabalhou com o jornalista Samuel Wainer, no jornal Última Hora. Foi lá que conheceu a paraense Yolanda Almeida. O casal teve 13 filhos. Em 1961, a família mudou-se para a novíssima capital do país.

Jankiel morreu em 1988, deixando família, amigos, aprendizes e um legado de amor por Brasília. "Queria que meus filhos se lembrassem do meu pai, do homem que foi e do que ele deixou. Infelizmente, ele morreu sem ter a oportunidade de conhecer os netos. O livro é a forma que encontrei de apresentar para eles uma de suas maiores paixões, a fotografia", ressalta Sandra Mussi.

Inicialmente, a publicação foi entregue apenas aos membros da família, no entanto uma editora se interessou pela obra e procurou Sandra. O livro foi lançado na última quinta-feira (11/11), e o evento contou com a participação do secretário de Estado de Cultura e Economia Criativa do DF, Bartolomeu Rodrigues. "Jankiel Gonczarowska está para a fotografia em Brasília assim como Oscar Niemeyer está para a arquitetura. É um mestre que tive a honra de ser amigo. Fui prestigiar esse importante registro memorial sobre seu legado", disse o titular da pasta.

Secretário de Cultura, Bartolomeu Rodrigues e Sandra Mussi
Secretário de Cultura, Bartolomeu Rodrigues e Sandra Mussi (foto: Arquivo Pessoal)

Para Sandra, o livro é uma oportunidade dos leitores, apaixonados pelo Brasil, conhecerem um pouco mais da história da capital brasileira e do país. "É uma alegria imensa para a família. Meu pai era uma pessoa que queria desaparecer para mostrar o trabalho. Ele falava que tinha que estar fora do foco para fotografar a pessoa, tinha um lado humano belíssimo. Ver isso ser reconhecido, é algo muito especial", afirma.

"Torço para que as pessoas possam se apaixonar por esse olhar, e pela sensibilidade do meu pai, não só artística, mas da dignidade do ser humano. Eu sou suspeita para falar, mas, para mim, são fotos que mostram como era o Brasil, e essa esperança para a nova era", completa Sandra.

Segunda obra

Sandra revela que há discussão sobre uma segunda obra. "Queremos que o primeiro ainda seja digerido pelo público, mas o segundo deve abordar outros dois grandes projetos", adianta. De acordo com Sandra, o objetivo é falar dos trabalhos Pau de Arara Marítimo e Pau de Arara Terrestre. "Na época, ele trabalhava no jornal Última Hora, e entrava em ônibus com nordestinos para acompanhar os seus trajetos. No projeto marítimo, ele acompanhou essas pessoas em grandes embarcações. Há registros das malas e das pessoas dormindo em redes. São fotos maravilhosas, ele mostra a espontaneidade do ser humano", conta.

Onde comprar

Brasil — duas décadas, duas capitais

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Preço: R$ 79,90

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