Investigação

Policiais estão nas ruas colhendo depoimentos e provas para prender o culpado

Polícia Civil ouviu três pessoas. Corpos de Shirlene Ferreira da Silva, 38 anos, e da filha Tauane Rebeca da Silva, 14, devem ser liberados nesta quarta-feira (22/12). As duas foram assassinadas próximo a um córrego no Sol Nascente

Edis Henrique Peres
postado em 22/12/2021 18:02 / atualizado em 22/12/2021 18:13
Retirada dos corpos ocorreu do dia seguinte à localização de mãe e filha, devido às chuvas -  (crédito: Ed Alves/CB/DA Press)
Retirada dos corpos ocorreu do dia seguinte à localização de mãe e filha, devido às chuvas - (crédito: Ed Alves/CB/DA Press)

O corpo de Tauane Rebeca da Silva, 14 anos, foi liberado do Instituto de Medicina Legal (IML) nesta quarta-feira (22/12), no entanto, devido a dificuldade de conseguir as digitais da mãe Shirlene Ferreira da Silva, 38, o corpo dela continua retido na unidade. Mãe e filha foram assassinadas em um córrego próximo a casa onde moravam, no Sol Nascente. O crime violento é um mistério para a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Após o recolhimento das vítimas, na terça-feira (21/12), a cerca de 500 metros da margem do córrego Coruja, onde foram encontradas depois de 11 dias desaparecidas — parcialmente enterrados e com folhas secas as escondendo — a polícia identificou marcas de perfurações provocadas por esfaqueamento no tórax de Shirlene e no pescoço de Tauane.

Delegado da 19ª Delegacia de Polícia (P Norte), Gustavo Augusto destaca que saber que as duas foram mortas a facadas é um passo importante nas investigações. “Agora, sabemos que o evento foi criminoso, no entanto, não sabemos se foi passional, se foi um feminicídio, se foi patrimonial, ou um latrocínio. Essa questão ainda vamos apurar”, esclarece.

Para elucidar o caso, agentes da 19ª DP colhem depoimentos de testemunhas que podem servir para orientar as investigações dos policiais. “A Polícia Civil está fazendo as entrevistas nas ruas. Até ontem, ouvimos duas pessoas, e hoje, ouvimos mais uma. Tenho que ir coletando essas informações e fazendo as diligências de campo, mas há agentes que estão na rua. Agora, é aguardar”, detalha.

Como as investigações, inicialmente, eram conduzidas pela 23ª Delegacia de Polícia (P Sul), Gustavo, agora, reúne as diligências iniciadas pela outra unidade para direcionar os novos passos da 19ª DP.

Relembre

Grávida de quatro meses, Shirlene saiu de casa, às 14h30, na companhia de Tauane. Por volta das 18h30, o marido, Antônio Silva, chegou em casa e perguntou pela mulher ao filho mais novo do casal. Em resposta, o garoto disse que as duas haviam saído para ir até o córrego e não haviam retornado até então. Preocupados, familiares registraram boletim de ocorrência por desaparecimento na 23ª Delegacia de Polícia (P Sul). Mãe e filha deixaram os celulares em casa antes do passeio. Nas mensagens analisadas, os policiais encontraram conversas de Shirlene dizendo que pretendia ir para o Maranhão. "A partir disso, passamos a trabalhar com várias hipóteses, sendo principalmente afogamento e fuga", disse o delegado-adjunto, Vander Braga.

A força-tarefa de buscas contou com cães farejadores, mergulhadores e helicópteros do CBMDF e da Divisão de Operações Especiais da PCDF (DOE). As equipes encontraram um guarda-chuva à margem do córrego. "A gente começou a descartar a possibilidade de tromba d'água, até porque os familiares afirmavam que as duas sabiam nadar", completou o delegado Vander Braga. Os investigadores requisitaram, ainda, o acesso a mais de 90 câmeras de ônibus, da região, e de comércios e casas vizinhas.

Em estado de choque, Shirlei afirmou que não conseguiu reconhecer a irmã e a sobrinha. "A gente ainda não viu os corpos, porque não deixaram, mas a polícia confirmou que são elas. Estou muito mal, e o marido dela está sem chão. A única coisa que eu sei é que elas estavam enterradas próximo aos locais de busca", relatou.

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