DENÚNCIA

VÍDEO: jovem alega ser vítima de violência durante operação da PM com a DF Legal

Lavador de carros relatou que teve itens de trabalho apreendidos e o celular quebrado durante fiscalização. Polícia Militar defende que uso da força foi necessário devido a resistência à operação

Edis Henrique Peres
Pablo Giovani*
postado em 23/01/2022 20:26 / atualizado em 24/01/2022 00:01
 (crédito: Divulgação)
(crédito: Divulgação)

Um vídeo gravado por moradores de Águas Claras mostra o momento em que um jovem de 23 anos sofreu um suposto episódio de violência policial, na manhã dessa sexta-feira (21/1). A vítima, que se chama Gabriel — e pediu para não ter o nome completo divulgado —, trabalha como lavadora de carros há cerca de cinco anos, na Quadra 214 da região administrativa.

Gravações feitas por moradores de condomínios próximos ao local do ocorrido registraram a atuação dos agentes da Secretaria de Proteção da Ordem Urbanística do Distrito Federal (DF Legal) e da Polícia Militar (PMDF). Em dado momento, é possível ouvir as testemunhas dizerem: "Não precisa disso". Em outro vídeo, quando o jovem é levado pelos PMs, a população local comenta: "Está todo mundo com você, Gabriel".

Ao Correio, o lavador de carros contou que a ação "foi humilhante" e que não ocorreu pela primeira vez. "Estava lavando um carro quando eles (agentes de fiscalização) chegaram. Fui colocar o jato dentro da Fiorino (de Gabriel), mas eles chegaram nos agredindo. Eu segurei a porta da Fiorino, mas eles jogaram spray de pimenta em mim e nos meus meninos (trabalhadores). Estavam dando murro na gente", contou Gabriel.

O jovem acrescentou que foi "enforcado" e "jogado no chão": "Eles colocaram o joelho no meu corpo, eu estava sem ar. O tempo todo, perguntava por que estava sendo preso, mas eles não respondiam. Eu pedia socorro e dizia que estava com as chaves dos clientes no bolso".

O caso teria ocorrido durante uma ação conjunta da PMDF e da DF Legal. "Eles (DF Legal) falam que precisam de autorização (para trabalhar no local), mas fui à Administração (Regional) de Águas Claras, e ninguém tem autorização aqui. Disseram que, se eu fechar o ambiente (a estrutura do lava-jato), eles não podem recolher nada. Mas, mesmo com as coisas no carro, eles entram e pegam tudo. É muito humilhante. O tempo todo, eles ficaram me chamando de 'vagabundo'. Perdi todas as minhas coisas e tenho uma família para sustentar", desabafou.

A operação ocorreu por volta das 10h, segundo o jovem. "Eles me levaram, depois, para a delegacia. Aceleravam, e eu batia a cabeça toda hora (no carro). Lá (na unidade policial), não fui ouvido em nenhum momento. Fui liberado por volta das 16h. Agora, estou com medo de voltar a trabalhar, de ver uma viatura e de eles fazerem alguma coisa comigo. (Essa) é uma forma de me oprimir e me humilhar. Em 2021, aconteceu isso umas duas vezes. Eles sempre fazem isso. E eu tenho uma família. Moro com minha mãe, (minhas) irmãs e com minha avó, que é cega e tem 93 anos", disse Gabriel, que atua com três auxiliares.

"Uso da força diferenciada"

Procurada pela reportagem, a PMDF informou que a ação "foi necessária, pois a parte autuada procurou impedir a atuação dos agentes da DF Legal". Uma pessoa foi detida e conduzida para a 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul), após desacatar um agente da secretaria. "Diante da resistência, foi necessário o uso moderado da força para condução", completou a corporação, em nota.

O texto detalhou, ainda, que uma equipe do 17ª Batalhão da Polícia Militar (BPM) foi escalada para acompanhar os servidores da DF Legal em alguns pontos de Águas Claras, por volta das 12h desta sexta-feira (21/1), "com o objetivo de retirar lavadores de carro sem autorização para trabalhar na rua".

"Ao chegar na Quadra 214, os auditores e funcionários da DF Legal foram recebidos com agressividade, sendo alguns ajudantes lesionados, e os auditores, ameaçados. Um dos auditores deu voz de prisão ao cidadão (Gabriel), que estava com um toco de árvore (em mãos), ameaçando jogar (o objeto) contra os veículos da DF Legal. Os policiais militares procederam na prisão, mas houve resistência da parte do cidadão, sendo necessário o uso da força diferenciada para contê-lo. As partes envolvidas foram encaminhadas à 21ª DP, para serem tomadas as medidas cabíveis. O homem (Gabriel) foi preso por lesão corporal, resistência e desacato", concluiu a corporação.

*Estagiário sob a supervisão de Pedro Grigori

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